Análise de Conjuntura

Análise econômica produzida pelo diretor de economia da Abinee, com base em informações da Sondagem Conjuntural realizada mensalmente pelo Departamento de Economia junto às empresas associadas e, também, nos aspectos econômicos do país.

Janeiro de 2021 - A Indústria em 2020


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A Indústria em 2020

Com dados completos sobre o ano passado, fazemos aqui um resumo do desempenho industrial do Brasil num ano atípico, marcado pela pandemia e consequente paralisação de parte das atividades econômicas. O primeiro fato a notar é que o setor industrial tem crescido abaixo do crescimento do PIB há longo tempo, fenômeno que alguns chamam de “desindustrialização”. Nos últimos 5 anos (2016-20), o PIB caiu 3,3%, ao passo que a indústria contraiu-se 8,5%. Trata-se, portanto, de um fato estrutural e não conjuntural, que de alguma maneira reflete uma perda de competitividade e dinamismo da economia brasileira. Sabemos que, no longo prazo, o crescimento da renda per capita depende da qualidade da força de trabalho, do progresso tecnológico e da eficiência no provimento de bens públicos pelo Estado. Esses três ingredientes tem avançado pouco no país.

O Quadro 1 apresenta as taxas de crescimento da indústria, dividida por grandes segmentos, para o período 2016-20 e para o ano de 2020. Como podemos ver, as quedas foram fortes e generalizadas nos últimos 5 anos e especialmente no ano passado. Vale a pena destacar a contração na produção de bens de capital de 9,8% em 2020, resultado da queda nos investimentos, que devem ter chegado a menos de 15% do PIB. Também se destaca a queda de quase 20% na produção de bens duráveis de consumo, o que reflete não apenas a queda da massa de renda real, mas, principalmente, a retração do consumidor num momento de grande incerteza sobre o futuro próximo.

O setor eletroeletrônico teve desempenho bem menos ruim do que a indústria em geral. No acumulado de 2016-20, a retração foi de 5,3% e no ano passado de 2,1%. Essas quedas pequenas destacam-se ainda mais quando as comparamos com os bens de capital e bens duráveis de consumo (segmentos associados), que tiveram contração de 9,8% e 19,7% no ano passado, como indicado acima.

Em 2021, as projeções até o momento são otimistas. A pesquisa Focus do Banco Central registra expectativa de crescimento do PIB da ordem de 3,5%. Se isso se confirmar, é provável que a indústria como um todo cresça a uma taxa mais elevada. Entretanto, ainda estamos no início do ano e os riscos percebidos são substanciais. Em primeiro lugar, o curso da pandemia ainda é incerto, dada a lentidão do processo de vacinação, a própria escassez de vacinas e a verdadeira batalha que se estabeleceu entre os países pela sua obtenção em grandes quantidades. A projeção do governo é de que, até meados do ano, 50% da população estará vacinada e 100% até o final do ano. Ainda há ceticismo sobre essas metas.

Em segundo lugar, a provável volta do auxílio emergencial e a dificuldade de aprovação no Congresso de cortes compensatórios de despesa podem elevar a projeção do déficit primário neste ano para cima dos atuais 3% do PIB e, consequentemente, o aumento da dívida pública. Neste momento, ainda está em discussão o formato do novo auxílio e sua forma de compensação. Também se espera que entre na pauta do Congresso a emenda constitucional da reforma administrativa e emergência fiscal. É possível que as novas mesas do Senado e da Câmara tenham melhor diálogo com o governo e apressem a votação dessas reformas.

Se os dois obstáculos acima forem resolvidos razoavelmente, as atuais projeções de crescimento devem se manter ou mesmo aumentar. Afinal, é normal ter-se crescimento elevado após uma recessão grave como a do ano passado. Isto vale para o Brasil e para a economia mundial que, segundo o FMI, pode crescer bem acima de seu potencial neste ano (algo em torno de 5,4%).

Celso Luiz Martone - diretor da área de Economia da Abinee

 

Análise de Conjuntura 2018


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Cristina Keller

Analista de Economia

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