Sondagem Conjuntural do Setor Elétrico e Eletrônico - Maio/2020

Sondagem

A sondagem de conjuntura da indústria eletroeletrônica realizada no mês de maio de 2020 mostrou que os principais indicadores do setor continuam prejudicados pelos efeitos da pandemia da Covid-19. Nota-se, porém, que estes resultados foram um pouco melhores dos que os verificados em abril.

Para o ano 2020, as perspectivas continuam desfavoráveis, com projeção de crescimento para apenas 25% das empresas, percentual muito inferior aos verificados em janeiro e fevereiro que estavam acima de 80%.

Ainda referente às expectativas para este ano, 18% esperam estabilidade e 57% têm previsão de queda.

A sondagem de conjuntura da indústria eletroeletrônica realizada no mês de maio de 2020 mostrou que os principais indicadores do setor continuam prejudicados pelos efeitos da pandemia da Covid-19. Nota-se, porém, que estes resultados foram um pouco melhores dos que os verificados em abril.

Neste levantamento, permaneceu baixo o percentual de empresas que verificaram crescimento nas vendas/encomendas comparadas ao igual mês do ano anterior, que estava em 19%, na pesquisa de abril e atingiu 20% na sondagem de maio.

Notou-se também que continuou alto o número de entrevistadas que citaram queda nas vendas/encomendas, passando de 75% para 70% nas duas últimas pesquisas.

Porém, ao comparar com o mês de abril, os resultados foram mais favoráveis, com aumento de 14% para 45% nas indicações de crescimento e recuo de 78% para 34% no número de empresas que citaram retração nas vendas/encomendas.

Também foi observada nesse último levantamento redução de 69% para 63% no total de pesquisadas que tiveram negócios abaixo do esperado. Destaca-se, porém que, apesar da queda de 6 pontos percentuais, esse número permaneceu muito elevado.

No que se refere ao nível de emprego, nota-se que a maior parte das empresas está mantendo seus funcionários (71%) ou até mesmo aumentando seu nível de emprego (4%), mesmo com a forte queda da atividade decorrente da pandemia.

Conforme a pesquisa de avaliação dos impactos da Covid-19 no setor eletroeletrônico feita na primeira semana de maio, 95% das entrevistadas estão realizando ações com o objetivo de evitar ou reduzir demissões, tais como: teletrabalho (home-office), antecipação de férias individuais, acordos de redução de jornada de trabalho e salários, uso do banco de horas, férias coletivas, suspensão de contratos de trabalho, antecipação de feriados, utilização de linha de crédito para folha de pagamentos, entre outras.

Ainda referente à questão do emprego, nessa última sondagem foi observada redução de 37% para 25% no percentual de pesquisadas que diminuíram seus quadros de funcionários.

Nesse levantamento foi observado aumento na utilização da capacidade instalada, que passou de 57% para 63% em maio. Apesar dessa elevação, esse indicador continuou em patamar muito inferior ao observado no início deste ano, quando estava em 77%.

No mercado internacional, verificou-se aumento de 50% para 60% no percentual de entrevistadas que tiveram queda em suas exportações.

Conforme dados da SECEX/MDIC, as vendas externas de produtos elétricos e eletrônicos cresceram 10% no mês de maio de 2020 em relação ao mês imediatamente anterior, porém ficaram 31% abaixo das realizadas em maio do ano passado.

No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, a retração das exportações de bens do setor foi de 21% em relação ao mesmo período de 2019.

A queda da atividade também pôde ser verificada com a redução de 10% nas importações de bens do setor apontada no acumulado de janeiro a maio de 2020, na comparação com igual período do ano anterior.

Observou-se, na sondagem, aumento de 39% para 45% nas indicações de estoques de produtos acabados acima do normal. No caso de matérias-primas e componentes também foi alto o percentual de empresas que indicaram estoques acima do normal, atingindo 32%.

Ainda nessa sondagem, entre as empresas que utilizam financiamentos para capital de giro, destacou-se a redução, de 67% para 50%, no número de entrevistadas que relataram dificuldades na sua obtenção.

