Conjuntura Econômica

Análise econômica produzida pela Assessoria Econômica da Abinee, com base em informações da Sondagem Conjuntural realizada mensalmente pelo Departamento de Economia junto às empresas associadas e, também, nos aspectos econômicos do país.

Junho de 2014


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Conjuntura Econômica
(Carlos Cavalcanti, assessor econômico da Abinee)

Marcado pelo evento da Copa do Mundo e, portanto, com menor número de dias úteis, o mês de junho trouxe uma forte deterioração nas expectativas de crescimento do PIB e da produção industrial. No início do mês, a mediana das expectativas para o PIB, compiladas pelo Relatório Focus, sinalizava para crescimento de 1,4% neste ano e de 1,8% em 2015. No decorrer do mês, as expectativas foram ruindo e as taxas de crescimento esperadas recuaram, respectivamente, para 1,1% e 1,5% nos anos em tela.

Como o quadro só fez se agravar a partir daí, não se observando mais quaisquer perspectivas de reversão da queda por parte do mercado, é legítimo afirmar que junho marca uma inflexão negativa para o cenário da economia brasileira neste e no próximo ano. Embora exista a perspectiva de que o PIB cresça mais em 2015 do que neste ano, o fato é que os ajustes necessários (ajuste dos gastos públicos, correção dos preços administrados, ação para a convergência da inflação para o centro da meta, dentre outros), previstos para acontecer no próximo ano, podem ocasionar dois anos consecutivos de estagnação (considerando-se um crescimento do PIB abaixo de um por cento).

A crise de confiança que assola o ambiente de negócios no País está bem ilustrada na evolução das expectativas para a produção industrial. No decorrer do mês de junho, a mediana das previsões recuou de 0,96% para -0,14% (a última edição do Focus traz retração de 1,15% para este ano). Pela primeira vez, o olhar para a indústria a colocou em uma zona de recessão, o que tende a agravar o processo de desindustrialização no país. Para 2015, as previsões ainda sustentam crescimento de 1,7%, a despeito de tudo o que nos espera. De todo modo, o avanço esperado é bem inferior aos 3,0% que se imaginava nas previsões feitas em janeiro deste ano.

De olho no processo eleitoral e na tentativa de melhorar o relacionamento com a classe empresarial, a Presidenta da República anunciou em 18/06 um conjunto de medidas de política industrial para atender à indústria de transformação, que enfrenta sérias dificuldades desde o início do seu governo.

São objetivos do chamado "Pacote de Bondades”": fortalecer a indústria, estimular aumentos de produtividade e da competitividade, promover a inovação e a modernização, aumentar a inserção externa e assegurar emprego e renda para os trabalhadores da indústria.

As proposições estão divididas entre medidas tributárias, financeiras e creditícias e outras, que se encontram organizadas no quadro abaixo.

Medidas Tributárias, Financeiras e Creditícias e Outras

Medidas tributárias:

Desoneração permanente da folha de pagamentos: o governo anunciou que a desoneração da folha para os 56 segmentos já beneficiados (indústria, comércio e serviços) será permanente a partir de 2015. A renúncia estimada é de R$ 23,4 bilhões;

Reintegra permanente: o Reintegra é um regime especial que vigeu em 2012 e 2013 e devolve parcela dos tributos cobrados sobre as exportações. O regime passa a ser permanente, com alíquotas entre 0,1% e 3% (a ser fixada a cada ano). Para 2014, a alíquota fixada é de 0,3%.

Desonerações tributárias permanentes: 1º) As alíquotas do IPI para material de construção e bens de capital (máquinas e equipamentos, caminhões e ônibus) foram mantidas em zero; 2º) Mantidos os regimes tributários especiais.

