Sondagem Conjuntural do Setor Elétrico e Eletrônico - Junho/2021

Sondagem

No mês de junho de 2021, os principais indicadores da indústria eletroeletrônica apontaram estabilidade em relação aos resultados verificados na sondagem de conjuntura anterior.

As perspectivas para os próximos meses permanecem favoráveis apesar da cautela dos empresários do setor devido à falta de componentes e matérias-primas no mercado e com a sua consequente alta de preços.

As atenções também estão voltadas para o controle da pandemia e para o ritmo de vacinação no país.

Para 2021, 83% das entrevistadas projetam crescimento em comparação a 2020, dois pontos percentuais acima do resultado verificado na pesquisa anterior (81%).

Ainda para este ano, 14% esperam estabilidade e apenas 3% estão prevendo queda. Neste último caso, destaca-se que este percentual permanece igual ou abaixo desses 3% desde o início dessa pergunta na sondagem em setembro do ano passado.

No mês de junho de 2021, os principais indicadores da indústria eletroeletrônica apontaram estabilidade em relação aos resultados verificados na sondagem de conjuntura anterior.

Nesta pesquisa, permaneceu, pela terceira vez seguida, em 77% o número de entrevistadas que citaram crescimento nas vendas/encomendas em comparação com o igual período do ano passado. Porém, as indicações de retração aumentatam de 11% para 14%.

Ao comparar com o mês imediatamente anterior, observou-se redução de 45% para 43% nas indicações de crescimento e aumento de um ponto percentual nas indicações de queda, que passaram de 25% para 26%.

Apesar da elevação de 20% para 34% no número de entrevistadas que registraram negócios abaixo do esperado, a maior parte das empresas, ou seja, 66% do total apontaram negócios conforme (36%) ou acima (30%) das expectativas.

No que se refere ao nível de emprego, 77% das entrevistadas indicaram estabilidade, percentual acima dos 69% verificados na pesquisa anterior. Porém, foi observada queda de 23% para 16% no total de empresas que aumentaram seus quadros de funcionários.

Conforme os dados do Novo Caged, no mês de maio de 2021, o nível de emprego da indústria eletroeletrônica aumentou 814 postos de trabalho em relação ao mês imediatamente anterior, alcançando 261,1 mil trabalhadores. Esse resultado é o saldo do nível de emprego do setor, ou seja, a diferença entre admissões e desligamentos.

Esse foi o quinto acréscimo seguido, acumulando incremento de 13 mil vagas de trabalho ao comparar com dezembro do ano passado (248,1 mil).

Vale lembrar que, com exceção do mês de dezembro de 2020, o nível de emprego da indústria eletroeletrônica vem aumentando desde junho do ano passado.

No comércio internacional, diminuiu de 58% para 56% o número de empresas que citaram crescimento nas exportações. Apesar da queda de dois pontos percentuais, esse resultado foi muito superior às indicações de queda que representaram 17% das entrevistadas.

Segundo os dados da SECEX/ME, as exportações de produtos elétricos e eletrônicos cresceram 49% no mês de junho de 2021 em relação a junho do ano passado. No acumulado do primeiro semestre deste ano, as vendas externas somaram US$ 2,6 bilhões, 25% acima do mesmo período de 2020.

Nas importações de produtos do setor, a elevação foi de 51% no mês de junho de 2021. No acumu-lado dos seis primeiros meses do ano, o incremento atingiu 29%, totalizando US$ 19,2 bilhões.

Vale lembrar que os crescimentos expressivos tanto nas exportações quanto nas importações verificados no mês de junho de 2021 foram influenciados pela base fraca de comparação (junho de 2020) decorrente da pandemia de Covid-19.

Ainda nesse levantamento, a utilização da capacidade instalada permaneceu estável em 77%, não apontando variações significativas nos primeiros meses deste ano.

No que se refere ao crédito, destacou-se a segunda redução consecutiva no número de empresas que relataram dificuldades na obtenção de financiamentos para capital de giro, que estava em 32% em abril de 2021, recuando para 24% em maio e atingindo 20% em junho. Ressalta-se que esse percentual chegou a atingir 67% em abril do ano passado. A dificuldade no acesso ao crédito foi um dos principais entraves encontrados pelas empresas no início da pandemia.

Ainda referente aos financiamentos para capital de giro, a maior parte das empresas, ou seja, 78% das entrevistadas não utilizam esses recursos.

Destacou-se, nesta sondagem, o aumento de 14 pontos percentuais no número de entrevistadas que relataram pressões em alguns custos, tais como de energia, água, impostos, entre outros. Essa foi a segunda elevação seguida, passando de 40% das entrevistadas em abril, para 47% em maio e 61% em junho de 2021. Nota-se que este resultado permaneceu muito acima dos 14% registrados em junho de 2020.

Gargalos logísticos

Esse levantamento também identificou que 58% das empresas que exportam estão enfrentando dificuldades no envio de cargas nas exportações marítimas.

Os principais entraves citados foram: aumento de preços, relatado por 40% das entrevistadas que exportam, atraso na reserva do frete marítimo (31%) e dificuldades de reserva de container (27%).

Expectativas de Vendas

No caso das importações, aumentaram as indicações de atrasos no recebimento de cargas, passando de 62% para 66% do total de pesquisadas que realizam compras externas.

Ainda nessa pesquisa, vem crescendo o número de empresas que percebeu aumento nos custos de armazenamento de cargas em galpão, que estava em 31% em abril, passando para 42% em maio e aumentando para 45% em junho de 2021.

