Sondagem Conjuntural do Setor Elétrico e Eletrônico - Maio/2022

Sondagem de conjuntura referente ao mês de maio aponta melhora nos principais indicadores do setor eletroeletrônico em relação aos verificados na pesquisa anterior

Os principais indicadores da indústria eletroeletrônica, apontados na sondagem de conjuntura realizada no mês de maio de 2022, mostraram melhora ao comparar com os resultados obtidos no levantamento anterior.

Nesta última pesquisa, 54% das empresas entrevistadas indicaram crescimento nas vendas/encomendas em relação ao igual período de 2021. Este resultado foi 9 pontos percentuais acima do observado na sondagem realizada em abril de 2022 ao comparar com abril do ano passado (45%).

Em relação ao mês imediatamente anterior, 53% das empresas consultadas indicaram crescimento nas vendas. Neste caso, o percentual foi 29 pontos percentuais acima dos 24% verificados na pesquisa de abril.

Foi favorável a redução de 37% para 31% no total de entrevistadas que registraram negócios abaixo do esperado.

Observou-se também a elevação de 7% para 12% no total de empresas que relataram negócios acima das expectativas.

Vale ressaltar que a maior parte das entrevistadas (57%) informaram, neste último levantamento, que os seus negócios foram conforme as expectativas.

A utilização da capacidade instalada aumentou de 77% em abril para 79% em maio de 2022, apontando o melhor resultado deste ano.

Ainda nesta sondagem, verificou-se estabilidade no nível de emprego, com 79% das empresas dando essa indicação.

Conforme dados do Novo Caged, o número de empregados da indústria eletroeletrônica no mês de abril (265,6 mil funcionários) recuou pela segunda vez consecutiva, apontando retração de 920 vagas de trabalho nos dois últimos meses.

Porém, mesmo com os desempenhos negativos de março e abril, o total de funcionários da indústria eletroeletrônica está 1.900 postos de trabalho acima do apontado em dezembro de 2021 (263,7 mil trabalhadores).

No comércio internacional, 36% das entrevistadas relataram aumento das exportações comparadas com igual período de 2021, resultado 2 pontos percentuais acima do verificado na pesquisa anterior (34%).

Este resultado também foi superior às indicações de queda (27%) verificadas neste último levantamento.

Os dados da Secex/ME agregados pela Abinee apontaram incremento de 20% nas exportações de produtos elétricos e eletrônicos no acumulado de janeiro a maio de 2022 em relação ao igual período do ano passado.

Nesta última sondagem realizada pela Abinee, a maior parte das empresas indicaram normalidade nos estoques, tanto de componentes e matérias-primas (54%) quanto de produtos acabados (60%).

Foi favorável a redução de 32% para 19% no total de empresas que citaram dificuldades na obtenção de financiamentos para capital de giro. Vale ressaltar que 71% das entrevistadas não utilizam esses instrumentos.

Notou-se também neste levantamento queda de 53% para 48% no total de pesquisadas que relataram pressões em alguns custos, tais como de energia, água, impostos, entre outros. Destaca-se que essa foi a segunda retração seguida.

Componentes e matérias-primas

A sondagem de maio indicou que permanecem as dificuldades decorrentes da falta de componentes eletrônicos, principalmente de semicondutores no mercado e sua consequente alta de preços.

Neste último levantamento, 61% das pesquisadas relataram dificuldades na aquisição de componentes e matérias-primas em função da falta destes itens no mercado. Nota-se que este foi o maior percentual deste ano, verificado após três elevações seguidas.

Entre os insumos em falta no mercado, destacaram-se os componentes eletrônicos provenientes da Ásia, relatados por 73% das empresas que estão com dificuldades na aquisição de insumos. Destaca-se que este resultado foi 5 pontos percentuais abaixo do verificado na pesquisa anterior (78%).

Apesar da queda, esse número permanece muito elevado, bem acima dos 54% apontados no ano passado (média do ano).