Refis remodelado: o Refis da Crise foi modificado, reduzindo-se o percentual da entrada para 5% no caso das dívidas até R$ 1,0 milhão;

Medidas financeiras e creditícias:

PSI-BNDES 2015: o PSI foi prorrogado até o final de 2015;

PSI-Leasing: financiamento para a aquisição de máquinas e equipamentos novos de fabricação nacional, para operações de arrendamento mercantil;

Incentivos para abertura de capital de empresas de porte médio: foi estabelecida a isenção do IR (alíquota atual de 15%) sobre ganho de capital com duração até 2023;

Debentures de infraestrutura: o governo decidiu prorrogar os incentivos tributários (alíquota zero sobre os ganhos de capital) para a emissão de debêntures de infraestrutura para 31/12/2020. Planeja-se incluir projetos de infraestrutura na área de educação, saúde, hídrica e irrigação e ambiental.

Outras medidas:

Compras governamentais: o governo anunciou a fixação de alíquotas de 25%, até 2020, para as margens de preferência aplicadas aos setores produtivos;

Conteúdo local: maior rigor do BNDES / maior rigor na indústria de gás e petróleo / maior rigor nos fundos constitucionais;

Pronatec 2: será feita a expansão e modernização das redes de educação profissional para o período 2015-2018;

Lei da Biodiversidade: promover o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos em diversos setores (farmacêutica, química fina, higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, biotecnologia, produtos de limpeza e insumos agrícolas e pecuários).

Programa “Brasil sem Burocracia”: o programa pretende simplificar e reduzir as exigências e informatizar os procedimentos tributários.

Maio de 2014


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Conjuntura Econômica
(Carlos Cavalcanti, assessor econômico da Abinee)

Os ânimos estão mais frios, o que é percebido na Sondagem da ABINEE deste mês de maio. A repercussão de dois importantes indicadores econômicos abalou a fragilizada expectativa de melhora da economia para este ano, com prováveis efeitos para 2015.

O primeiro foi o “magérrimo” resultado do PIB (+ 0,2%) no primeiro trimestre do ano. A queda do consumo das famílias e do investimento revelou que a expansão do mercado interno – motor do crescimento da economia nos últimos anos - dá claros sinais de esgotamento. Por seu turno, a contribuição das exportações para o PIB permanece negativa, em razão da ligeira (re)valorização do moeda doméstica no período e do fraco dinamismo das nações desenvolvidas, em especial Estados Unidos e Zona do Euro, e demais emergentes.

Ao abrir o segundo trimestre em queda, a produção industrial de abril acrescentou novas ameaças ao desempenho econômico de 2014. Houve retração de 0,3% na passagem de março para abril e de 5,8% em comparação a abril de 2013 (Para informações detalhadas sobre o resultado da produção industrial em abril, sugerimos análise e tabela apresentadas na Sondagem).

Em época de safra de estatísticas de PIB, trouxe algum incômodo o fraco desempenho da economia americana e da Zona do Euro. Prejudicado pelas fortes geadas do início do ano, o crescimento americano derrapou. O PIB dos EUA mostrou recuo de 2,9% no primeiro trimestre deste ano na taxa anualizada (dado revisado), em comparação ao trimestre anterior. O resultado não agradou ao mercado, que esperava retração de apenas 0,5%, em uma primeira leitura, e de 1,7% com a revisão.

Contribuíram para uma queda mais forte: as exportações de bens e serviços (-6,0% no primeiro trimestre de 2014 perante avanço de 9,5% no último de 2013); a formação de estoques (-1,6%); o investimento em formação bruta de capital fixo (-1,6% no primeiro trimestre em comparação ao avanço de 5,7% no último de 2013) e o investimento em residências (-5,0% frente a recuo de 7,9% no trimestre imediatamente anterior).

No caso da Zona do Euro, o PIB da região cresceu 0,2% no primeiro trimestre, implicando em um resultado inferior ao esperado, apesar da recuperação da Alemanha (crescimento de 0,8% no período) ter ajudado a compensar a queda na maior parte dos países do bloco.

A imediata reação do Banco Central Europeu (BCE) ao baixo crescimento e à ameaça de deflação foi o anúncio de um pacote de medidas que incluiu o uso de taxa de juros reais negativas. Para alavancar o crédito e estimular os gastos na região, o BCE promoveu a redução da taxa básica de juros de 0,25% para 0,15% ao ano, a diminuição da taxa marginal de empréstimos de 0,75% para 0,40% e a redução da taxa de depósito, paga pelo BCE aos bancos comerciais nos recolhimentos compulsórios.

