Sondagem Conjuntural do Setor Elétrico e Eletrônico - Setembro/2020

Sondagem

No mês de setembro de 2020, a sondagem de conjuntura da indústria eletroeletrônica continuou apresentando melhora nos principais indicadores do setor. Esse comportamento já vem sendo identificado desde junho deste ano.

Os indicadores mais favoráveis apontados nesta sondagem também foram observados nos dados de produção do IBGE, no índice de confiança da CNI, nas exportações e nas importações da SECEX/MDIC, no nível de emprego do Novo Caged, entre outros.

As perspectivas para o ano de 2020 estão mais favoráveis do que as apontadas nos últimos seis meses, porém os empresários continuam cautelosos.

As expectativas para 2021 estão otimistas, com 70% das entrevistadas projetando crescimento em relação a 2020, 29% estão prevendo estabilidade e apenas 1% espera queda.

No mês de setembro de 2020, a sondagem de conjuntura da indústria eletroeletrônica continuou apresentando melhora nos principais indicadores do setor. Esse comportamento já vem sendo identificado desde junho deste ano.

Os indicadores mais favoráveis apontados nesta sondagem também foram observados nos dados de produção do IBGE, no índice de confiança da CNI, nas exportações e nas importações da SECEX/MDIC, no nível de emprego do Novo Caged, entre outros.

Nesse último levantamento, aumentou de 56% para 67% o número de empresas que citaram elevação nas vendas/encomendas em relação ao igual mês do ano passado. Destaca-se que este resultado foi 48 pontos percentuais acima do verificado em abril deste ano (19%).

Notou-se também a redução de 34% para 19% nas indicações de queda nas vendas/encomendas. Vale lembrar que em abril esse percentual havia atingindo 75% das entrevistadas.

Ao comparar com o mês imediatamente anterior, também foi observada elevação no número de empresas que relataram aumento nas vendas/encomendas, passando de 49% para 57%, concomitantemente à diminuição de 24% para 18% nas indicações de retração.

Também foi favorável a redução de 24% para 18% no percentual de empresas que observaram negócios abaixo do esperado, apontando o menor patamar deste ano.

Destacou-se a elevação de 21% para 25% no total de empresas que aumentaram o número de empregados. Vale lembrar que esse percentual estava em apenas 4% entre abril e maio.

Ainda no que se refere ao número de empregados, caiu de 4% para 3% o total de entrevistadas que diminuiu seu quadro de funcionários, resultado bem inferior aos 37% observados em abril.

Conforme dados do Novo Caged, a indústria eletroeletrônica abriu 6.387 vagas no mês de agosto, atingindo 239,1 mil trabalhadores. Esse resultado é o saldo do nível de emprego do setor, ou seja, a diferença entre admissões e desligamentos. Esse foi o terceiro incremento consecutivo após três quedas seguidas.

Com esses resultados, o nível de emprego do setor se aproximou aos patamares registrados em março de 2020 (239,3 mil), no inicio da pandemia de Covid-19. Nota-se também que o total de trabalhadores do setor eletroeletrônico em agosto de 2020 superou o verificado em agosto de 2019 (237,5 mil) e ao do final do ano passado (234,5 mil). Porém, é necessário que o emprego continue crescendo nos próximos meses para que se consolide a retomada da atividade.

A utilização da capacidade instalada aumentou 4 pontos percentuais, atingindo 77% neste último levantamento, alcançando o patamar observado em janeiro e fevereiro deste ano.

No mercado internacional, destacou-se a elevação de 33% para 43% no número de empresas que citaram crescimento nas exportações, ao mesmo tempo em que diminuíram de 40% para 22% as indicações de queda.

O aumento nas vendas externas também foi observado nos dados da SECEX/MDIC, que passaram de US$ 362 milhões em agosto de 2020 para US$ 410 milhões em setembro de 2020 (+13%). Porém no acumulado dos primeiros nove meses do ano as exportações ficaram 23% abaixo das registradas em igual período de 2019.

