Sondagem Conjuntural do Setor Elétrico e Eletrônico - Dez/2023

Mesmo com abrandamento nas principais dificuldades enfrentadas nos últimos anos, setor eletroeletrônico encerra o ano 2023 com resultados modestos. As expectativas para 2024 são mais favoráveis

A sondagem de conjuntura referente ao mês de dezembro de 2023 apontou ligeira melhora em alguns indicadores da indústria elétrica e eletrônica, porém encerram o ano com resultados modestos.

Neste último levantamento, permaneceu em 46% o percentual de entrevistadas que indicaram crescimento nas vendas/encomendas em relação a dezembro de 2022, enquanto que as indicações de queda diminuíram de 36% para 30% das pesquisadas.

É importante destacar que este foi o segundo mês consecutivo, depois de oito meses seguidos, em que as indicações de crescimento superaram os relatos de retração, sempre comparados com iguais períodos do ano anterior.

Por outro lado, ao comparar com o mês imediatamente anterior, foram observadas duas quedas seguidas no número de entrevistadas que relataram crescimento nas vendas/encomendas, passando de 43% em outubro para 27% em dezembro de 2023.

Quanto aos negócios, foi favorável a redução de 58% para 36% no total de empresas que citaram negócios abaixo do esperado.

A utilização da capacidade instalada encerrou o ano em 73%, resultado observado desde abril de 2023, com exceção apenas do mês de agosto (75%).

Nesta sondagem recuou de 21% para 12% o percentual de entrevistadas que relataram elevação no número de empregados.

É importante lembrar que essa redução já era esperada, visto que normalmente o número de empregados do setor costuma recuar nos meses de novembro e dezembro, uma vez que neste período, a indústria já realizou a maior parte da produção para o final de ano, e, portanto, tem menos necessidade de novas contratações.

Nota-se que a maior parte das entrevistadas (76%) citou estabilidade no nível de emprego.

Conforme dados do Novo Caged agregados pela Abinee, a indústria elétrica e eletrônica diminuiu 2.422 postos de trabalho no mês de dezembro de 2023, totalizando 265,6 mil funcionários diretos. Esta redução representa o saldo, ou seja, a diferença entre admissões e desligamentos.

Com isso, a indústria elétrica e eletrônica encerra o ano 2023 com 1.652 postos de trabalho abaixo do registrado no final de 2022 (267,2 mil funcionários).

A sondagem de dezembro também mostrou ajuste de estoques, com recuo no percentual de entrevistadas que citaram estoques de produtos acabados acima do normal, passando de 29% para 20% das participantes.

No caso de componentes e matérias-primas, a queda nestas indicações foi de 23% para 21% das entrevistadas.

No comércio internacional, destacou-se a redução de 40% para 32% nas indicações de quedas nas exportações em relação ao igual mês do ano anterior.

Os dados da Secex/MDIC agregados pela Abinee registraram aumento de 3% nas exportações de produtos elétricos e eletrônicos no mês de dezembro de 2023 em relação a dezembro de 2022, acumulando acréscimo de 8% no ano 2023 em relação à 2022, contribuindo, desta forma, com o desempenho do setor.

No caso das importações, ainda conforme dados da Secex/MDIC, verificou-se queda de 4% no mês de dezembro em relação a dezembro de 2022 e recuo de 6% no acumulado do ano 2023 ao comparar com 2022, refletindo a queda da atividade do setor.

Retomando a avaliação dos resultados apontados nesta última sondagem, observou-se que 30% das entrevistadas citaram dificuldades na obtenção de financiamentos para capital de giro, 2 pontos percentuais abaixo do resultado apontado na sondagem anterior (32%). Ressalta-se também que 61% das entrevistadas não utilizam esses instrumentos.

Notou-se também queda no percentual de entrevistadas que relataram pressões em alguns custos, tais como de energia, água, impostos, entre outros, que passou de 32% em novembro para 27% em dezembro. Vale destacar a redução no número de entrevistadas que citou essa dificuldade no decorrer do ano, uma vez que em 2022 estava em 40% (média anual) e passou para 28% na média de 2023.