Na China, os números têm sido desfavoráveis para a produção industrial e exportações. Para impedir uma desaceleração mais aguda da economia e assegurar a meta de crescimento de 7,5% em 2014, o governo chinês tem editado sucessivas medidas de estímulo. Em abril, lançou um pacote de mini-estímulos, com investimentos em ferrovias, casas populares e redução de impostos para pequenas empresas. Em maio, reduziu o compulsório dos bancos rurais e pequenas instituições financeiras em meio ponto percentual, para que possam suprir a necessidade de crédito das pequenas e médias empresas. Concomitantemente, o Banco Central da China continua despejando recursos no mercado interbancário para garantir liquidez e reduzir o custo de captação de grandes bancos.

Com os resultados do primeiro trimestre, instituições financeiras, consultorias privadas e entidades de classe refizeram as suas projeções econômicas para 2014 e 2015. Nos quadros abaixo, selecionamos algumas destas projeções, destacando-se que:

Desidratou a perspectiva de crescimento da economia brasileira acima de 2,0% para este ano. O mais provável é que a economia brasileira cresça entre 0,8% e 1,2%. Para 2015, as perspectivas são melhores, mas não representam um crescimento robusto;

A indústria amargará mais um péssimo ano, com firmes apostas de que sofrerá retração em 2014. Logo, o desemprego no setor continuará avançando e os investimentos aguardarão fase mais promissora. Isto talvez ocorra em 2015, desde que as previsões correntes não se agravem a ponto de influenciar negativamente as decisões para o próximo ano;

Não há previsão econômica que sinalize para o retorno da inflação ao centro da meta. Em 2014 e 2015, a taxa de inflação permanecerá encostada no teto superior da meta, forçando a manutenção da Taxa Selic em 11% a.a. até o final de 2014 e forte tendência de elevação em um ponto percentual ou um ponto e meio percentual no próximo ano;

Com a inflação pressionando, torna-se impraticável uma desvalorização mais forte. Para enfrentar essa situação, o Banco Central declarou que manterá a política de compra e venda de “swaps cambiais” até o final do ano. Nesse contexto, a taxa média de câmbio deverá ficar próxima a R$/US$ 2,30 e R$/US$ 2,45, respectivamente, para 2014 e 2015.

Projeções Econômicas

Abril de 2014


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Conjuntura Econômica
(Carlos Cavalcanti, assessor econômico da Abinee)

A economia internacional prossegue em sentido de gradual melhora. Em abril, os indicadores da produção industrial e das vendas no varejo tanto na Zona do Euro como nos Estados Unidos continuaram dando sinais de recuperação. Encerrado o primeiro quadrimestre, não restam muitas dúvidas sobre a possibilidade dos EUA crescerem mais de 2,0% este ano e da Zona do Euro ao redor de 1,0%.

Infelizmente, esse quadro de modesta expansão, atrelada à desvalorização média do Real, não vem se refletindo positivamente na balança comercial do País. A perda de competitividade das nossas exportações, principalmente de manufaturados, é gritante. Em abril, pela média diária, as exportações totalizaram US$ 19,7 bilhões, com incremento de 5,2% sobre abril de 2013 e de 6,3% em relação a março de 2014. Por sua vez, as importações somaram US$ 19,2 bilhões. Sobre igual período do ano anterior, as importações registraram queda de 2,2%, e crescimento de 4,2% sobre março de 2014. Desse modo, o saldo comercial ficou positivo em apenas US$ 506 milhões, praticamente não oferecendo qualquer contribuição para reverter o déficit de US$ 5,6 bilhões acumulado nos quatro primeiros meses do ano.

No mês passado, as exportações de produtos básicos (US$ 10,6 bilhões) registraram valor recorde para meses de abril; enquanto os semimanufaturados e manufaturados alcançaram valores de US$ 2,1 bilhões e US$ 6,5 bilhões, respectivamente. Em comparação ao ano de 2013, cresceram as exportações de básicos (+11,4%), por outro lado, retrocederam as vendas de semimanufaturados (-4,0%) e manufaturados (-1,8%). É o reforço da “primarização” da pauta de exportação.