Componentes e matérias-primas

Nesta última sondagem, observou-se elevação de 20% para 26% no número de empresas que estão com estoques de componentes e matérias-primas abaixo do normal. No caso de produtos finais, esse percentual subiu de 18% para 25%%.

Porém, aumentaram também as indicações de empresas com estoques acima da normalidade, que passaram de 16% para 23% no caso de componentes e matérias-primas e de 14% para 23% nos produtos finais.

Permaneceu elevado o número de empresas que relataram dificuldades na aquisição de componentes e matérias-primas em função da falta destes itens no mercado, atingindo 69% das entrevistadas. Vale lembrar que esses entraves vêm sendo mencionados desde meados do ano passado.

Entre os insumos mais citados destacaram-se os componentes eletrônicos provenientes da Ásia, que foi relatado por 46% das entrevistadas. Apesar de continuar alto, esse resultado diminuiu pelo segundo mês consecutivo, uma vez que chegou a atingir 58% em abril deste ano.

Expectativas de Vendas

Os componentes eletrônicos provenientes de outras origens foram citados por 28% das pesquisadas que estão com dificuldades na aquisição de insumos.

Além dos componentes também foram identificadas outras matérias-primas que estão em falta no mercado, tais como: cobre (44%), materiais plásticos (38%), papelão (30%), alumínio (26%), aço carbono (24%), latão (18%), aço silício (16%), entre outros (6%), como bobinas de madeira.

Expectativas de Vendas

É importante destacar que continuou significativo o número de empresas que perceberam pressões acima do normal nos custos de componentes e matérias-primas, atingindo 93% das entrevistadas.

Conforme as empresas, os principais responsavéis pela elevação nos custos de componentes e matérias-primas são a escassez desses itens no mercado (80%), o incremento nos preços dos fretes marítimo e aéreo (71%) e a desvalorização cambial (44%).

Expectativas de Vendas

A falta de componentes eletrônicos no mercado está trazendo algumas dificuldades para as empresas do setor, tais como o atraso na produção e na entrega, citado por 32% das entrevistadas e até mesmo paralisação parcial da produção, relatada por 12% das pesquisadas.

É importante ressaltar que, desde fevereiro deste ano, quando essa questão foi inserida na sondagem, nenhuma empresa informou paralisação total da produção devido à falta de componentes eletrônicos.

No caso específico de semicondutores, ao considerar o total de entrevistadas que utilizam esses componentes na sua produção, foi observado aumento de 55% em maio para 71% em junho nas respostas que mostraram dificuldades na aquisição destes itens no mercado.

Esse levantamento identificou também que 26% das entrevistadas informaram que seus fornecedores não passaram nenhuma previsão de normalidade no abastecimento de componentes semicondutores.

Para 3% das empresas, a normalidade dessa situação ocorreria ainda no 1º semestre deste ano, para 21% até o final de 2021, a maior parte, ou seja, 42% acreditam que será até meados de 2022, e 8% preveem que ocorrerá apenas em meados de 2023.

Expectativas de Vendas

Expectativas

As perspectivas para os próximos meses permanecem favoráveis apesar da cautela dos empresários do setor devido à falta de componentes e matérias-primas no mercado e com a sua consequente alta de preços.

As atenções também estão voltadas para o controle da pandemia e para o ritmo de vacinação no país.

Outro fator de preocupação para os empresários do setor é a possibilidade de uma crise hídrica que pode ameaçar o fornecimento de energia no Brasil, que além de gerar aumento de preços também poderia inibir a atividade econômica.

Conforme dados da CNI agregados pela Abinee, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico atingiu 61,3 pontos, no mês de junho de 2021, 5,3 pontos acima do verificado no mês imediatamente anterior (56,0).

Esse foi o segundo crescimento consecutivo deste ano, após a sequência de quatro quedas seguidas. Destaca-se que esses dois incrementos foram suficientes para que esse índice retornasse ao patamar observado em janeiro deste ano (61,3 pontos).

Dessa forma, o ICEI do setor permaneceu acima da linha divisória dos 50 pontos, demonstrando confiança do empresário industrial do setor.

Vale lembrar que o ICEI varia de 0 a 100 pontos, sendo que valores acima de 50 pontos mostram confiança do empresário industrial e abaixo de 50 pontos apontam falta de confiança.

Na sondagem de junho de 2021, do total de empresas pesquisadas, 71% esperam crescimento em julho de 2021 em comparação com junho de 2020.

Para o 3º trimestre de 2021, esse percentual foi de 79% e para 2º semestre de 2021 totalizou 71% das entrevistadas, sempre comparados com iguais períodos do ano passado.

Expectativas de Vendas

Para 2021, 83% das entrevistadas projetam crescimento em comparação a 2020, dois pontos percentuais acima do resultado verificado na pesquisa anterior (81%).

Ainda para este ano, 14% esperam estabilidade e apenas 3% estão prevendo queda. Neste último caso, destaca-se que este percentual permanece igual ou abaixo desses 3% desde o início dessa pergunta na sondagem em setembro do ano passado.

Anexos

Anexos

Os resultados detalhados desta sondagem e a série histórica do levantamento estão disponíveis no site da Abinee em Economia e Estatísticas - Base de Dados Econômicos.

 
 

Informações Adicionais

Cristina Keller

Analista de Economia

11 2175-0031

Informações Imprensa

Jean Carlo Martins

Assessor de Comunicação

11 2175-0099

 
 
Abinee - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica

Escritório Central: Avenida Paulista, 1313 - 7º andar - 01311-923 - São Paulo - SP
Fone: 11 2175-0000 - Fax: 11 2175-0090