Neste levantamento foi observado aumento de 44% para 53% no número de entrevistadas que relataram dificuldades na aquisição de componentes eletrônicos provenientes de outras origens. Neste caso também o percentual apurado em maio de 2022 foi bem superior à média de 34% verificada em 2021.

Por outro lado, vem caindo o número de empresas com dificuldades na aquisição das outras matérias-primas, tais como papelão, aço, materiais plásticos, que passou de 13% para 7% das entrevistadas, resultado bem inferior aos mais de 50% verificados no início do ano passado.

Além da dificuldade na aquisição de componentes, 70% das empresas pesquisadas continuam sentindo pressões acima do normal nos custos de componentes e matérias-primas. Destaca-se que este resultado permanece muito alto, mesmo após o recuo de 7 pontos percentuais em relação ao observado na pesquisa anterior (77%).

Ressalta-se que a escassez de produtos e os aumentos de custos deverão pressionar ainda mais a inflação.

Vale lembrar que conforme dados do IBGE agregados pela Abinee, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) da indústria eletroeletrônica, no mês de abril de 2022, registrou aumento de 9% no acumulado dos últimos 12 meses.

Este levantamento também mostrou que a falta de componentes eletrônicos no mercado continua trazendo algumas dificuldades para as empresas do setor, tais como atraso na produção e na entrega, citado por metade das entrevistadas e até mesmo paralisação parcial da produção, relatada por 7% das pesquisadas.

É importante ressaltar que mesmo com esses entraves, nenhuma empresa informou paralisação total da produção devido à falta de componentes eletrônicos, desde o início desta questão na sondagem, em fevereiro de 2021.

Semicondutores

Especificamente no caso de semicondutores, 75% das entrevistadas que utilizam esses componentes na sua produção relataram as dificuldades na aquisição destes itens no mercado.

Este resultado ficou 3 pontos percentuais abaixo dos 78% apurados na pesquisa anterior, porém permanece entre os mais altos desde meados do ano passado.

Conforme a sondagem, 88% dessas entrevistadas atribuem à crise global de semicondutores acentuada na pandemia como o principal responsável pelas dificuldades na aquisição destes itens.

Além disso, as empresas indicaram outros fatores que também estão prejudicando o abastecimento destes insumos, com destaque para as restrições (“lockdowns”) aplicadas em algumas regiões da China para combater a pandemia de Covid-19, indicadas por 67% das entrevistadas.

As empresas também citaram os atrasos no recebimento de semicondutores devido à operação padrão dos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, indicados por 33% das pesquisadas e os conflitos entre a Rússia e a Ucrânia, por estes países serem produtores mundiais de insumos essenciais para a fabricação de semicondutores, mencionados por 29% das empresas.

Principais problemas na aquisição de componentes semicondutores

Este levantamento identificou que as empresas fabricantes de produtos eletroeletrônicos estão utilizando algumas alternativas para contornar a dificuldade na aquisição de semicondutores para manter a sua produção, entre elas:

- A busca de fornecedores alternativos no mercado nacional e internacional, mesmo com maior custo, relatado por 78% das empresas que estão com dificuldades na aquisição destes itens no mercado;

- Revisão de possibilidade de alteração de componente eletrônico utilizado (51%);

- Compras emergenciais em distribuidores independentes (46%);

- Antecipação de pedidos para os fornecedores (46%);

- Tentativa de desenvolvimento de fornecedores alternativos (46%);

- Renegociação da entrega com os clientes (44%);

- Elevação de estoques (29%);

- Viabilização de produção própria, citada apenas por 2% das empresas.

Com isso, 73% dessas entrevistadas informaram que as medidas citadas acima estão sendo suficientes para manter parcialmente a sua produção.

No caso de 12%, essas ações estão sendo razoáveis para manter totalmente a sua produção e para as demais, ou seja, 15% das empresas, essas medidas não estão sendo eficientes para manter a produção.

Com todos os entraves citados anteriormente, as empresas estão reavaliando as suas previsões de normalidade no fornecimento de semicondutores.

