Sondagem Conjuntural do Setor Eletroeletrônico - Maio/2016

Sondagem

Na sondagem de conjuntura da Indústria Elétrica e Eletrônica do mês de maio de 2016 não foram verificadas alterações significativas nos principais indicadores do setor em relação às pesquisas anteriores, permanecendo a situação desfavorável que já vem ocorrendo desde meados de 2014.

Nesta Pesquisa, o desempenho das vendas/encomendas continuou modesto, com significativo percentual de empresas que tiveram negócios abaixo do esperado; estoques elevados; e manutenção da tendência de desemprego.

Por outro lado, notou-se melhora nas expectativas, com 66% dos entrevistados acreditando que o desempenho da economia irá melhorar tendo em vista as primeiras semanas do Governo Temer.

Porém essa expectativa mais favorável ainda não se converteu em mudanças de decisões quanto a novos investimentos. Conforme a sondagem, apenas 3% das empresas realizarão investimentos neste ano em função da mudança de Governo.

Em relação às expectativas para 2016, na sondagem de maio verificou-se maior número de empresas que esperam queda do que entrevistadas que projetam crescimento. Porém nesta última pesquisa, essa diferença diminuiu em relação à sondagem realizada no mês passado, confirmando uma melhora nas expectativas.

Permanecem as incertezas decorrentes das crises política e econômica que o país atravessa, influenciando negativamente a atividade do setor. Assim que esses entraves forem amenizados, as projeções deverão ser revisadas.

Na sondagem de maio de 2016, aumentou de 23% para 27% o percentual de empresas que verificou crescimento nas vendas/encomendas em relação ao igual mês do ano passado. Porém continuou alto o percentual de empresas que observou queda (57%), resultado igual ao apontado na pesquisa de abril de 2016.

Em relação ao mês imediatamente anterior, o resultado da pesquisa de maio de 2016 foi melhor do que o apontado na sondagem de abril de 2016, com maior número de empresas relatando crescimento (de 22% para 38%) e menos empresas indicando retração (de 52% para 30%).

Porém permaneceu alto o percentual de empresas que tiveram seus negócios abaixo do esperado, com 62% das entrevistadas dando essa indicação.

Também continuou a tendência de desemprego. Nas últimas duas pesquisas diminuiu o total de empresas que relataram queda no emprego de 34% para 27%, porém este percentual permaneceu superior às indicações de aumento, que atingiu apenas 5% na sondagem de maio de 2016.

Quanto aos estoques, não foram observadas alterações significativas tanto no caso de componentes e matérias-primas, como de produtos acabados. As indicações de estoques acima do normal ficaram muito próximas das verificadas na sondagem anterior, atingindo 32% no caso de componentes; e 34%, nos produtos finais.

As exportações têm sido citadas como uma alternativa para algumas empresas para compensar parte da queda do mercado interno, uma vez que a atual taxa de câmbio está favorecendo as vendas externas. Na sondagem de maio de 2016, 37% das entrevistadas relataram crescimento nas exportações, porém estes resultados vêm oscilando muito nas ultimas pesquisas.

Assim sendo, o cenário atual, mesmo com indicadores um pouco melhores que os verificados na sondagem de abril de 2016, ainda mostra retração nas vendas/encomendas, permanência do desemprego, elevado número de empresas com negócios abaixo das expectativas e estoques acima do normal, o que indica que é esperada queda na produção de bens elétricos e eletrônicos novamente em maio de 2016 comparado com igual mês do ano passado.

É importante ressaltar que, conforme o IBGE, a produção física do setor eletroeletrônico, apesar de estar abaixo dos resultados apontados no ano passado, apresentou nos meses de março e abril deste ano, na série dessazonalizada, incrementos em relação ao período imediatamente anterior. Para o mês de maio de 2016, também é esperada expansão da produção em relação a abril de 2016.

