Avaliação Conjuntural do Setor Eletroeletrônico- 1º Trimestre/2020

Atividade

A expectativa da indústria eletroeletrônica para 2020 era de retomada do crescimento do setor, no entanto, os primeiros meses do ano não mostraram indicadores que venham a confirmar esta perspectiva.

O faturamento cresceu 6% no 1º trimestre de 2020 comparado com o mesmo período do ano anterior. Descontada a inflação do setor, o faturamento ficou no mesmo nível do ano passado.

Por sua vez, mantida a mesma comparação, conforme dados do IBGE, a produção da indústria eletroeletrônica mostrou retração de 0,2%.

A utilização da capacidade produtiva que estava em 78% em dezembro de 2019 passou para 77% no final de fevereiro/20 e para 70% no final de março de 2020.

Somente o número de empregados cresceu no período, aumentando de 234,5 mil em dezembro/19 para 239,4 mil em março/20, o que de uma certa forma, estava compatível com a perspectiva de crescimento futuro.


Empregados

O resultado do 1º trimestre já registra os primeiros efeitos do Coronavírus sobre a atividade do setor.

Em um primeiro momento, em fevereiro, algumas empresas mostravam dificuldades para a obtenção de componentes eletrônicos vindo da China. Em março, outros países passaram a apresentar o mesmo problema e os negócios passaram a mostrar enfraquecimento, fato demonstrado nas Sondagens realizadas pelas Abinee, que revelaram queda das vendas e consequente aumento dos estoques, tanto de produtos acabados como de matérias primas.

Variação

As indústrias revelavam ainda dificuldades para obtenção de capital de giro, devido ao crédito seletivo, aperto nas exigências de garantia pelas instituições financeiras, juros elevados, entre outras.

Reflexo de todo este quadro foi a queda no índice de confiança das indústrias do setor. Em janeiro deste ano estava em 64 pontos; em fevereiro passou para 62 pontos e em março caiu para 57 pontos, sendo que, valores acima de 50 pontos indicam confiança.

No mesmo sentido, conforme Sondagem da Abinee, em janeiro deste ano, 82% das empresas esperavam crescimento das vendas para 2020, em fevereiro passou para 83% e em março este percentual caiu para 28%.

A retração do mercado de produtos elétricos e eletrônicos também pode ser constatada com o comportamento das importações dos produtos do setor, que cresceram 2% na comparação com o 1º trimestre de 2019, destacando-se a queda de 7% nas importações de componentes elétricos e eletrônicos.

As exportações de bens do setor não contribuíram para uma melhor performance desta indústria, uma vez que caíram 10% no período em análise.

Especificamente quanto ao faturamento das áreas que compõem a indústria eletroeletrônica, os segmentos de bens elétricos, como Equipamentos Industriais, GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica - e Material Elétrico de Instalação, mostraram variações percentuais de 15%, 10% e -16%, respectivamente, no primeiro trimestre deste ano comparado com igual período de 2019.

Os crescimentos do faturamento de Equipamentos Industriais e GTD seguiram a da produção física da indústria de bens de capital calculada pelo IBGE, embora em percentual mais elevado, que cresceu 2%.

No caso dos bens de capital (BK) seriados, segundo o IBGE, ocorreu queda de 4,8%, enquanto que nos equipamentos não seriados houve crescimento de 34,8%. Isto indica que o mercado de bens seriados já pode ter sofrido algum impacto da queda do mercado decorrente da epidemia, enquanto os não seriados cujos negócios estão atrelados a contratos de fornecimento de média e longa duração tiveram a atividade menos afetada neste período.

Também se verificou nos dados do IBGE relativos aos bens de capital para o setor de energia elétrica, crescimento de 7,8% mantida as comparações em análise.

Por sua vez, o resultado apresentado pelo segmento de Material Elétrico de Instalação, demostrou o esfriamento da indústria da construção, fato também revelado pelo IBGE, que apontou queda na produção de bens para construção civil de 4,1% e retração na produção de insumos para construção civil de -1,8%.

Quanto aos bens de informática, o faturamento cresceu 15% no 1° trimestre deste ano vis à vis ao mesmo período de 2019. Segundo dados do IDC, tanto os mercados (em unidades) de desktops (+10%) como de notebooks (+19%) cresceram no período, enquanto caiu 3% o mercado de tablets.

A área de Telecomunicações ficou estável no período em análise, resultado da queda de 3% do faturamento dos telefones celulares e incremento de 6% na infraestrutura de telecomunicações.

Também conforme o IDC, o mercado de telefones celulares caiu 9% no 1º trimestre de 2020 sobre o 1º trimestre de 2019, em unidades, sendo que o mercado de smartphones recuou 8% e os tradicionais -22%.

Por sua vez, o faturamento da área de Automação Industrial diminuiu 2% e o de Componentes Elétricos e Eletrônicos cresceu 2%, que deflacionado representou queda de 4%.

Produção

Perspectivas

Para o ano de 2020, a estimativa é de queda da ordem de 3% no faturamento da indústria eletroeletrônica comparado com 2019, totalizando R$ 148,8 bilhões. Vale lembrar que a última projeção para o desempenho do setor para este ano, realizada no ano passado, era de crescimento de 8%.

Ainda referente a 2020, as exportações deverão recuar 15%, atingindo US$ 4,75 bilhões, e as importações devem cair 10% alcançando US$ 28,90 bilhões.

Com isso, o déficit da balança comercial de produtos do setor deverá cair 9% neste ano, registrando US$ 24,15 bilhões.

O número de empregados no setor deverá atingir 231 mil trabalhadores no final de 2020, refletindo o impacto econômico da pandemia no País.

A utilização da capacidade instalada deverá ficar em torno de 73%.

E os investimentos devem registrar R$ 2,4 bilhões.

Mercado Oficial

 
 
 

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