Sondagem Conjuntural do Setor Elétrico e Eletrônico - Outubro/2022

Sondagem de outubro mostra ligeira piora nos principais indicadores do setor eletroeletrônico, com empresários cautelosos para 2023

No mês de outubro de 2022, a sondagem de conjuntura da indústria elétrica e eletrônica apontou ligeira piora nos principais indicadores do setor ao comparar com os resultados verificados na pesquisa anterior.

Neste levantamento, 56% das empresas entrevistadas indicaram crescimento nas vendas/encomendas em relação a igual período de 2021. Este resultado foi 6 pontos percentuais abaixo do verificado na pesquisa anterior (62%).

Porém, ao comparar com o mês imediatamente anterior, aumentou de 28% para 38% o número de pesquisadas que citaram elevação das vendas/encomendas.

Foi desfavorável o segundo aumento seguido no total de empresas que apontaram negócios abaixo das expectativas, que passaram de 25% em agosto para 41% em outubro de 2022.

No que se refere ao nível de trabalho, observou-se redução de 19% para 15% no número de pesquisadas que apontaram elevação no quadro de funcionários. Mas mesmo assim, a maior parte das empresas, ou seja, 79% das entrevistadas indicaram estabilidade no nível de emprego.

Conforme dados do Novo Caged, o número de empregados da indústria eletroeletrônica teve aumento de 1.407 postos de trabalho no mês de setembro de 2022 em relação a agosto, totalizando 271,7 mil funcionários. Este acréscimo representa o saldo, ou seja, a diferença entre admissões e desligamentos.

Com isso, o total de funcionários da indústria eletroeletrônica está cerca de 8 mil postos de trabalho acima do apontado em dezembro de 2021 (263,7 mil trabalhadores).

Nesta última sondagem de conjuntura a utilização da capacidade instalada recuou de 80% em setembro para 78% em outubro de 2022.

No comércio internacional, foi desfavorável a segunda queda seguida no número de empresas que relataram crescimento nas exportações comparadas com igual período de 2021, passando de 45% em agosto para 31% em outubro.

Dessa forma, o percentual de indicações de crescimento (31%) ficou abaixo das indicações de queda (39%). Esse movimento não ocorria desde março deste ano.

Mesmo assim, é importante lembrar que, desde o início do ano, as exportações vêm contribuindo com o desempenho do setor.

Conforme os dados da Secex/ME agregados pela Abinee, as exportações de produtos elétricos e eletrônicos apontaram aumento de 17% no acumulado de janeiro a outubro de 2022 em relação ao igual período do ano passado.

Ainda no que se refere à sondagem realizada pela Abinee, destacou-se o terceiro crescimento consecutivo no número de entrevistadas que citaram estoques de produtos acabados acima do normal, passando de 16% em julho para 33% em outubro.

No caso dos estoques de componentes e matérias-primas observou-se redução de 25% para 23% nestas indicações.

Nesta última pesquisa, 22% das entrevistadas citaram dificuldades na obtenção de financiamentos para capital de giro, 4 pontos percentuais abaixo do resultado verificado na pesquisa anterior (26%). Nota-se que essa foi a segunda queda seguida. Vale ressaltar que 65% das entrevistadas não utilizam esses instrumentos.

Este levantamento também mostrou que 25% das pesquisadas relataram pressões em alguns custos, tais como de energia, água, impostos, entre outros. Este resultado foi 2 pontos percentuais acima do verificado na pesquisa anterior (23%), porém foi um dos menores resultados apontados neste ano.

Nota-se que a inflação vem recuando nos últimos meses, pressionando menos neste 2º semestre de ano. As projeções para o acumulado deste ano do Índice de Preços ao Produtor (IPP) da indústria elétrica e eletrônica do IBGE agregado pela Abinee estão por volta de 6% ao ano, patamar inferior aos 8,6% observados no acumulado do 1º semestre de 2022.

Componentes e matérias-primas

As últimas sondagens vêm indicando uma ligeira redução nas dificuldades decorrentes da falta de componentes eletrônicos e matérias-primas no mercado. Porém, é importante ressaltar que esses entraves permanecem prejudicando a atividade do setor.

Nesta última pesquisa, 48% das empresas relataram dificuldades na aquisição de componentes e matérias-primas em função da falta destes itens no mercado. Este resultado foi 2 pontos percentuais abaixo do apontado na pesquisa de setembro (50%) e permanece inferior aos patamares registrados entre março e maio de 2022, que estavam por volta de 60%.

É importante lembrar que esse resultado refere-se aos entraves decorrentes da falta de componentes eletrônicos e também de matérias-primas no mercado.

Especificamente no caso de matérias-primas, tais como papelão, materiais plásticos, borracha, aço, cobre, entre outras, a redução no número de empresas com dificuldades na aquisição destes itens já vem sendo observada desde o início deste ano. Porém, destacou-se neste último mês o aumento no número de empresas que deram estas indicações, que passou de 3% para 18% das entrevistadas. Com isso, este percentual ficou próximo ao verificado no 1º trimestre deste ano que estava por volta de 16%. Mesmo com essa elevação, é importante observar que este percentual permanece muito distante dos mais de 50% verificados no início do ano passado.

Observou-se, nessa última sondagem, a sexta queda consecutiva no número de informantes que continuam sentindo pressões acima do normal nos custos de componentes e matérias-primas, atingindo 48% das empresas pesquisadas.

Nota-se que este percentual ainda permanece elevado, porém encontra-se bem abaixo dos patamares verificados em meados de 2021, que chegou a superar 90% das indicações.