Na sondagem de maio 2016 foi identificado que a maior parte das empresas (86%) não mostrou dificuldades para adquirir componentes e matérias-primas. Das entrevistadas, 44% perceberam pressões nos preços acima do normal.

Ainda nessa sondagem, 51% das empresas sentiram pressões em outros custos, como de energia, água, impostos, entre outros.

Quanto a financiamentos, 41% das empresas pesquisadas que utilizam recursos para capital de giro tiveram dificuldades na obtenção. Este resultado é inferior ao apontado nas pesquisas anteriores (em torno de 50%). Destaca-se que 54% das entrevistadas não recorrem a estes instrumentos.

Também foi identificado nesta sondagem que a utilização média da capacidade produtiva das empresas do setor consultadas nesta pesquisa foi de 66%, considerando a capacidade total da empresa (100%).

Expectativas

Para o mês de junho de 2016, as expectativas ainda não são favoráveis. Ao comparar com o mesmo período de 2015, 31% das consultadas esperam crescimento das vendas/encomendas, enquanto 38% aguardam queda.

Para o ano de 2016, também foi maior número de empresas com expectativa de queda (38%), enquanto 35% esperam crescimento. Porém nesta última pesquisa aumentou o percentual de empresas com perspectivas de crescimento (35%) em comparação com a sondagem de abril de 2016 (30%); enquanto que as indicações de queda não apontaram alterações significativas nas últimas duas pesquisas.

Também foi observada nesta pesquisa melhora nas expectativas, com 66% dos entrevistados acreditando que o desempenho da economia será mais favorável tendo em vista as primeiras semanas do Governo Temer.

Porém essa expectativa mais positiva ainda não se converteu em mudanças de decisões quanto a novos investimentos. Conforme a sondagem, apenas 3% das empresas realizarão investimentos neste ano em função da mudança de Governo.

Das demais, 49% dos entrevistados realizarão investimentos neste ano, mas essa decisão já estava programada independente da mudança de Governo e 48% não investirão neste ano.

Permanecem as incertezas decorrentes das crises política e econômica que o país atravessa, influenciando negativamente a atividade do setor. Assim que esses entraves forem amenizados, as projeções deverão ser revisadas.

Vendas/Encomendas em relação ao igual mês do ano anterior

Os resultados detalhados desta Sondagem e a série histórica do levantamento estão disponíveis no site da Abinee em Economia e Estatísticas - Base de Dados Econômicos.

Aspectos Setoriais

- Automação Industrial e Equipamentos Industriais

Melhoraram as expectativas das empresas fabricantes de bens de Automação Industrial e Equipamentos Industriais. Conforme a CNI, o ICEI - Índice de Confiança do Empresário Industrial – apontou crescimentos significativos nos dois últimos meses, passando de 36,8 pontos em abril de 2016 para 41,3 pontos em maio de 2016, e para 45,7 pontos em junho de 2016, acumulando incremento de 8,9 pontos nos últimos dois meses. Estes resultados também foram superiores aos apontados em iguais períodos do ano passado, quando estavam em 38,6 pontos, em maio de 2015 e 38,9 pontos em junho de 2015.

Ainda conforme a CNI, o índice de expectativa do empresário passou de 47 pontos em maio para 51,1 pontos em junho, que indica perspectiva positiva para os próximos seis meses. Desde outubro de 2014 este índice encontrava-se abaixo de 50 pontos.

Porém, conforme já citado no início dessa sondagem, a melhora nas expectativas, até o momento, não se configurou em aumento de investimentos no setor produtivo, que continuam escassos, inibindo os negócios das empresas fabricantes de produtos destas áreas.

- Material Elétrico de Instalação

Este comportamento também foi verificado nos fabricantes de Material Elétrico de Instalação, que estão sofrendo os impactos da retração do mercado de varejo e da queda de atividade da Construção Civil.

