Desempenho Setorial

Comportamento da Indústria Elétrica e Eletrônica em 2021

Desempenho do Setor - Dados atualizados em março de 2022

Atividade do Setor

Os principais indicadores do setor eletroeletrônico encerraram o ano de 2021 com crescimento em relação à 2020, superando também os patamares de 2019, período anterior à pandemia.

O faturamento da indústria eletroeletrônica atingiu R$ 211,3 bilhões no ano de 2021, com crescimento nominal de 22% em relação ao realizado em 2020 (R$ 173,2 bilhões).

Em termos reais, ou seja, descontando a inflação do setor de 16%, o incremento foi de 5%. Vale destacar que este resultado também foi 4% superior ao obtido em 2019.

A produção de bens do setor em 2021 aumentou 1,4% em relação ao ano anterior, com elevação de 4,4% na área elétrica e queda de 1,9% na área eletrônica.

Neste caso a produção recuperou a maior parte da queda de 2020, ficando 0,5% abaixo do patamar apontado em 2019.

Por sua vez, o número de empregados no setor passou de 247,3 mil em dezembro de 2020 para 263,8 mil funcionários no final de 2021, representando elevação de 7%, ou seja, incremento de 16,5 mil trabalhadores.

Vale ressaltar que, com exceção apenas dos meses de dezembro (de 2020 e de 2021), o nível de emprego da indústria eletroeletrônica vem aumentando desde junho de 2020, acumulando incremento de 29,3 mil funcionários no total destes dois últimos anos.

A utilização da capacidade instalada passou de 78% em dezembro de 2020 para 79% no final de 2021. Nota-se que esse indicador não apontou variações significativas durante o ano, oscilando entre 77% e 79% no decorrer dos meses.

No caso das exportações, observou-se elevação de 28%, totalizando US$ 5,7 bilhões. Com esse incremento, as vendas externas de bens da indústria eletroeletrônica ficaram 2% acima das registradas no ano de 2019, quando haviam atingido US$ 5,63 bilhões.

Ainda no que se refere às exportações, cresceram as vendas externas de bens de todas as áreas do setor com variações entre 5% (GTD – Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica) e 50% (Material Elétrico de Instalação).

Os componentes para equipamentos industriais foram os itens mais exportados do setor, somando US$ 707 milhões, 32% acima de 2020.

Notou-se também elevação nas vendas para todas as regiões. Os principais destinos das exportações do setor continuaram sendo os países da Aladi e os Estados Unidos, que juntos representaram 70% do total.

As importações cresceram 26%, somando US$ 40,2 bilhões, refletindo a retomada atividade da indústria.

Neste caso, o total importado de bens do setor em 2021 ficou 25% acima do apontado em 2019.

Ainda referente às importações, todas as áreas registraram taxas positivas, com destaque para o incremento de 70% na área de GTD.

Neste caso, destacou-se o aumento expressivo nas compras externas de módulos fotovoltaicos (+128%), que passaram de US$ 1 bilhão em 2020 para US$ 2,3 bilhões em 2021.

Os semicondutores foram os produtos mais importados do setor, totalizando US$ 5,6 bilhões (+26%).

Os países da Ásia foram as principais origens das importações de bens do setor, participando com 73% do total, sendo que apenas a China representou 50%.

Com isso, o déficit da balança comercial atingiu US$ 34,4 bilhões, resultado 26% superior ao apresentado no ano anterior (US$ 27,3 bilhões).

Os investimentos cresceram 23%, totalizando R$ 3,6 bilhões, o que representa 1,7% do faturamento.

Desempenho por áreas

Ao analisar o desempenho do Setor Eletroeletrônico por áreas em 2021 comparado com 2020, destaca-se que todas as áreas apontaram crescimento em termos reais, já descontada a inflação.

A área de Informática (+17%) apontou resultado positivo novamente em 2021, registrando a maior taxa de incremento do setor. Vale lembrar que essa foi a única área que havia crescido em 2020.

Os resultados favoráveis observados nestes dois últimos anos contaram com o aquecimento do mercado de notebooks. As vendas destes produtos foram impulsionadas pelo home office e pelo ensino à distância, em função das medidas de isolamento decorrentes da pandemia de Covid-19.

Conforme os dados do IDC, o mercado de notebooks cresceu novamente em 2021, com incremento de 40%, atingindo 7 milhões de unidades.

Destaca-se que, em 2021, cresceram também os mercados de desktops (+25%) e de tablets (+23%), somando 1,7 milhão e 3,6 milhões de unidades, respectivamente.

O aumento das vendas destes itens continuou contando com o atendimento às necessidades de home office e do ensino à distância e também por compras governamentais.

O mercado de bens de Automação Industrial (+5%) permaneceu aquecido devido à aceleração da transformação digital ocorrida nesses dois últimos anos em função da pandemia, que exigiu operações mais remotas e mais digitais.

Os negócios da área de Equipamentos Industriais (+6%) foram beneficiados por investimentos de setores exportadores como papel e celulose, mineração, siderurgia e proteína animal.

A elevação do faturamento de GTD – Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (+1%) resultou da melhora na atividade dos seus três segmentos.

No caso da Geração, a iminência da crise hídrica antecipou projetos eólicos, termoelétricos e solares.

