Sondagem Conjuntural do Setor Elétrico e Eletrônico - Agosto/2020

Sondagem

A sondagem de conjuntura da indústria eletroeletrônica, realizada no mês de agosto de 2020, continuou apontando melhora nos principais indicadores do setor. Esse comportamento já vem sendo identificado nos últimos três meses.

Esses resultados sugerem que o pior cenário já passou, com os maiores impactos da pandemia de Covid-19 observados no mês de abril deste ano.

Os indicadores mais favoráveis apontados nesta sondagem também foram observados nos dados de produção do IBGE, no índice de confiança da CNI, nas importações da SECEX/MDIC, no nível de emprego do Novo Caged, entre outros.

Para o ano de 2020, apesar da situação continuar sendo de cautela, as perspectivas estão mais otimistas do que as apontadas nos últimos cinco meses.

A sondagem de conjuntura da indústria eletroeletrônica, realizada no mês de agosto de 2020, continuou apontando melhora nos principais indicadores do setor. Esse comportamento já vem sendo identificado nos últimos três meses.

Esses resultados sugerem que o pior cenário já passou, com os maiores impactos da pandemia de Covid-19 observados no mês de abril deste ano.

Os indicadores mais favoráveis apontados nesta sondagem também foram observados nos dados de produção do IBGE, no índice de confiança da CNI, nas importações da SECEX/MDIC, no nível de emprego do Novo Caged, entre outros.

No último levantamento, aumentou de 52% para 56% o número de empresas que citaram elevação nas vendas/encomendas em relação ao igual mês do ano passado. Destaca-se que este resultado foi 37 pontos percentuais acima do verificado em abril deste ano (19%).

Ressalta-se que, naquele momento, o número de empresas que citaram queda nas vendas/encomendas havia atingindo 75% das entrevistadas, enquanto que nesta última sondagem recuou para 34%.

Porém ao comparar com o mês imediatamente anterior, notou-se redução no número de empresas que relataram aumento nas vendas/encomendas, passando de 73% para 49%. Apesar da retração, esse resultado permaneceu acima do verificado em abril (14%).

Continuou baixo o percentual de empresas que observaram negócios aquém do esperado (24%). Mesmo estando 3 pontos percentuais acima do apontando na sondagem anterior (21%), esse resultado permaneceu nos menores patamares deste ano. Vale lembrar que esse indicador chegou a atingir 69% no mês de abril.

Também foi favorável a elevação de 12% para 21% no total de empresas que aumentaram o número de empregados. Esse percentual estava em apenas 4% entre abril e maio.

Ainda no que se refere ao número de empregados, caiu de 8% para 4% o total de entrevistadas que diminuiu seu quadro de funcionários, resultado bem inferior aos 37% observados em abril.

Conforme dados do Novo Caged, o número de empregados da indústria eletroeletrônica aumentou em 4.531 vagas no mês de julho, atingindo 232,6 mil trabalhadores. Esse resultado é o saldo do nível de emprego do setor, ou seja, a diferença entre admissões e desligamentos. Esse foi o segundo incremento consecutivo após três quedas seguidas.

As elevações observadas nos dois últimos meses compensaram parte das quedas verificadas entre os meses de março e maio. Porém, é necessário que emprego continue crescendo nos próximos meses, uma vez que o total de trabalhadores do setor eletroeletrônico em julho de 2020 ainda foi inferior ao verificado em julho de 2019 (237,2 mil) e ao do final do ano passado (234,5 mil).

No caso dos estoques, já vêm sendo notados ajustes desde a sondagem anterior, com redução no número de pesquisadas com estoques acima do normal, tanto no caso de componentes e matérias-primas (13%), como nos produtos acabados (18%).

A utilização da capacidade instalada atingiu 73% neste último levantamento. Destaca-se que mesmo recuando 1 ponto percentual em relação à sondagem de julho (74%), esse indicador vem apresentando incremento nos últimos meses, lembrando que estava em 57% no mês de abril.

No mercado internacional, não foi observada reação nas exportações, com número de empresas citando crescimento (33%) menor do que as indicações de queda (40%).

A retração nas exportações também foi observada nos dados da SECEX/MDIC. No mês de agosto de 2020, as exportações de produtos elétricos e eletrônicos somaram US$ 361,5 milhões, 12,6% abaixo do registrado no mês imediatamente anterior (US$ 413,5 milhões).

Já nas importações foi observado aumento de 3,6% em relação a julho. Esse foi o segundo crescimento consecutivo. Porém, mesmo com esses resultados, desde o mês de abril, as importações permanecem abaixo das registradas nos mesmos períodos do ano passado.

Ainda nessa sondagem, entre as empresas que utilizam financiamentos para capital de giro, diminuiu de 41% para 21% o número de entrevistadas que relataram dificuldades na sua obtenção.

Esse foi o menor percentual apontado neste ano, que chegou a atingir 67% em abril. A dificuldade no acesso ao crédito foi um dos principais entraves encontrados pelas empresas desde o início da pandemia.

Ainda referente aos financiamentos para capital de giro, 66% das entrevistadas não utilizam esses recursos.

Ainda neste levantamento, elevou-se, pela segunda vez seguida, o número de empresas que sentiram dificuldades para adquirir componentes e matérias-primas, que estava em 21% em junho, passou para 29% em julho e aumentou para 39% em agosto.

