Sondagem Conjuntural do Setor Elétrico e Eletrônico - Maio/2021

Sondagem

A sondagem de conjuntura da indústria eletroeletrônica realizada no mês de maio de 2021 continuou apontando resultados favoráveis.

Para os próximos meses as perspectivas continuam otimistas. Os empresários do setor esperam que a retomada da atividade permaneça nos próximos meses, apesar da cautela com a falta de componentes e matérias-primas no mercado e com a consequente alta de preços desses itens.

As atenções também estão voltadas para o controle da pandemia e com o ritmo de vacinação no país.

Para 2021, 81% das entrevistadas projetam crescimento em comparação a 2020. Apesar da queda de cinco pontos percentuais em relação ao resultado verificado na pesquisa anterior (86%), este resultado continua muito favorável.

Ainda para este ano, 16% esperam estabilidade e apenas 3% estão prevendo queda.

A sondagem de conjuntura da indústria eletroeletrônica realizada no mês de maio de 2021 continuou apontando resultados favoráveis.

Nesta pesquisa, permaneceu em 77% o número de entrevistadas que citaram crescimento nas vendas/encomendas em comparação com o igual período do ano passado. Concomitantemente a isso, as indicações de retração mantiveram-se em 11%.

Destaca-se que os resultados obtidos em relação ao mês de maio de 2020 contaram com uma base fraca de comparação. Vale lembrar que abril e maio do ano passado foram os períodos em o setor que registrou os piores resultados do ano devido aos efeitos da pandemia de Covid-19.

Mas o comportamento das vendas/encomendas também foi favorável ao comparar com o mês imediatamente anterior, com elevação de 36% para 45% no percentual de empresas que relataram crescimento e redução de 34% para 25% nas indicações de queda.

Também foi positivo o recuo de 26% para 20% no número de entrevistadas que registraram negócios abaixo do esperado. Este foi o menor percentual deste ano. Com isso, nota-se que 80% das empresas apontaram negócios conforme (48%) ou acima (32%) das expectativas.

Destacou-se também a elevação de 22% para 23% no número de empresas que aumentaram seus quadros de funcionários, atingindo o maior percentual deste ano.

Segundo dados do Novo Caged, o nível de emprego da indústria eletroeletrônica aumentou 954 postos de trabalho no mês de abril de 2021, alcançando 260,2 mil trabalhadores. Esse resultado é o saldo do nível de emprego do setor, ou seja, a diferença entre admissões e desligamentos.

Esse foi o quarto acréscimo seguido, acumulando incremento de 12,1 mil vagas de trabalho ao comparar com dezembro do ano passado (248,1 mil).

Vale lembrar que, com exceção do mês de dezembro de 2020, o nível de emprego da indústria eletroeletrônica vem aumentando desde junho do ano passado.

No comércio internacional, diminuiu de 61% para 58% o número de empresas que citaram crescimento nas exportações. Apesar da queda de três pontos percentuais, esse resultado foi muito superior às indicações de queda que representaram 12% das entrevistadas.

Conforme os dados da SECEX/ME as exportações de produtos elétricos e eletrônicos cresceram 59% no mês de maio de 2021 em relação a maio do ano passado. No acumulado dos primeiros cinco meses desse ano, as vendas externas somaram US$ 2,2 bilhões, 20% acima do mesmo período de 2020.

No caso das importações de produtos do setor, a elevação foi de 57% no mês de maio de 2021, acumulando acréscimo de 26% em janeiro-maio de 2021 em relação ao igual período de 2020, totalizando US$ 16,1 bilhões.

Vale lembrar que os incrementos expressivos tanto nas exportações quanto nas importações verificados no mês de maio de 2021 foram influenciados pela base fraca de comparação (maio de 2020) decorrente da pandemia de Covid-19.

Ainda nessa sondagem, a utilização da capacidade instalada permaneceu estável em 77%, não apontando variações significativas nos primeiros meses deste ano.

No que se refere ao crédito, após quatro aumentos consecutivos, diminuiu de 32% para 24% o número de empresas que relataram dificuldades na obtenção de financiamentos para capital de giro.

Esse percentual chegou a atingir 67% em abril do ano passado. A dificuldade no acesso ao crédito foi um dos principais entraves encontrados pelas empresas no início da pandemia.

Ainda referente aos financiamentos para capital de giro, a maior parte das empresas, ou seja, 71% das entrevistadas não utilizam esses recursos.

Nesta sondagem, aumentou de 40% para 47% o número de entrevistadas que relataram pressões em alguns custos, tais como de energia, água, impostos, entre outros. Destaca-se que este resultado permaneceu muito acima dos 14% registrados em junho de 2020.

Esse levantamento também identificou que algumas empresas estão enfrentando gargalos logísticos, tais como os atrasos no envio de cargas nas exportações, citado por 48% das entrevistadas que exportam. Esse percentual foi 22 pontos percentuais acima do apontado na pesquisa anterior, quando 26% das empresas haviam dado essa indicação.

No caso das importações, aumentou de 43% para 62% o total de pesquisadas que relataram atrasos no recebimento de cargas.

Ainda nessa pesquisa, aumentou de 31% para 42% o total de empresas que perceberam aumento nos custos de armazenamento de cargas em galpão.

Componentes e matérias-primas

Nesta última sondagem, observou-se elevação de 16% para 20% no número de empresas que estão com estoques de componentes e matérias-primas abaixo do normal. No caso de produtos finais, esse percentual manteve-se em 18%.

Destacou-se o segundo aumento consecutivo no número de empresas que relataram dificuldades na aquisição de componentes e matérias-primas em função da falta destes itens no mercado, que estava em 66% em março, passando para 69% em abril e aumentando para 73% em maio.