Na pesquisa referente ao mês de janeiro deste ano, a maior parte das entrevistadas, ou seja, 53% das empresas acreditavam que a normalidade no abastecimento de componentes semicondutores ocorreria até o final de 2022. Esse percentual veio recuando a cada mês, atingindo 17% no levantamento de maio.

Ainda nas cinco últimas pesquisas, aumentou o número de entrevistadas com previsão de normalidade em 2023, passando de 34% na sondagem de janeiro, para 50% em maio.

Previsão de Normalidade no Abastecimento de Componentes Semicondutores

Destaca-se que nesta pesquisa de maio, 5% das entrevistadas acreditam que a previsão de normalidade no abastecimento de semicondutores acontecerá apenas a partir de 2024.

Também vale ressaltar o aumento de 13% em janeiro para 28% em maio no número de empresas que estão sem previsão de normalidade desta situação.

Gargalos logísticos

As empresas do setor também continuam enfrentando alguns gargalos logísticos desde o início da pandemia.

Neste levantamento, 62% das entrevistadas que exportam relataram problemas no envio de cargas nas exportações marítimas. Esse resultado foi 7 pontos percentuais abaixo do verificado na sondagem anterior (69%). Apesar dessa queda, esse percentual permanece elevado.

Entre esses entraves, destacaram-se o aumento de preços, relatado por 34% das entrevistadas; o atraso na reserva do frete marítimo (34%) e as dificuldades de reserva de contêineres (30%).

Destaca-se que, nestes casos, os resultados também foram inferiores aos observados na pesquisa de abril.

Nas importações, considerando todos os modais de transporte, 64% das empresas indicaram atrasos no recebimento de cargas. Este resultado também foi menor do que os 71% indicados na sondagem anterior.

Notou-se também que 47% das entrevistadas perceberam elevação nos custos de armazenamento de cargas em galpão.

Expectativas

As expectativas para 2022 permanecem favoráveis, mesmo em um cenário de incertezas que o País vem passando, com crescimento modesto do PIB e elevação da inflação e taxa de juros, fatores que inibem os investimentos.

Ainda neste ano, as empresas continuam enfrentando as dificuldades encontradas no ano passado, principalmente com a falta de semicondutores no mercado, sua consequente alta de preços e os gargalos logísticos.

Também existe a preocupação com as consequências que fatores internacionais possam gerar no desempenho do setor eletroeletrônico, como os conflitos entre a Rússia e a Ucrânia e as restrições em algumas regiões da China para o controle da pandemia.

Mesmo com esses entraves, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico, conforme dados da CNI agregados pela Abinee, subiu 1,3 ponto em maio apontando o segundo incremento consecutivo após duas quedas seguidas.

Vale ressaltar que o ICEI da indústria eletroeletrônica permanece acima da linha divisória dos 50 pontos há 22 meses, demonstrando que o empresário industrial do setor continua confiante.

Nesta sondagem, do total de empresas pesquisadas, 56% esperam crescimento em junho de 2022 em comparação com junho de 2021.

Para o 2º trimestre de 2022, esse percentual atingiu 51% e para 1º semestre de 2022 totalizou 55% das entrevistadas, sempre comparados com iguais períodos do ano passado. Para o ano de 2022, 61% das entrevistadas projetam crescimento em relação a 2021. Porém esse resultado foi 6 pontos percentuais abaixo do apontado em abril (67%).

Vale destacar a elevação no número de entrevistadas prevendo estabilidade, que passou de 18% na pesquisa de abril para 25% na sondagem de maio.

No caso de projeções de queda, as indicações atingiram 14%, 1 ponto percentual inferior ao registrado no levantamento anterior (15%).

Expectativas de Vendas

Anexos

Anexos

Os resultados detalhados desta sondagem e a série histórica do levantamento estão disponíveis no site da Abinee em Economia e Estatísticas - Base de Dados Econômicos.

 
 

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Informações Imprensa

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