Segundo a CNI, o pessimismo está em queda, mas a situação atual da Indústria da Construção segue negativa. Na sondagem da CNI do mês de abril de 2016, a atividade desta indústria atingiu 26,4 pontos, 3,0 pontos abaixo da registrada em abril de 2015 (29,4 pontos).

- Telecomunicações e Informática

A melhora nas expectativas também foi observada no segmento de bens de consumo. Conforme a CNI, a confiança do consumidor apontou melhora expressiva. O INEC - Índice Nacional de Expectativa do Consumidor – no mês de maio de 2016 registrou aumento de 7,9% na comparação com o mês imediatamente anterior e de 6,6% em relação a maio do ano passado.

Ainda conforme a CNI, o aumento deste índice ocorreu em função, principalmen­te, da melhora das expectativas dos consumidores em relação à inflação, ao emprego e à renda para os próximos meses. Os índices de situação financeira e de endividamento mostraram melhora, mas ainda continuaram baixos.

Apesar deste aumento, o INEC permaneceu em patamar baixo, inferior à média histórica, o que inibe uma recuperação mais forte do consumo no presente.

A baixa atividade desses segmentos pode ser observada nos mercado de alguns bens de consumo, como, em Telecomunicações, o mercado de telefones celulares, que permaneceu retraído. Conforme dados do IDC, no 1º trimestre de 2016, o mercado de telefones celulares, em volume, recuou 33% em relação ao 1º trimestre de 2015, somando 10,3 milhões de unidades. Nota-se que a retração dos smartphones (-34%) foi mais forte do que a queda dos features phones (-16%). Ressalta-se que no 1º trimestre de 2016, os smartphones foram responsáveis por 90% do mercado de telefones celulares.

No caso de Informática, observa-se que também continuaram desaceleradas as vendas de desktops, notebooks e tablets. Segundo dados do IDC, no 1º trimestre de 2016, o mercado de desktops recuou 51%; o de notebooks apontou queda de 44%; e o de tablets retraiu-se 53% em relação ao 1º trimestre de 2015. O mercado destes três produtos juntos somaram 1,89 milhão de unidades no 1º trimestre deste ano, metade do total registrado em igual período do ano passado (3,76 milhões).

Vendas/Encomendas em relação ao igual mês do ano anterior

- GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica.

Em GTD, os negócios das empresas fabricantes de bens de Geração permaneceram contando com as encomendas decorrentes dos leilões que vêm ocorrendo nos últimos anos.

Além do último Leilão A-5 ocorrido no dia 29 de abril, ainda neste ano estão marcados dois Leilões de Energia de Reserva, que acontecerão nos dias 29 de julho e 28 de outubro. O primeiro leilão irá negociar contratos de empreendimentos de energia solar fotovoltaica e de fonte hidrelétrica (Centrais de Geração Hidrelétrica e Pequenas Centrais Hidrelétricas) e o segundo leilão poderá contratar energia de fonte solar fotovoltaica e fonte eólica.

Os fabricantes de equipamentos para Transmissão estão apreensivos com os atrasos em cronogramas de implantação de vários projetos, principalmente, nos casos em que a concessionária é a Abengoa, empresa que entrou em recuperação judicial. Neste caso, há três situações distintas: projetos não iniciados; projetos iniciados, mas sem aquisição de equipamentos e pior, projetos em andamento, com equipamentos fornecidos e não pagos.

E, no caso da Distribuição, os negócios nestes primeiros meses do ano foram melhores dos ocorridos em igual período de 2015. Vale lembrar que o ano passado foi um período em que a atividade deste segmento estava muito desaquecida. Para os próximos meses a expectativa é favorável devido aos reajustes das tarifas de energia elétrica.

ANEXOS

Vendas/Encomendas em relação ao igual mês do ano anterior

 

Informações Adicionais

Luiz Cezar Elias Rochel

Gerente de Economia

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Informações Imprensa

Jean Carlo Martins

Assessor de Comunicação

11 2175-0099

 
 
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