No caso das importações também foi verificado aumento no mês de setembro em relação a agosto (+15%). Esse foi o terceiro crescimento consecutivo. Porém, mesmo com esses resultados, no acumulado de janeiro a setembro de 2020, as importações permanecem abaixo das registradas no mesmo período do ano passado (-11%).

Ainda nessa sondagem, entre as empresas que utilizam financiamentos para capital de giro, diminuiu de 21% para 11% o número de entrevistadas que relataram dificuldades na sua obtenção.

Esse foi o menor percentual apontado neste ano, que chegou a atingir 67% em abril. A dificuldade no acesso ao crédito foi um dos principais entraves encontrados pelas empresas desde o início da pandemia.

Ainda referente aos financiamentos para capital de giro, 73% das entrevistadas não utilizam esses recursos.

Dificuldades na aquisição de componentes e insumos

No que se refere aos estoques, destacou-se a elevação no número de pesquisadas com estoques abaixo do normal, tanto no caso de componentes e matérias-primas (que passou de 14% para 29%), como nos produtos acabados (que aumentou de 23% para 35%).

Ainda neste levantamento, ampliou-se, pela terceira vez seguida, o número de empresas que sentiram dificuldades para adquirir componentes e matérias-primas, que estava em 21% em junho, passou para 29% em julho, aumentou para 39% em agosto e subiu para 59% em setembro.

Entre os principais itens citados pelas empresas do setor estão: materiais plásticos (56%), cobre (56%), papelão (44%), componentes eletrônicos provenientes da Ásia (35%), latão (30%), aço carbono (26%), alumínio (23%), componentes eletrônicos provenientes de outras origens (16%), aço silício (12%), outros (9%), tais como: caixas metálicas.

Dificuldades de aquisição matérias-prima

Conforme essas empresas, os produtores de insumos pararam suas atividades durante o pior momento da pandemia, paralisando fornos e queimando estoques. Neste momento em que a atividade econômica está sendo retomada, os fabricantes de insumos estão com dificuldades para atender a demanda, o que gera aumento de preços, ou até mesmo desabastecimento.

As entrevistadas também comentaram, que no caso de componentes eletrônicos, principalmente os destinados aos notebooks, o aumento de demanda global destes produtos também foi responsável pela falta de alguns componentes, telas e partes e peças no mercado mundial.

Ainda nessa sondagem também vem sendo observada ampliação no número de empresas que perceberam pressões acima do normal nos custos de componentes e matérias-primas, que passou de 72% em julho de 2020, para 80% em agosto e aumentando para 85% em setembro. Este foi o maior percentual deste ano, resultado muito acima do verificado em janeiro que estava em 30%.

Entre os principais fatores que estão gerando a elevação nos custos de componentes e matérias-primas, a desvalorização cambial foi citada por 70% das entrevistadas.

Destacaram-se as fortes oscilações na taxa de câmbio que vem ocorrendo desde o início do ano. Vale lembrar que, em janeiro, o dólar estava sendo cotado a R$ 4,15 (média mensal) e subiu para R$ 5,40 em setembro.

Ainda referente a essa questão, além da desvalorização cambial, também foram citados outros motivos para o acréscimo nos preços de componentes e matérias-primas, tais como:

- aumento do preço dos componentes ou matérias-primas de fornecedor no mercado interno, citado por 67% das empresas;

- elevação no preço de fornecedor estrangeiro (adquirido por importação), indicado por 62% das entrevistadas;

- incremento nos preços dos fretes marítimo e aéreo observado por 35% das pesquisadas.

Fatores aumento de matérias-prima

No caso de outros custos, tais como de energia, água, impostos, entre outros, o comportamento foi diferente, com apenas 24% das entrevistadas relatando pressões nestes custos.