A insuficiência do canal externo e dos investimentos e o relativo esgotamento do vetor consumo reforçam as perspectivas desfavoráveis para o crescimento brasileiro este ano. O IBC-Br, proxy mensal do PIB calculado pelo Banco Central, refletindo a estagnação da produção industrial e o ritmo de crescimento mais vagaroso do comércio no primeiro trimestre do ano, apresentou recuou de 0,11% na passagem de fevereiro para março, após estagnação na apuração anterior. Para o acumulado do ano, o índice avançou 1,02% em relação ao primeiro trimestre de 2013 e 2,11% nos últimos 12 meses.

Ao ser divulgado em 30 de maio¸ o resultado do PIB do primeiro trimestre deste ano deverá corroborar algumas das nossas conclusões. Primeiro, a contribuição do comércio exterior para o PIB permanecerá negativa. Segundo, a formação bruta de capital fixo se revelará nula ou com avanço muito modesto em relação ao primeiro trimestre de 2013. Terceiro, o consumo das famílias apresentará desempenho positivo, mas aquém do que se observou no segundo semestre de 2013. Por sua vez, a indústria de transformação apresentará contribuição negativa, puxada principalmente pelo fraco desempenho de veículos automotores, petróleo e gás e metalurgia.

Em linha com o cenário macroeconômico, a Sondagem da ABINEE mostrou que, em abril, as vendas/encomendas do setor elétrico e eletrônico voltaram a recuar na comparação com igual mês do ano anterior, sinalizando a possibilidade do início de um descenso cíclico. Refletindo a queda das vendas, os fabricantes consultados indicaram que o maior problema reside no nível indesejado de estoques de bens finais. Na passagem de março para abril, a indicação desse fator subiu, respectivamente, de 32% para 39% das respostas.

A nosso ver, são fatores que podem explicar o que está acontecendo:

1º) o caráter mais seletivo imposto ao crédito pelo sistema bancário, em função da redução dos prazos e do aumento das taxas de juros “na ponta”. Em janeiro deste ano, o saldo final das operações de crédito cresceu 14,8% em relação ao mesmo mês de 2013. Em março, com base na mesma modalidade de comparação, o saldo havia cedido um ponto percentual, apresentando variação de 13,7%. Para abril, há fortes indícios de que o crédito desacelerou novamente, utilizando-se a comparação interanual.

2º) os reflexos efetivos do aperto monetário (elevação da taxa Selic), iniciado em abril de 2013, que, em virtude do hiato de tempo, deverão ser mais sentido a partir do segundo trimestre deste ano;

3º) o fraco desempenho das exportações de manufaturados, embora se observe a recuperação da economia mundial e a moeda brasileira (Real) mais desvalorizada;

4º) a baixa confiança que predomina na economia brasileira atualmente, o que impacta principalmente as decisões de investimento. Todos os índices de confiança apurados pelo IBRE/FGV apresentaram piores resultados em abril, principalmente na componente que as perspectivas futuras. Assim, o índice de confiança da indústria de transformação (IBRE/FGV) recuou 0,6% na comparação de abril frente a março. O índice de confiança do comércio apresentou queda de 3,1% na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e o do ano anterior. E o índice de confiança do consumidor recuou 0,8% na passagem de março para abril.

Em nossa avaliação, os meses de maio e junho não trarão noticias favoráveis. Em maio, por conta das recentes manifestações de rua, da contínua fragilidade da atividade industrial e dos imbróglios políticos, principalmente a CPI da Petrobras e preparação das convenções partidárias que são fatores que contribuem para imobilizar as decisões de governo. Em junho, o efeito Copa do Mundo cuidará de derrubar os negócios relacionados à atividade industrial e de comércio, devendo favorecer apenas às de serviços.