A falta de componentes eletrônicos no mercado continua trazendo algumas dificuldades para as empresas do setor, tais como atraso na produção e na entrega, citado por 41% das entrevistadas. Destaca-se que as indicações de paralisação parcial da produção vêm caindo desde o início deste ano, relatadas por apenas 4% das pesquisadas neste último levantamento.

É importante ressaltar que, mesmo com esses entraves, nenhuma empresa informou paralisação total da produção devido à falta de componentes eletrônicos desde o início desta questão na sondagem, em fevereiro de 2021.

Semicondutores

Especificamente no caso de semicondutores, 61% das entrevistadas que utilizam esses componentes na sua produção relataram dificuldades na aquisição destes itens no mercado. Este resultado foi 2 pontos percentuais acima do verificado na pesquisa anterior (59%), porém inferior aos 70% observados em agosto e abaixo também da média dos primeiros nove meses do ano (68%).

Apesar da melhora, essa situação ainda está longe da normalidade e continua afetando a produção da indústria elétrica e eletrônica.

Conforme a sondagem, esses entraves deverão permanecer no próximo ano.

Neste último levantamento, apenas 5% das entrevistadas acreditam que a normalidade no fornecimento de semicondutores deverá acontecer até o final deste ano.

A maior parte das entrevistadas (61%) projetam a normalidade no abastecimento de componentes semicondutores para 2023, sendo que para 33% ainda no 1º semestre do próximo ano e para 28% apenas no 2º semestre de 2023.

Ainda referente a essa questão, 15% acreditam que a normalidade dessa situação ocorra somente a partir de 2024 e 19% das pesquisadas estão sem previsão.

Previsão de Normalidade no Abastecimento de Componentes

Alternativas para contornar a dificuldade na aquisição de semicondutores

Os levantamentos realizados pela Abinee no decorrer deste ano identificaram que as empresas fabricantes de produtos eletroeletrônicos estão utilizando algumas alternativas para contornar a dificuldade na aquisição de semicondutores para manter a sua produção, entre elas:

- A busca de fornecedores alternativos no mercado nacional e internacional, mesmo com maior custo;

- Revisão de possibilidade de alteração de componente eletrônico utilizado;

- Compras emergenciais em distribuidores independentes;

- Antecipação de pedidos para os fornecedores;

- Tentativa de desenvolvimento de fornecedores alternativos;

- Renegociação da entrega com os clientes;

- Elevação de estoques.

Gargalos logísticos

Nesta última sondagem observou-se que, apesar da melhora, as entrevistadas continuam sofrendo com alguns gargalos logísticos que permanecem causando transtornos comerciais.

Vale lembrar que as empresas do setor vêm enfrentando estes problemas desde o início da pandemia e que foram agravados pelos conflitos entre a Rússia e a Ucrânia e pela operação padrão dos auditores fiscais da Receita Federal.

Nas importações, considerando todos os modais de transporte, 53% das empresas indicaram atrasos no recebimento de cargas, percentual igual ao apontado na sondagem anterior. Estes resultados foram os menores registrados neste ano, mas mesmo assim ainda permanecem elevados.

No caso das exportações, 44% das pesquisadas que exportam relataram problemas no envio de cargas nas exportações marítimas. Este resultado foi 13 pontos percentuais abaixo do registrado na sondagem anterior e foi o menor percentual desde abril de 2021 (26%). Neste caso também, apesar da melhora, o número de empresas com essas dificuldades ainda continua significativo.

Verificou-se também que 36% das entrevistadas perceberam elevação nos custos de armazenamento de cargas em galpão.

Expectativas

A maior parte das empresas, 71% das entrevistadas esperam crescimento para 2022.

Ainda para esse ano, 12% das entrevistadas projetam estabilidade e outros 17% esperam queda nas vendas.

Conforme outras pesquisas também realizadas pela Abinee, o crescimento do faturamento da indústria elétrica e eletrônica em 2022 deverá ser modesto em termos nominais. Ao descontar a inflação do setor, o faturamento deverá apontar uma ligeira queda em termos reais.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico, conforme dados da CNI agregados pela Abinee, apontou forte queda de 5,6 pontos no mês de novembro de 2022 em relação ao mês imediatamente anterior, atingindo 52,6 pontos.

Porém, é importante destacar que mesmo com essa retração significativa, o ICEI da indústria elétrica e eletrônica permanece acima da linha divisória dos 50 pontos. Ou seja, o empresário do setor permanece confiante, mas bem menos otimista do que estava nos meses anteriores.

Lembrando que o ICEI varia de 0 a 100 pontos, sendo que valores acima de 50 pontos mostram confiança do empresário industrial e abaixo de 50 pontos apontam falta de confiança.

Vale ressaltar que os empresários do setor estão muito cautelosos tanto em relação ao cenário interno quanto ao internacional.

No cenário interno, a principal preocupação neste momento é a incerteza em relação ao novo governo, especialmente no que se refere à questão fiscal.

Além disso, o cenário internacional também causa apreensão devido aos conflitos entre a Rússia e a Ucrânia; os novos “lockdowns” em algumas regiões da China devido ao aumento de casos de covid e as projeções de crescimentos mais modestos para 2023 em diversos países, principalmente Estados Unidos, países da Europa e até mesmo a China.

Conforme dados da sondagem, 58% das empresas do setor projetam crescimento para as vendas da indústria elétrica e eletrônica para o ano 2023.

Este resultado foi 13 pontos percentuais abaixo do apontando na pesquisa anterior, que estava em 71%.

Ainda referente a 2023, 33% esperam estabilidade e 9% estão prevendo queda para o próximo ano.

Expectativas de Vendas

Anexos

Anexos

Os resultados detalhados desta sondagem e a série histórica do levantamento estão disponíveis no site da Abinee em Economia e Estatísticas - Base de Dados Econômicos.

 
 

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