Sondagem Conjuntural do Setor Elétrico e Eletrônico - Fev/2020

Sondagem

No mês de fevereiro de 2020, a sondagem de conjuntura da indústria eletroeletrônica apontou comportamentos diferentes entre os principais indicadores do setor.

As expectativas continuaram otimistas para 2020, com 83% das empresas prevendo crescimento. Essas projeções deverão ser revisadas pelas empresas, uma vez que essa sondagem foi realizada antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar pandemia do novo coronavírus no último dia 11 de março.

No mês de fevereiro de 2020, a sondagem de conjuntura da indústria eletroeletrônica apontou comportamentos diferentes entre os principais indicadores do setor.

Nesta última pesquisa, recuou de 58% para 51% o percentual de empresas que verificaram crescimento nas vendas/encomendas comparadas ao igual mês do ano passado. Também foi observada elevação de 24% para 28% nas indicações de queda.

Ao comparar com o mês imediatamente anterior, o número de entrevistadas que verificaram elevação nas vendas/encomendas diminuiu de 46% para 35%.

Por outro lado, aumentou de 13% para 21% o número de empresas que relataram negócios acima de suas expectativas. Do total de entrevistadas, 43% observaram negócios conforme o esperado.

No mercado internacional, verificou-se retração de 34% para 26% no percentual de entrevistadas que expandiram suas exportações.

Conforme dados da SECEX/MDIC, as vendas externas de produtos elétricos e eletrônicos recuaram 8,4% no acumulado de janeiro-fevereiro de 2020 em relação ao igual período de 2019.

No caso das importações, a queda foi de 1,7% no período citado.

A utilização da capacidade instalada permaneceu em 77% em fevereiro de 2020, mesmo percentual verificado em janeiro.

Nesse levantamento notou-se situação de normalidade nos estoques de componentes e matérias-primas com 74% das entrevistadas com essa indicação.

No caso de produtos acabados destacou-se o ajuste de estoques com redução de 28% para 13% nas indicações de estoques acima do normal.

No que se refere ao nível de emprego, foram favoráveis as duas elevações consecutivas no número de pesquisadas que citaram incremento no quadro de funcionários. Essas indicações que estavam em 10% no mês de dezembro de 2019, passou para 19% em janeiro de 2020 e aumentou para 22% em fevereiro de 2020.

Notou-se também recuo de 14% para 8% nas indicações de empresas que reduziram o número de empregados.

A pesquisa mostrou ainda que 64% das empresas não utilizam financiamentos para capital de giro. Das demais, 73% das entrevistadas não tiveram dificuldades na obtenção desses recursos.

Ainda neste levantamento, destacou-se a ampliação de 14 pontos percentuais (passando de 20% para 34%) no total de empresas que citaram dificuldades para adquirir componentes e matérias-primas

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Vale ressaltar que a Abinee realizou, desde o início do mês de fevereiro, três pesquisas específicas sobre os impactos do coronavírus. Nesse último levantamento, divulgado no dia 06 de março, foi identificado que 70% das entrevistadas estão apresentando problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos da China. Essa situação foi observada principalmente entre as fabricantes de produtos de Tecnologia da Informação (celulares, computadores, entre outros).

Retomando a análise referente aos resultados da sondagem de conjuntura do setor eletroeletrônico de fevereiro, notou-se ampliação pelo segundo mês consecutivo no total de empresas que perceberam pressões nos preços de componentes e matérias-primas, passando de 21% em dezembro de 2019, para 30% em janeiro de 2020 e elevando-se para 42% em fevereiro de 2020.

Além dos problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos da China, as empresas também estão sendo afetadas pelas fortes oscilações na taxa de câmbio. No mês de janeiro, o dólar estava cotado a R$ 4,15 (média do mês) e passou para R$ 4,34 em fevereiro (média do mês). É importante ressaltar que no dia 18 de março a cotação do dólar encerrou o dia a R$ 5,199.

Aumentou também, nos últimos dois meses, o número de entrevistadas que sentiram pressões em outros custos, tais como de energia, água, impostos, entre outros, que passou de 24% em dezembro de 2019 para 35% em fevereiro de 2020.

Expectativas

As expectativas continuaram otimistas para 2020, com 83% das empresas projetando crescimento, 11% estabilidade e 6%, queda.

Essa sondagem foi realizada antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar pandemia do novo coronavírus no último dia 11 de março.

Alguns entraves deverão fazer com as empresas revisem suas estimativas para esse ano, tais como paralisações na produção de algumas empresas devido às dificuldades no abastecimento de componentes provenientes da China e do mercado asiático, as fortes oscilações na taxa de câmbio, as incertezas quanto à aprovação das reformas, e principalmente a pandemia de coronavírus que está ocorrendo no mundo.

Vale lembrar que, no início de 2020, a previsão do Boletim Focus era de crescimento de 2,3% para o PIB do Brasil deste ano, e no último boletim divulgado no dia 13 de março a projeção já foi reduzida para incremento de 1,68%.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico, conforme dados da CNI agregados pela Abinee, recuou 5,5 pontos em março. Essa foi a maior queda observada na série histórica mensal do ICEI do setor, iniciada em janeiro de 2010.

Expectativa de Vendas

Anexos

Os resultados detalhados desta sondagem e a série histórica do levantamento estão disponíveis no site da Abinee em Economia e Estatísticas - Base de Dados Econômicos.

 
 

Informações Adicionais

Luiz Cezar Elias Rochel

Gerente de Economia

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Informações Imprensa

Jean Carlo Martins

Assessor de Comunicação

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