Expectativas

As perspectivas para os próximos meses estão mais favoráveis do que as apontadas nos últimos seis meses, porém os empresários continuam cautelosos.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico, conforme dados da CNI agregados pela Abinee, atingiu 63,1 pontos no mês de setembro de 2020, 4,9 pontos acima do verificado em agosto deste ano (58,2). Destaca-se que esse foi o quarto aumento consecutivo desse indicador.

Nota-se também que o ICEI permaneceu acima da linha divisória dos 50 pontos pelo segundo mês seguido. Vale lembrar que o ICEI varia de 0 a 100 pontos, sendo que valores acima de 50 pontos mostram confiança do empresário industrial e abaixo de 50 pontos apontam falta de confiança.

Com esses aumentos, o ICEI do setor ultrapassou, pela primeira vez, o índice verificado em fevereiro de 2020 (62,3 pontos), período anterior aos impactos da pandemia de Covid-19 na atividade econômica. Nota-se que o Índice de Confiança em setembro de 2020 superou também o apontado em setembro do ano passado (56,7 pontos).

Nesta última sondagem realizada pela Abinee, 48% das entrevistadas projetam crescimento para as vendas/encomendas no mês de outubro em relação a setembro; 39% estabilidade e 13%, queda.

Para o 4º trimestre de 2020, 53% das entrevistadas estão prevendo incremento em relação ao 3º trimestre do ano, 34% estabilidade e 13% queda.

Para o 2º semestre de 2020, 77% das pesquisadas projetam crescimento em relação ao 1º semestre deste ano, 16% esperam estabilidade e apenas 7% têm previsão de queda ao comparar com o 1º semestre de 2020.

Expectativa de Vendas

Destaca-se que as avaliações quanto aos efeitos negativos decorrentes da pandemia de Covid-19 estão sendo revisadas constantemente.

É importante lembrar que, segundo o Boletim Focus do Banco Central, na primeira semana de janeiro, a projeção do PIB do País para 2020 era de crescimento de 2,30%. Em março, essa taxa tornou-se negativa, chegando a atingir -6,54% no mês de junho. A partir da segunda da semana de julho, com a melhora de alguns indicadores da economia, começaram a ser observadas pequenas reduções na taxa negativa projetada para o PIB. Na última divulgação do Banco Central, na semana do dia 16 de outubro, a projeção estava em -5,00%.

Projeção para o PIB Brasil

No início deste mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou substancialmente sua projeção para a economia brasileira para 2020, alterando sua previsão de queda de 9,1%, publicada em meados desse ano, para retração de 5,8%.

No caso da indústria eletroeletrônica, as projeções também vêm melhorando nos últimos meses, com 54% das entrevistadas com expectativas de crescimento para 2020 em relação ao ano passado.

Esse foi o quinto aumento consecutivo, visto que em abril apenas 23% das entrevistadas projetavam crescimento para esse ano.

Ainda referente às previsões para 2020, 22% das empresas esperam queda para este ano, 13 pontos percentuais abaixo das indicações verificadas na sondagem anterior (35%).

As demais entrevistadas (24%) projetam estabilidade, resultado igual ao da pesquisa anterior.

As expectativas para 2021 estão otimistas, com 70% das entrevistadas projetando crescimento em comparação a 2020, 29% estão prevendo estabilidade e apenas 1% espera queda.

As empresas do setor eletroeletrônico esperam que a retomada da atividade continue nos próximos meses. Porém, conforme as pesquisadas, será necessário continuar acompanhando a evolução da pandemia no Brasil e no mundo.

As entrevistadas também estão atentas as próximas ações que serão realizadas pelo governo para amenizar esses impactos na economia.

Expectativas de Vendas

Anexos

Os resultados detalhados desta sondagem e a série histórica do levantamento estão disponíveis no site da Abinee em Economia e Estatísticas - Base de Dados Econômicos.

 

Informações Adicionais

Cristina Keller

Analista de Economia

11 2175-0031

Informações Imprensa

Jean Carlo Martins

Assessor de Comunicação

11 2175-0099

 
 
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