Análise de Conjuntura

Análise econômica produzida pelo diretor de economia da Abinee, com base em informações da Sondagem Conjuntural realizada mensalmente pelo Departamento de Economia junto às empresas associadas e, também, nos aspectos econômicos do país.

Janeiro de 2017


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Desempenho recente da indústria eletroeletrônica e perspectivas para 2017-18
Tomando por base 2014, em dois anos a produção da indústria de transformação contraiu-se 15,3%, ao passo que a produção do setor eletroeletrônico encolheu 30%. Nos últimos dez anos, tem existido uma relação média entre as respectivas taxas de crescimento da ordem de 1,5 a 2: quando a indústria total sobe 10%, o setor sobe de 15% a 20%. No caso de queda de produção, a relação também se verifica.

A Figura 1 mostra o comportamento das duas séries. A razão para isso é a própria natureza do setor, que se concentra na produção de bens de capital e de bens duráveis de consumo. No caso dos bens de capital, o comportamento do investimento é determinante. No período considerado (2015-16), o investimento bruto caiu 22,3%, queda muito superior à do PIB e mesmo da indústria em geral. Os bens duráveis de consumo tiveram comportamento semelhante e contraíram-se (ou retraíram-se) 30,5%, ao passo que a produção de bens de capital caiu 33,5%. Portanto, a queda do setor eletroeletrônico é consistente com a contração inédita da economia no período.

Como não há mal que sempre dure, as coisas começaram a ficar menos ruins a partir de meados do ano passado, resultado da melhora da confiança dos agentes econômicos. De fato, o governo Temer tem sinalizado na direção do reequilíbrio geral da economia brasileira, depois de mais de uma década de populismo e irresponsabilidade fiscal. Os resultados começaram a aparecer no segundo semestre, com a aprovação da ‘lei do teto’, o encaminhamento da reforma da Previdência Social e, no início do ano, de uma expressiva queda na taxa básica de juro. Um dos reflexos dessa melhora é, por exemplo, o aumento de preço das ações e a queda do dólar frente ao real.

Também já se detecta a reversão de alta na produção física da indústria de transformação e do setor eletroeletrônico. A Figura 2 mostra as taxas de crescimento em 12 meses da produção e a curva de tendência (um alisamento estatístico da série mensal) do setor. Já no final de 2016, a produção física, na medida adotada, atingiu valores positivos pela primeira vez em dois anos. A própria linha de tendência, bem mais lenta a reagir, apresentou uma inflexão para cima ao longo do ano.

Tudo indica que a tendência positiva se manterá neste e do próximo ano. O cenário do Departamento de Economia da ABINEE prevê taxas de crescimento do PIB de 1% em 2017 e de 2% em 2018. Para a indústria de transformação, as taxas são de 2% e 3%, respectivamente. Isso significa que há uma real possibilidade de que o setor eletroeletrônico tenha crescimento anual na faixa dos 4% nos anos referidos.

No entanto, é preciso relativizar essa melhora da situação econômica do País. Para isso, vamos recorrer ao chamado ‘hiato do produto’ (a diferença percentual entre o produto potencial e o produto efetivo da economia). O produto potencial foi obtido pelo filtro Hodrick-Prescott aplicado à série original. A Figura 3 mostra duas coisas importantes. Primeiro, o PIB efetivo se encontrava, ao final do ano, 5,1% abaixo do produto potencial, o maior hiato observado na história recente do País. Isso atesta a gravidade da recessão e se reflete na alta capacidade ociosa das empresas e na alta taxa de desemprego da força de trabalho.

Segundo e talvez ainda mais importante, pela medida adotada, o próprio produto potencial da economia contraiu-se nada menos do que 2,7% nos dois últimos anos. Isso significa que a capacidade de produção hoje é quase 3% menor do que a de 2014.

A explicação para isso está na grande queda do investimento bruto e na perda de produtividade total da economia. De fato, com uma taxa bruta de formação de capital de apenas 15,5% do PIB, o investimento líquido na economia tem sido praticamente zero, descontada a depreciação do estoque de capital. Ou seja, o estoque de capital produtivo está estagnado e, em certas áreas críticas, como a infraestrutura econômica, tem caído. Por outro lado, a produtividade total, medida pela relação entre o PIB e a força de trabalho, também vem caindo.

O desafio imposto por essa situação é de duas ordens. Primeiro, é preciso zerar o hiato do produto. Essa é a tarefa de curto prazo, que poderá ser cumprida nos próximos três anos, se as previsões de aumento do PIB aqui feitas se concretizarem.

Ao final de 2019, provavelmente o hiato terá sido eliminado. No longo prazo, vem a tarefa mais difícil: fazer com que o produto potencial volte a crescer continuamente e com isso puxe o produto efetivo para cima. Isso implica as chamadas reformas estruturais (Previdência, Trabalhista, etc.), que podem aumentar a produtividade e incentivar a formação de capital.

Nos últimos nove meses, o governo Temer tem mostrado que está consciente do problema e tem formulado as políticas corretas para enfrentá-los, a despeito das dificuldades políticas e dos compromissos que são feitos com a base aliada no Congresso. Só o tempo dirá quanto o governo tampão avançará. O que é certo é que a tarefa terá que ser continuada com determinação pelo próximo governo.

Celso Luiz Martone - diretor da área de Economia da Abinee

Análise de Conjuntura 2016


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Gerente de Economia

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