Desempenho Setorial

Dados preliminares

O faturamento da indústria eletroeletrônica, no ano de 2016, deverá atingir R$ 131,2 bilhões, 8% inferior ao verificado no ano de 2015 (R$ 142,5 bilhões), que representará queda real de 11%.

A baixa atividade dessa indústria foi indicada tanto pelo segmento de bens de consumo, como de bens de capital.

Pelo lado dos bens de consumo, a queda da renda da população, a alta e crescente taxa de desemprego e o elevado endividamento foram fatores que efetivamente inibiram a iniciativa de compra dos consumidores.

Além disso, durante todo o ano, os consumidores conviveram com juros elevados e crédito contraído, fatores fundamentais na decisão do consumo.

Alguns indicadores do setor eletroeletrônico refletem esta situação:

O mercado de telefones celulares, em unidades, deverá retrair-se 10% em 2016, decorrente da queda de 11% nas vendas de smartphones. Apesar disso, o faturamento de celulares crescerá 2%, em razão do aumento no volume de vendas de smartphones de maior valor agregado neste ano.

Também ocorrerá queda significativa nas vendas de computadores, tanto de desktops (-37%) quanto de notebooks (-30%) e de tablets (-32%), ocasionando uma retração do faturamento de 23%, a maior queda entre os segmentos que compõe a indústria eletroeletrônica.

Ainda pelo lado do consumo, o faturamento da indústria de Material Elétrico de Instalação deverá cair 7%, em função tanto da retração das vendas ao consumidor (manutenção e pequenas reformas), quanto da redução dos investimentos das construtoras decorrentes da baixa procura por moradias e dos elevados estoques de imóveis.

Por sua vez, os segmentos de bens de capital sofreram com a queda de investimentos no país.

Alguns indicadores mostram o recuo dos investimentos: como a redução real de 12% na formação bruta de capital fixo, no período de janeiro a setembro de 2016 comparado com igual período de 2015; e diminuição dos desembolsos do BNDES, que recuaram 32% no período de 12 meses encerrado em outubro de 2016 comparado com o período imediatamente anterior.

Portanto, justificam-se as quedas de 5% e 8% nos setores de Automação Industrial de Equipamentos Industriais respectivamente, cujos mercados dependem basicamente de investimentos produtivos.

Por sua vez, o segmento de infraestrutura para Telecomunicações deverá retrair-se 15%. Neste caso, o principal fator responsável é a queda do investimento das operadoras de telefonia.

Por fim, a área de GTD – Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica, apesar do crescimento de 3%, não reflete a atual situação do setor, dado que este segmento tem sido alimentado com encomendas em carteira decorrentes de leilões realizados no ano passado, e neste ano de 2016.

Algumas empresas fabricantes de equipamentos para GTD ainda tiveram crescimento de faturamento significativo no 1º semestre deste ano, o que não aconteceu no 2º semestre. Alguns episódios tiveram efeitos particularmente negativos para esta indústria, como a liquidação judicial do grupo espanhol Abengoa, que afetou a expansão de importantes linhas de transmissão.

No segmento de Distribuição de Energia, a queda de demanda de energia inibiu os investimentos das operadoras.

As exportações de produtos elétricos e eletrônicos não compensaram a queda de faturamento para o mercado interno. Para 2016 é esperada queda de 5% atingindo US$ 5,6 bilhões, frente aos US$ 5,9 bilhões exportados no ano passado.

Somente as exportações de bens de Informática apresentarão crescimento significativo, com incremento de 30%, totalizando US$ 348 milhões, devido, principalmente, às vendas de impressoras, cujas exportações crescerão 112%, atingindo US$ 85 milhões.

As áreas com os maiores montantes exportados do setor, como Componentes Elétricos e Eletrônicos e Equipamentos Industriais, deverão registrar quedas nas vendas externas de 9% e 5%, respectivamente.

A instabilidade da taxa de câmbio em patamares desfavoráveis à competitividade da indústria foi o principal fator que impediu um melhor desempenho das vendas externas.

Destaque-se que a taxa de câmbio mínima para garantir a competitividade dos produtos do setor no mercado externo é da ordem de R$ 3,80/US$.

Neste ano, a taxa de câmbio atingiu R$ 4,05/US$ em janeiro, porém foi recuando no decorrer dos meses, registrando R$ 3,19/US$ em outubro.

Já as importações deverão alcançar US$ 25,3 bilhões, com retração de 20% em relação às realizadas no ano passado.

Notaram-se quedas expressivas nas importações de bens finais como Telecomunicações, Informática, Materiais Elétricos de Instalação, Equipamentos Industriais e Automação Industrial, que refletem a retração do mercado interno para estes produtos. As importações de Componentes Elétricos e Eletrônicos também recuaram, e neste caso, foram atingidas pela redução na atividade produtiva do setor.

Com o baixo nível dos negócios, as consequências para a atividade da indústria eletroeletrônica podem ser sintetizadas pelos seguintes indicadores:

A produção do setor deverá retrair-se 10% em 2016, que se adicionada à queda de 2015 (-21%), representa retração de mais de 30% nos últimos dois anos.

O número de empregados terminará o ano com 234,0 mil trabalhadores, 14,1 mil abaixo de final de 2015 (248,1 mil) e 59,6 mil a menos do que o resultado final de 2014 (293,6 mil).

Os investimentos em ativo fixo pelas indústrias do setor deverão atingir R$ 2,4 bilhões, 25% abaixo dos realizados em 2015 (R$ 3,2 bilhões) e 37% inferiores aos ocorridos em 2014 (US$ 3,8 bilhões).

O nível de utilização da capacidade produtiva que, no final de 2014 estava em 82%, passou para 69% no final de 2015 para 71% no final de 2016, devido à pequena reação da produção no final do ano.

Perspectivas

Para 2017, não estão previstas reações importantes na atividade do setor eletroeletrônico, dada à pequena taxa de crescimento esperada para o PIB (próximo de 1%).

Para o faturamento da indústria eletroeletrônica, a estimativa é de crescimento de apenas 1% em 2017, resultado de uma variação muito próxima da estabilidade em todos os segmentos do setor, situando-se entre de -1% a +3%.

Deverá ocorrer pequena recuperação da taxa de investimentos do País, de 15% do PIB, em 2016, para 15,5%, em 2017. O ambiente para o consumo deverá ainda ter influência do aumento da taxa de desemprego e da massa de rendimento real em queda no próximo ano.

Tanto as exportações como as importações deverão ficar no mesmo nível de 2016, uma vez que o câmbio não deverá ter variação que possa trazer maior competitividade para a indústria. Ressalta-se também que a atividade do setor deverá continuar contraída, não estimulando a demanda de produtos do setor de importados, seja de componentes, seja de produtos finais.

Os investimentos deverão permanecer estáveis, o mesmo acontecendo para a produção e o emprego.

Assim, os recursos investidos deverão alcançar R$ 2,46 bilhões no ano de 2017, com crescimento de 2% na comparação com 2016, enquanto o setor empregará 235 mil trabalhadores, 1 mil funcionários a mais do que no final do ano anterior.

ANEXOS

Produção Física

Principais Indicadores - Dados atualizados em Dezembro de 2016

Produção Física

(1) Projeção,

(2) Série Revisada.

Apresentação - Dezembro 2016 - (2,0 Mb)

 

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