Também foi observada ampliação de 72% para 80% no número de empresas que perceberam pressões acima do normal nos custos de componentes e matérias-primas. Este foi o maior percentual deste ano, resultado muito acima do verificado em janeiro que estava em 30%.

Entre os principais fatores que estão gerando a elevação nos custos de componentes e matérias-primas, a desvalorização cambial foi citada por 75% das entrevistadas.

Destacaram-se as fortes oscilações na taxa de câmbio que vem ocorrendo desde o início do ano. Vale lembrar que em janeiro o dólar estava sendo cotado a R$ 4,15 (média mensal) e subiu para R$ 5,46 em agosto.

Ainda referente a essa questão, além da desvalorização cambial, também foram citados outros motivos para o acréscimo nos preços de componentes e matérias-primas, tais como:

- aumento do preço dos componentes ou matérias-primas de fornecedor no mercado interno, citado por 63% das empresas;

- elevação no preço de fornecedor estrangeiro (adquirido por importação), indicado por 61% das entrevistadas;

- incremento nos preços dos fretes marítimo e aéreo observado por 44% das pesquisadas.

Fatores do aumento de custos da matérias-primas

No caso de outros custos, tais como de energia, água, impostos, entre outros, o comportamento foi diferente, com apenas 19% das entrevistadas relatando pressões nestes custos.

Expectativas

Para os próximos meses, a situação permanece de cautela, porém as perspectivas estão mais otimistas do que as apontadas nos últimos cinco meses.

No mês de agosto de 2020, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico, conforme dados da CNI agregados pela Abinee, cresceu pelo terceiro mês consecutivo, atingindo 58,2 pontos, 10,9 pontos acima do verificado em julho deste ano (47,3).

Com isso, o ICEI do setor ultrapassou a linha divisória dos 50 pontos pela primeira vez desde a chegada do Coronavírus no Brasil, em meados de março de 2020. Esse resultado indica retomada da confiança do empresário do setor.

Vale lembrar que o ICEI varia de 0 a 100 pontos, sendo que valores acima de 50 pontos mostram confiança do empresário industrial e abaixo de 50 pontos apontam falta de confiança.

Nesta última sondagem realizada pela Abinee, 43% das entrevistadas projetam crescimento para as vendas/encomendas para o mês de setembro em relação a agosto; 41% estabilidade e 16%, queda.

Para o 3º trimestre de 2020, 69% das entrevistadas estão prevendo incremento em relação ao 2º trimestre do ano, 25% estabilidade e 6% queda.

Vale lembrar que o Coronavírus chegou ao Brasil em meados de março causando maior impacto no 2º trimestre deste ano, principalmente nos meses de abril e maio.

Para o 2º semestre de 2020, 61% das pesquisadas projetam crescimento em relação ao 1º semestre deste ano, 29% esperam estabilidade e 10% têm previsão de queda ao comparar com o 1º semestre de 2020.

Expectativa de Vendas

Destaca-se que as avaliações quanto aos efeitos negativos decorrentes da pandemia de Covid-19 estão sendo revisadas constantemente.

É importante lembrar, que segundo o Boletim Focus do Banco Central, na primeira semana de janeiro, a projeção do PIB do País para 2020 era de crescimento de 2,30%. Em março, essa taxa tornou-se negativa, chegando a atingir -6,54% no mês de junho. A partir da segunda da semana de julho, com a melhora de alguns indicadores da economia, começaram a ser observadas pequenas reduções na taxa negativa projetada para o PIB. Na última divulgação do Banco Central, na semana do dia 18 de setembro, a projeção estava em -5,05%.

Conforme dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE – a recessão mundial será menos profunda que a prevista inicialmente em 2020 e a economia global parece estar se recuperando dos impactos danosos provocados pelo coronavírus mais rápido do que se imaginava há alguns meses.

Dessa forma, a OCDE passou a projetar uma queda de 6,5% para o Brasil em 2020, ante estimativa anterior de retração de 7,4%. Apesar de ser mais pessimista que o Boletim Focus, a queda está mais amena do que a projeção anterior.

Projeções para o PIB do Brasil

No caso da indústria eletroeletrônica, as projeções também vêm melhorando nos últimos meses, com 41% das entrevistadas com expectativas de crescimento para 2020 em relação ao ano passado.

Esse foi o quarto aumento consecutivo, visto que em abril apenas 23% das entrevistadas projetavam crescimento para esse ano.

Ainda referente às previsões para 2020, 35% das empresas esperam queda para este ano, mesmo percentual da sondagem anterior. Destaca-se que em abril este número havia atingido 62%.

As demais entrevistadas (24%) projetam estabilidade.

As empresas do setor eletroeletrônico esperam que a retomada da atividade continue nos próximos meses, mantendo a cautela. Conforme as pesquisadas, será necessário continuar acompanhando a evolução da pandemia e as próximas ações que serão realizadas pelo governo para amenizar esses impactos na economia.

Anexos

Os resultados detalhados desta sondagem e a série histórica do levantamento estão disponíveis no site da Abinee em Economia e Estatísticas - Base de Dados Econômicos.

 
 

Informações Adicionais

Luiz Cezar Elias Rochel

Gerente de Economia

11 2175-0030

Informações Imprensa

Jean Carlo Martins

Assessor de Comunicação

11 2175-0099

 
 
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