Componentes e matérias-primas

Durante o ano 2023, verificou-se redução nas dificuldades na aquisição de componentes e matérias-primas em função da falta destes itens no mercado, que, neste último levantamento, atingiu 25% das entrevistadas. Apesar deste resultado ter sido acima do registrado na pesquisa anterior (19%), a média verificada em 2023 (29%) ficou bem abaixo dos 51% registrados em 2022 (média anual)..

No último levantamento de 2023, 32% das entrevistadas informaram que continuam sentindo pressões acima do normal nos custos de componentes e matérias-primas. Neste caso, a média do ano 2023 atingiu 37%, resultado inferior aos 62% observados em 2022 (média do ano)..

Vale lembrar que este percentual chegou a atingir mais de 90% em meados de 2021..

Semicondutores

Também foi observada melhora no abastecimento de semicondutores em 2023. Nesta última sondagem, 25% das entrevistadas, que utilizam semicondutores na sua produção, relataram dificuldades na aquisição destes itens.

É importante destacar que o percentual de empresas com problemas no abastecimento de semicondutores diminuiu de 67% em 2022 (média do ano) para 41% em 2023 (média do ano).

A maior parte das entrevistadas que ainda estão com dificuldades na aquisição destes itens (62%) acredita que a normalidade no abastecimento de componentes semicondutores acontecerá até o final de 2024, 14% projetam regularidade desta situação somente em 2025 e 24% estão sem previsão para a normalidade no abastecimento destes itens.

Gargalos logísticos

As sondagens também mostraram redução nos gargalos logísticos no decorrer de 2023.

Nas exportações, 31% das entrevistadas que exportam relataram problemas no envio de cargas nas exportações marítimas na pesquisa de dezembro. Na média de 2023, este percentual foi de 26%, resultado muito inferior à média do ano anterior que estava em 56%.

Nas importações, 33% das empresas pesquisadas no mês de dezembro indicaram atrasos no recebimento de cargas, considerando todos os modais de transporte. Neste caso também a média de entrevistadas com essas dificuldades caiu de 60% em 2022 para 29% em 2023 (média do ano).

Expectativas

As expectativas são de melhora no desempenho da indústria eletroeletrônica para 2024, porém permanecem as incertezas em relação ao cenário interno e internacional, o que deverá manter os empresários cautelosos.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial do setor eletroeletrônico, no mês de dezembro de 2023, recuou pelo terceiro mês consecutivo, atingindo 48,0 pontos. Dessa forma o ICEI encerrou o ano abaixo da linha divisória de 50 pontos, indicando falta de confiança do empresário do setor.

Por outro lado, o abrandamento das principais dificuldades enfrentadas nos últimos anos, tais como: dificuldades na aquisição de componentes, especialmente semicondutores, pressões nos preços de matérias-primas e componentes, pressões em outros custos, gargalos logísticos, entre outros, deve contribuir com os negócios neste ano.

Outros fatores também estão gerando expectativas favoráveis para 2024, como a Reforma Tributária, muito esperada pelos empresários do setor, que deverá aumentar a competitividade da indústria, reduzindo a complexidade do sistema tributário do país e desonerando as exportações e os investimentos.

Além disso, destaca-se o programa Nova Indústria Brasil (NIB) lançado no mês de janeiro de 2024, estruturado em um conjunto de programas e medidas que buscam solucionar desafios atuais, com incentivos à sustentabilidade, à inovação, às exportações e aos ganhos de produtividade, trazendo perspectivas positivas para o setor.

Essa iniciativa visa promover a neoindustrialização e transformação digital do país, com destaque para o Novo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (PADIS), que podem estimular novos investimentos produtivos e a geração de empregos.

Conforme esta última sondagem, 64% das empresas do setor projetam crescimento para as vendas da indústria eletroeletrônica para o ano 2024, 33% esperam estabilidade e apenas 3% prevêem queda nas vendas.

Anexos

Anexos

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Os resultados detalhados desta sondagem e a série histórica do levantamento estão disponíveis no site da Abinee em Economia e Estatísticas - Base de Dados Econômicos.

 
 

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