Conjuntura Econômica

Análise econômica produzida pela Assessoria Econômica da Abinee, com base em informações da Sondagem Conjuntural realizada mensalmente pelo Departamento de Economia junto às empresas associadas e, também, nos aspectos econômicos do país.

Fevereiro de 2015


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Conjuntura Econômica
(Carlos Cavalcanti, assessor econômico da Abinee)

A indústria brasileira enfrenta a pior crise da última década, excetuando-se, por certo, o momento atípico de auge da crise internacional de 2008/09. Com a divulgação pelo IBGE dos resultados de 2014 se tornou evidente a acentuada queda da produção da indústria, cujo precedente mais próximo se encontra na crise financeira do último quartil da década passada (ver gráficos).

Consequência da falta de uma política industrial robusta, que viesse estabelecer um planejamento de longo prazo, ao invés de medidas intempestivas e ocasionais, a crise da indústria de transformação no Brasil não será superada se não houver um intenso diálogo entre governo e o setor produtivo.

Longo e Acentuado

Como apontam os dados do IBGE (ver gráfico acima), a indústria extrativa conseguiu recuperar o nível de atividade observado em 2011, o que não se verificou para a indústria de transformação que pela dimensão e peso arrastou o indicador da indústria em geral para baixo. Constata-se que a indústria de transformação, ao final de 2014, reproduzia o nível de atividade apurado no período de recuperação da crise financeira em meados de maio/junho de 2010. Ou seja, a indústria de transformação regrediu ao patamar de quatro anos atrás.

Percebe-se como grave nesse processo o fato de que o declínio se espraia por todas as categorias de uso e diversos ramos da indústria. O gráfico abaixo sinaliza para uma forte queda na maioria das categorias analisadas, tendo por base de comparação a produção industrial acumulada nos últimos 12 meses. O único grupo que se manteve estável, com variação praticamente nula, foi a de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis. Todos os demais recuaram intensamente a partir do terceiro trimestre de 2013 e encerraram o ano passado em um dos piores níveis da última década

Produção Industrial

A crise de confiança que inoculou empresários produtivos, investidores e consumidores, fruto de uma maior intervenção do governo na economia e de medidas de política econômica equivocadas, como a persistente sobrevalorização cambial, somada à desatenção e ausência de medidas que efetivamente servissem ao aumento da competitividade das empresas, levou ao desastroso cenário de queda acentuada das exportações e aumento explosivo das importações de manufaturados.

O gráfico abaixo destaca o explosivo aumento do coeficiente de penetração das importações de manufaturados, frente a uma relativa estagnação das exportações de manufaturados. Problemas de infraestrutura, custo salarial e carga tributária somaram-se à falta de câmbio para reproduzir o quadro abaixo. A reversão dessa situação no presente não será simples. Embora a taxa de câmbio próxima a R$/US$ 3,0 beneficie os produtos tradebles, não será suficiente para recuperar no curto prazo os canais de distribuição que foram interrompidos, a recomposição das equipes de comércio exterior nas empresas e a superação das dificuldades decorrentes das limitações impostas pelo acordo do Mercosul e a credibilidade do país, comprometida com os escândalos recentes.

Indústria de Transformação

Para nos apropriarmos da verdadeira dimensão e extensão da crise da indústria de transformação, cabe notar que 19 setores apresentaram retração em 2014 contra 11 em 2011 (ver quadro abaixo). Mesmo para os setores que apresentaram queda nos dois anos, aquela verificada no ano passado foi mais intensa. Destaque-se a perda do viço dos ramos de Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (-16,8%); Metalurgia (-7,4%); Fabricação de produtos de metal (-9,8%); Fabricação de máquinas, aparelhos e material elétrico (-7,2%) e Fabricação de móveis (-7,4%).

Os únicos segmentos que apresentaram taxas negativas piores em 2011 do que em 2014 foram Fabricação de Produtos Têxteis (-16,0% em 2011 e -6,4% em 3014); Confecção de artigos de vestuário e acessórios (-3,7% em 2011 e -3,2% em 2014) e Preparação de Couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-1,5% em 2011 e 4,5% em 2014).

Ramos Industriais

Não fossem suficientes as dificuldades atuais, o setor industrial foi surpreendido pela decisão do governo de alterar as alíquotas de desoneração da folha de pagamento, por meio da MP nº 669, de 26 de fevereiro de 2015, de suspender o Programa Minha Casa Melhor, que vinha beneficiando fabricantes de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos e a redução de 3% para 1% da alíquota do Programa Reintegra (Decreto nº 8.415, de 27 de fevereiro de 2015).

As medidas impõem aumento de custos para as empresas, retiram competitividade e inibem o ímpeto exportador, justo em um momento em que o canal externo pode se tornar a melhor (talvez única) alternativa para a retomada do crescimento.

Por fim, é importante notar que o setor elétrico e eletrônico não tem passado incólume por esta crise. A Sondagem da ABINEE do mês de fevereiro mostrou que a produção de bens da área eletrônica encerrou o ano com queda de 2,4% e da área elétrica Apesar da retração, o bom desempenho em 2014 dos mercados de tablets e smartphones permitiu crescimento de 3,3% na produção de equipamentos de informática e periféricos e de 4,2% nos equipamentos de comunicação. O problema é que esses resultados não se repetirão em 2015.