Vale lembrar que esses entraves vêm sendo mencionados desde meados do ano passado.

Entre os insumos mais citados destacaram-se os componentes eletrônicos provenientes da Ásia, que foi relatado por 50% das entrevistadas. Apesar de continuar alto, esse resultado ficou oito pontos percentuais abaixo do verificado na pesquisa anterior (58%).

Os componentes eletrônicos provenientes de outras origens foram citados por 39% das pesquisadas que estão com dificuldades na aquisição de insumos.

Além dos componentes também foram identificadas outras matérias-primas que estão em falta no mercado, tais como: papelão, com 43% de indicações; materiais plásticos (43%); cobre (35%), alumínio (24%), aço carbono (20%), latão (20%), aço silício (13%), entre outros (7%).

Expectativas de Vendas

É importante destacar que continuou aumentando o número de empresas que perceberam pressões acima do normal nos custos de componentes e matérias-primas, passando de 93% para 94% das entrevistadas. Este foi o maior percentual apontado desde o início dessa pergunta na sondagem em maio de 2010.

Conforme as entrevistadas, os principais responsavéis pela elevação nos custos de componentes e matérias-primas são a escassez desses itens no mercado (75%), o incremento nos preços dos fretes marítimo e aéreo (66%) e a desvalorização cambial (65%).

Algumas empresas também mencionaram a variação da LME (London Metal Exchange).

Expectativas de Vendas

A falta de componentes eletrônicos no mercado está trazendo algumas dificuldades para as empresas do setor, tais como o atraso na produção e na entrega, citado por 44% das entrevistadas e até mesmo paralisação parcial da produção, relatada por 9% das pesquisadas.

É importante ressaltar que, desde fevereiro deste ano, quando essa questão foi inserida na sondagem, nenhuma empresa informou paralisação total da produção devido à falta de componentes eletrônicos.

Ressalta-se que a busca de fornecedores alternativos no mercado nacional e internacional, mesmo com maior custo, está sendo a principal alternativa utilizada pelas empresas para manter a produção, citada por 70% das entrevistadas;

Expectativas de Vendas

Mesmo utilizando outras medidas, as empresas comentaram sobre a dificuldade de encontrar alternativas devido ao alto grau de dependência nas importações de componentes eletrônicos.

No caso específico de semicondutores, do total de entrevistadas que utilizam esses componentes na sua produção, 55% tiveram dificuldades na aquisição destes itens no mercado.

Entre as dificuldades citadas, 22% informaram que não encontraram esses itens no mercado.

As demais empresas, apesar de terem conseguido adquirir os semicondutores tiveram diversos outros entraves, tais como:

Atendimento fora do prazo desejado, relatado por 43% das pesquisadas;

Preços muito elevados (41%);

Aquisição abaixo da quantidade pretendida (30%).

Expectativas de Vendas

Esse levantamento mostrou também que 37% das entrevistadas informaram que seus fornecedores não passaram nenhuma previsão de normalidade no abastecimento de componentes semicondutores.

Para 8% das empresas, a normalidade dessa situação deverá ocorrer ainda neste 1º semestre do ano, para 12% até o final de 2021, outros 35% acreditam que será até meados de 2022, e 8% preveem que ocorrerá apenas em meados de 2023.

Expectativas de Vendas

Expectativas

Para os próximos meses as perspectivas continuam otimistas. Os empresários do setor esperam que a retomada da atividade permaneça nos próximos meses, apesar da cautela com a falta de componentes e matérias-primas no mercado e com a consequente alta de preços desses itens.

Outro fator de preocupação para os empresários do setor é a possibilidade de uma crise hídrica que pode ameaçar o fornecimento de energia no Brasil, que além de gerar aumento de preços também poderia inibir a atividade econômica.

As atenções continuam voltadas para o controle da pandemia e com o ritmo de vacinação no país.

Também são aguardadas as urgentes aprovações das reformas tributária e administrativa que possibilitem a redução do Custo Brasil criando condições adequadas para produção e geração de empregos.

Conforme dados da CNI agregados pela Abinee, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico atingiu 56,0 pontos, no mês de maio de 2021, 2,6 pontos acima do verificado no mês imediatamente anterior (53,4).

Esse foi o primeiro crescimento deste ano, interrompendo a sequência de quatro quedas consecutivas. Dessa forma, o ICEI do setor permaneceu acima da linha divisória dos 50 pontos, demonstrando confiança do empresário industrial do setor.

Vale lembrar que o ICEI varia de 0 a 100 pontos, sendo que valores acima de 50 pontos mostram confiança do empresário industrial e abaixo de 50 pontos apontam falta de confiança.

Na sondagem de maio de 2021, do total de empresas pesquisadas, 75% esperam crescimento em junho de 2021 em comparação com junho de 2020.

Para o 2º trimestre de 2021, esse percentual sobe para 81% e para 1º semestre de 2021 aumenta para 84%, sempre comparados com iguais períodos do ano passado.

É importante lembrar que o 2º trimestre do ano passado pode ser considerado uma base fraca de comparação visto que o setor havia sido fortemente afetado pelos efeitos da pandemia naquele período.

Para 2021, 81% das entrevistadas projetam crescimento em comparação a 2020. Apesar da queda de cinco pontos percentuais em relação ao resultado verificado na pesquisa anterior (86%), este resultado continua muito favorável.

Expectativas de Vendas

Anexos

Anexos

Os resultados detalhados desta sondagem e a série histórica do levantamento estão disponíveis no site da Abinee em Economia e Estatísticas - Base de Dados Econômicos.

 
 

Informações Adicionais

Cristina Keller

Analista de Economia

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