Março de 2014


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Conjuntura Econômica
(Carlos Cavalcanti, assessor econômico da Abinee)

A rebelião da base aliada, liderada pelo PMDB, a crise na Ucrânia, que tem favorecido o País por causa da revoada dos capitais externos (cerca de US$ 70 bilhões saíram da Rússia desde o início da crise) e do aumento dos preços das commodities, a retórica do governo com respeito ao cumprimento da meta fiscal (1,9% do PIB em 2014), a crise financeira e os escândalos da Petrobrás ou mesmo o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela S&P não atiçaram tanto o humor do mercado como os resultados das pesquisas eleitorais divulgadas em março e abril. No dia em que foi divulgada a primeira pesquisa CNI/IBOPE, apontando queda na aprovação do governo Dilma, o Índice Bovespa saltou 3,5%, puxado pela valorização das ações de empresas estatais. O ressentimento do mercado com as ações intervencionistas do governo leva a presumir que quanto mais a Presidenta perde densidade eleitoral maior é a euforia e a confiança dos agentes.

A respeito do cenário externo, duas boas notícias vieram na primeira semana de abril. A primeira foi a sinalização do Banco Central Europeu (BCE) de que poderá usar novos instrumentos monetários para impedir que a inflação permaneça baixa por muito tempo ou que ocorra uma deflação. Portanto, novos estímulos podem ser adotados para expandir o nível de atividade. A segunda diz respeito ao pacote de estímulos econômicos anunciado pelo governo chinês. As medidas abrangem isenções de impostos para micro e pequenas empresas, ajuda aos bairros urbanos mais pobres e a criação de um fundo para investimentos na malha ferroviária que receberá entre 32 e 48 bilhões de dólares.

Da forte desconfiança que se abateu sobre os países emergentes no início do ano ao retorno dos capitais a partir de março – variações ocorridas em um único trimestre –, notou-se aumento da instabilidade mundial e dos prêmios de risco no período. Para o Brasil, as mudanças nos fluxos internacionais e o rebaixamento da nota de crédito não produziram fortes alterações em câmbio e juros. Após a revisão da rating brasileiro, o certo é que a incerteza foi varrida do horizonte de curto prazo, estimulando o capital financeiro a regressar ao país.

Como o Banco Central manteve a política de aperto monetário – elevando a taxa Selic para 11,0% a.a. no início de abril – e o ritmo de recompra de swaps cambiais, as expectativas se mantiveram estabilizadas. Do primeiro Relatório Focus (03/01) de 2014 ao mais recente (17/04), a previsão é de que a taxa de câmbio encerre o ano cotada a US$/R$ 2,45 e alcance US$/R$ 2,51 no final de 2015. Para a taxa de juros, em virtude da ameaça de rompimento da meta de inflação (o relatório mais recente já prevê inflação acima da meta), os agentes apostam em uma taxa de 11,25% a.a. no encerramento de 2014 (era de 10,50% em janeiro) e de 12% a.a. no próximo ano.

Persiste o cenário de baixo crescimento para a indústria de transformação em 2014, sobretudo por causa do fraco desempenho do setor externo. As exportações de manufaturados recuaram 8% no primeiro trimestre do ano em comparação a igual período do ano anterior. Já a balança comercial acusou déficit de US$ 6,07 bilhões no primeiro trimestre, com as exportações totalizando US$ 44,6 bilhões e as importações, US$ 55,7 bilhões.

Para surpresa de alguns analistas, a produção industrial teve desempenho favorável nos dois primeiros meses do ano. Feitos os ajustes sazonais, a produção da indústria subiu 2,9% na passagem de dezembro para janeiro e 0,4% de janeiro para fevereiro, recuperando parte da retração verificada em dezembro de 2013. Por categoria de uso, destaca-se no acumulado do bimestre a expansão de 8,0% de bens de capital e de 6,9% de bens de consumo duráveis. Na mesma base de comparação, a única categoria que apresentou retração foi a de bens intermediários (-0,8%).

Outros indicadores da indústria também mostraram bom desempenho no período. De acordo com a CNI, o faturamento real cresceu 6,6% no primeiro bimestre do ano contra igual período do ano anterior. As horas trabalhadas, 1,2%; o emprego, 1,4% e a massa salarial real, 6,7%, considerando-se a mesma base de comparação.

Indicadores da Produção

 
Abinee - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica

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