Apesar da queda, esse percentual ainda é muito elevado. Espera-se que as novas medidas do Governo, que oferecem garantia emergencial para reduzir risco de pequenas e médias empresas na concessão de crédito, contribuam para o destravamento dessas operações.

Notou-se também, nas duas últimas pesquisas, a elevação no percentual de empresas que recorreram a financiamentos de capital de giro, atingindo 42% nos meses de abril e maio. Vale lembrar que em janeiro deste ano apenas 29% das entrevistadas haviam utilizado estes instrumentos.

Ainda neste levantamento, foi observada redução de 29% para 26% no total de empresas que sentiram dificuldades para adquirir componentes e matérias-primas.

Porém continuou aumentando o número de empresas que perceberam pressões acima do normal nos preços de componentes e matérias-primas, que passaram de 61% para 69%. Vale ressaltar que esse percentual está em ascensão desde o início do ano, uma vez que no mês de dezembro de 2019 havia registrado 21%.

Entre os principais fatores que estão gerando a elevação nos preços de componentes e matérias-primas, a desvalorização cambial foi citada por 71% das entrevistadas.

Vale lembrar que, em dezembro do ano passado, o dólar estava sendo cotado a R$ 4,11 (média mensal), passando para R$ 5,33 em abril de 2020 e aumentando para R$ 5,64 em maio.

Ainda referente a essa questão, além da desvalorização cambial, também foram citados outros motivos para o acréscimo nos preços de componentes e matérias-primas, tais como:

- elevação no preço de fornecedor estrangeiro (adquirido por importação), indicado por 49% das entrevistadas; e

- aumento do preço dos componentes ou matérias-primas de fornecedor no mercado interno, citado por 47% das empresas.

Expectativa de Vendas

As entrevistadas relataram, também, que o aumento no preço dos fretes marítimo e aéreo está elevando os custos de aquisição de componentes ou matérias-primas.

No caso de outros custos, tais como de energia, água, impostos, entre outros, o comportamento foi diferente, com redução de 37% para 23% no número de empresas que citou pressões nestes custos.

Expectativas

Para o mês de junho em relação a maio, 49% das entrevistadas projetam crescimento; 34% estabilidade e 17%, queda.

Verificou-se nessa sondagem que 54% das empresas projetam retração para o 2º trimestre de 2020 em relação ao 1º trimestre deste ano. Vale lembrar que o Covid-19 chegou ao Brasil em meados de março causando maior impacto nos meses de abril e maio.

Ainda referente ao 2º trimestre deste ano, 21% das empresas esperam estabilidade e 25% têm expectativa de crescimento em comparação com trimestre imediatamente anterior.

Para o 1º semestre de 2020, 57% das pesquisadas projetam queda em relação ao 1º semestre do ano anterior, 14% esperam estabilidade e 29% têm previsão de crescimento.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico, conforme dados da CNI agregados pela Abinee, permaneceu, no mês de maio, no menor patamar da série histórica iniciada em janeiro de 2010.

Neste último mês, o ICEI do setor atingiu 33,6 pontos, 1 ponto acima do verificado em abril (32,6 pontos). Destaca-se que esse leve incremento ocorreu após duas fortes reduções consecutivas, que juntas somaram 29,7 pontos.

Expectativa de Vendas

Os impactos negativos decorrentes da pandemia da Covid-19, vêm fazendo com que as estimativas para esse ano sejam revistas constantemente.

Para o ano 2020, as perspectivas continuam desfavoráveis, com projeção de crescimento para apenas 25% das empresas, percentual muito inferior aos verificados em janeiro e fevereiro que estavam acima de 80%.

Ainda referente às expectativas para este ano, 18% esperam estabilidade e 57% têm previsão de queda.

Vale lembrar que, no início de 2020, a previsão do Boletim Focus era de crescimento de 2,3% para o PIB do Brasil deste ano, e no último boletim divulgado no dia 12 de junho, a projeção passou para retração de 6,5%.

Permanecem as incertezas quanto à evolução da pandemia que vem causando muita preocupação para as empresas do setor eletroeletrônico.

Expectativa de Vendas

Os resultados detalhados desta sondagem e a série histórica do levantamento estão disponíveis no site da Abinee em Economia e Estatísticas - Base de Dados Econômicos.

 
 

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