O segmento de Transmissão contou com negócios decorrentes dos leilões que foram retomados em 2018.

E na Distribuição, observou-se, em 2021, a retomada de investimentos que não foram realizados em 2020 devido à queda abrupta do consumo decorrente da pandemia.

A área de Telecomunicações apontou crescimento real de 3%, o que representa incremento nominal de 14%. Essa elevação decorreu do acréscimo de 15% no faturamento de telefones celulares e do aumento de 11% no segmento de infraestrutura.

Conforme dados do IDC, o mercado oficial de telefones celulares caiu 6% em unidades em 2021, totalizando 42,2 milhões de unidades.

Destaca-se a preocupação com o aumento do mercado não oficial de smartphones, que atingiu 3,5 milhões de unidades em 2021. Esses aparelhos aumentaram sua participação no mercado total de smartphones de menos de 2% em 2018 para mais de 8% em 2022.

Ainda no que se refere à área de Telecomunicações, as expectativas para os próximos anos são favoráveis devido ao Leilão 5G realizado em novembro de 2021, que permitirá o avanço definitivo de serviços de quinta geração. Esse leilão será um marco para todo o setor de telecomunicações.

Os negócios da área de Material Elétrico de Instalação (+1%) contaram com o aumento das pequenas obras e reformas, conhecidas como “formiguinhas”, estimuladas pelo home office. Esse comportamento já havia sido observado em 2020 e permaneceu, principalmente, no 1º semestre de 2021.

O desempenho das indústrias fabricantes de Componentes Elétricos e Eletrônicos (+9%) variou de acordo com o ramo de atividade, com destaque para o aquecimento nas vendas de componentes destinados a bens de informática.

Principais Dificuldades do Ano de 2021

A pandemia de Covid-19 gerou uma desorganização nas cadeias produtivas globais. Com isso, desde 2020, as empresas começaram a ter dificuldades na aquisição de componentes e matérias-primas em função da falta destes itens no mercado.

No caso específico de semicondutores, existe uma crise mundial de abastecimento. Conforme sondagens realizadas pela Abinee, cerca de 70% das empresas do setor que utilizam esses componentes apontaram dificuldades na aquisição destes itens.

Esses problemas vêm causando impactos na atividade da indústria eletroeletrônica, como atraso na produção e entrega, e em alguns casos pontuais, chegando à paralisação parcial em algumas linhas de produção.

É importante destacar que nenhuma empresa do setor eletroeletrónico relatou paralisação total da produção devido à falta de componentes eletrônicos.

Ressalta-se também que essas dificuldades estão gerando pressões acima do normal nos custos de componentes e matérias-primas, fatores que inibem a atividade.

Além disso, as empresas também estão enfrentando gargalos logísticos decorrentes da pandemia, tais como: aumentos expressivos nos preços dos fretes, dificuldade na reserva de contêineres, atrasos no recebimento de cargas, elevação nos custos de armazenamento de cargas em galpão, entre outros.

Perspectivas

O ano de 2022 será um ano com muitos desafios. Os indicadores econômicos, conforme Boletim Focus do Banco Central, mostram um cenário de incertezas, com crescimento do PIB mais modesto e elevação na inflação e na taxa Selic.

Com isso, a indústria eletroeletrônica deverá apontar resultados mais discretos. Vale lembrar que 2021 o setor apontou desempenho favorável, portanto não será uma base fraca de comparação, como foi o ano de 2020.

Mesmo assim, 2022 será um ano de crescimento para a indústria eletroeletrônica.

As atenções continuarão voltadas para as dificuldades, citadas acima, que poderão continuar ao longo do ano.

Além disso, mesmo com o bom ritmo de vacinação no Brasil, o setor continuará acompanhando o controle da pandemia no País e no mundo, devido ao surgimento de novas variantes em algumas regiões.

Outros pontos de atenção para 2022 são: o aumento da inflação e a elevação da taxa de juros, fatores que inibem novos investimentos; oscilação da taxa de câmbio; crise hídrica e incertezas políticas, visto que 2022 será ano eleitoral.

Mesmo com esses entraves, as expectativas para 2022 são favoráveis. Conforme sondagens realizadas pela Abinee, 74% das entrevistadas pretendem ampliar os investimentos em 2022 e 73% têm intenção de aumentar o quadro de funcionários em 2022.

Ainda para 2022, 67% das empresas projetam crescimento nas vendas/encomendas comparadas a 2021, 27% estabilidade e apenas 6% preveem queda.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico, conforme dados da CNI agregados pela Abinee, atingiu 55,1 pontos no mês de dezembro.

Destaca-se que, apesar das quedas observadas a partir de setembro de 2021, o ICEI da indústria eletroeletrônica permanece acima da linha divisória dos 50 pontos desde agosto de 2020, demonstrando que o empresário industrial do setor continua confiante, porém com otimismo mais moderado.

Vale lembrar que o ICEI varia de 0 a 100 pontos, sendo que valores acima de 50 pontos mostram confiança do empresário industrial e abaixo de 50 pontos apontam falta de confiança.

ANEXOS

Anexos

Principais Indicadores - Dados atualizados em agosto de 2022

 

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Informações Imprensa

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