Janeiro de 2015


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Conjuntura Econômica
(Carlos Cavalcanti, assessor econômico da Abinee)

"Sem prejuízo de atender à demanda interna é, realmente, indispensável expandir o perímetro da nossa economia. A expansão do nosso comércio exterior, mesmo em um quadro em que a economia internacional não anda muito forte, vai ser essencial. E vai requerer esforço e agilidade, porque os principais parceiros regionais enfrentam problemas e a possibilidade de ampliar os estímulos fiscais e creditícios se esgotou”. - Joaquim Levy, Ministro da Fazenda

Desde a semana do Natal, os holofotes se voltaram para a composição, declarações e apresentação das medidas de ajuste endereçadas pela nova equipe econômica. Das ações adotadas dependerá a reconquista da confiança de empresários (nacionais e estrangeiros) e consumidores e a retomada do crescimento. Em suas primeiras declarações, o Ministro da Fazenda dividiu, ainda que não de forma explícita, a estratégia do ajuste em três etapas. A primeira, de caráter emergencial, circunscreveu-se à eliminação das distorções existentes em certos benefícios trabalhistas e previdenciários, ao aumento da arrecadação no curto prazo e restrições mais fortes à execução do orçamento, limitando a 1/18 avos a dotação mensal, quando, em regra, costuma-se restringir a 1/12 avos até a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA).

No âmbito das urgências - primeira fase do ajuste- foram adotadas as seguintes medidas:

1º) Fim da redução do IPI para veículos automotores, móveis e linha branca;

2º) Correção das distorções existentes em benefícios aos trabalhadores e segurados da Previdência Social, como no caso do seguro-desemprego, abono salarial, auxílio-doença e pensão por morte (para maior conhecimento das medidas, ver anexo);

3º) Redução dos subsídios em empréstimos feitos pelo sistema público de crédito, o que obrigou a revisão do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e o aumento da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) - de 5,0% para 5,5%.

4º) Elevação da taxa de juros dos empréstimos habitacionais concedidos pela CEF. As novas taxas visam maior alinhamento com a Selic (redução do subsídio implícito), que por conta do ciclo de aperto monetário vem subindo desde 2013;

5º) Veto presidencial à correção de 6,5% da tabela do IR. O governo encaminhará Medida Provisória propondo correção de 4,5%.

Anunciou-se também novo pacote tributário, cujas principais medidas encontram-se relacionadas no Anexo. Visando ao aumento da receita – estimado em R$ 20 bilhões – para compensar os desequilíbrios fiscais existentes, o governo federal priorizou alterações no âmbito das contribuições sociais, já que estas não são divididas com Estados e municípios. A única exceção é a Cide, que tem 29% das receitas compartilhadas com as esferas subnacionais de governo. O governo sancionou também a lei que altera a tributação do setor de bebidas frias que entrará em vigência a partir de maio e representará um aumento da carga tributária do setor em 10%.

A segunda fase do programa consistirá na redução definitiva de despesas, por meio do contingenciamento e extinção de gastos orçamentários, assim que o Orçamento de 2015 for aprovado pelo Congresso Nacional. Há previsão de cortes em custeios que poderão representar uma economia de R$ 22,0 bilhões anuais. Além disso, a nova equipe econômica estuda reduzir em R$ 20 bilhões os investimentos previstos no projeto de lei do orçamento.

Por fim, a terceira etapa do programa de ajuste abrange os procedimentos formais para proibição e cancelamento de novos empréstimos e autorização para que governos estaduais e municipais aumentem o endividamento, bem como a liberação de garantias para empréstimos tomados dos bancos por esses entes. A estratégia de recuperação da credibilidade fiscal conta com a elevação do superávit primário de Estados e municípios, mesmo porque, conforme definido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), caso estes não concretizem o superávit estabelecido (0,2% do PIB) será a União responsável por elevar o seu próprio superávit (tarefa complexa face ao cenário atual para as contas públicas) a fim de compensar e assegurar a meta global de 1,2% do PIB.

O fim da chamada “contabilidade criativa” se soma a adoção de medidas que impeçam o crescimento da dívida bruta do governo para compor a terceira fase do programa. Uma das principais tarefas, segundo palavras do Ministro Levy, consistirá na redução do patamar do endividamento bruto dos atuais 63% do PIB para algo próximo a 50% do PIB. Por isso, a terceira fase do ajuste deverá contar com uma série de micro reformas cuja prioridade será a reestruturação do setor elétrico e a solução para a crise financeira das distribuidoras.

Embora necessário, os reflexos do ajuste fiscal serão marcantes para atividade econômica. Não é por menos que as projeções de crescimento para 2014 e 2015 situam-se abaixo de 2,0% (projeções nos quadros abaixo). O caráter transversal das medidas afetará diversos segmentos da indústria, promovendo elevação de custos e tendência à propagação por toda a cadeia produtiva.

Caso o programa de afrouxamento monetário na Zona do Euro, recentemente anunciado, não imponha novo ritmo de valorizações à taxa de câmbio doméstica, tornar-se-á sedutora a alternativa do comércio exterior para os produtores locais. Recomenda-se a releitura do texto em epígrafe.

Projeções Econômicas


Análise Econômica 2014

 
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