Desempenho Setorial

Dados atualizados em abril de 2017

O faturamento da indústria eletroeletrônica, no ano de 2016, atingiu R$ 129,4 bilhões, 9% inferior ao verificado no ano de 2015 (R$ 142,5 bilhões), o que representou queda real de 13%.

A baixa atividade dessa indústria foi indicada tanto pelo segmento de bens de consumo, como de bens de capital.

Pelo lado dos bens de consumo, a queda da renda da população, a alta e crescente taxa de desemprego e o elevado endividamento foram fatores que efetivamente inibiram a iniciativa de compra dos consumidores.

Além disso, durante todo o ano, os consumidores conviveram com juros elevados e crédito contraído, elementos fundamentais na decisão do consumo.

Alguns indicadores do setor eletroeletrônico refletem esta situação:

O mercado de telefones celulares, em unidades, retraiu-se 5% em 2016, decorrente da queda de 7% nas vendas de smartphones. Apesar disso, o faturamento de celulares cresceu 10%, em razão do aumento no volume de vendas de smartphones de maior valor agregado neste ano.

Também ocorreu queda significativa nas vendas, em unidades, de computadores, tanto de desktops (-35%) quanto de notebooks (-30%) e de tablets (-32%), ocasionando uma retração do faturamento da área de Informática de 30%, a maior queda entre os segmentos que compõe a indústria eletroeletrônica.

Ainda pelo lado do consumo, o faturamento da indústria de Material Elétrico de Instalação caiu 7%, em função tanto da retração das vendas ao consumidor (manutenção e pequenas reformas), quanto da redução dos investimentos das construtoras decorrentes da baixa procura por moradias e dos elevados estoques de imóveis.

Por sua vez, os segmentos de bens de capital sofreram com a queda de investimentos no país.

Alguns indicadores mostram o recuo dos investimentos: como a redução de 8% na formação bruta de capital fixo, em 2016 comparado com 2015; e diminuição de 35% dos desembolsos do BNDES, neste mesmo período.

Portanto, justificam-se as quedas de 8% e 10% nos setores de Automação Industrial de Equipamentos Industriais respectivamente, cujos mercados dependem basicamente de investimentos produtivos.

Por sua vez, o segmento de infraestrutura para Telecomunicações retraiu 9%. Neste caso, o principal fator responsável foi a queda do investimento das operadoras de telefonia.

Por fim, a área de GTD – Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica, apesar do crescimento de 3%, não reflete a atual situação do setor, dado que este segmento tem sido alimentado com encomendas em carteira decorrentes de leilões realizados nos dois últimos anos.

Algumas empresas fabricantes de equipamentos para GTD ainda tiveram crescimento de faturamento significativo no 1º semestre deste ano, o que não aconteceu no 2º semestre. Alguns episódios tiveram efeitos particularmente negativos para esta indústria, como a liquidação judicial do grupo espanhol Abengoa, que afetou a expansão de importantes linhas de transmissão.

No segmento de Distribuição de Energia, a queda de demanda de energia inibiu os investimentos das operadoras.

As exportações de produtos elétricos e eletrônicos não compensaram a queda de faturamento para o mercado interno. Em 2016 as vendas externas recuaram 5%, atingindo US$ 5,6 bilhões, frente aos US$ 5,9 bilhões exportados no ano anterior.

As exportações de bens de Informática apresentaram crescimento significativo, com incremento de 31%, totalizando US$ 349 milhões, devido, principalmente, às vendas de impressoras, cujas exportações aumentaram 108%, atingindo US$ 83 milhões.

As áreas com os maiores montantes exportados do setor, como Componentes Elétricos e Eletrônicos e Equipamentos Industriais, que registraram quedas nas vendas externas de 7% e 8%, respectivamente.

A instabilidade da taxa de câmbio em patamares desfavoráveis à competitividade da indústria foi o principal fator que impediu um melhor desempenho das vendas externas.

Destaque-se que a taxa de câmbio mínima para garantir a competitividade dos produtos do setor no mercado externo é da ordem de R$ 3,80/US$.

Em 2016, a taxa de câmbio atingiu R$ 4,05/US$ em janeiro, porém foi recuando no decorrer dos meses, atingindo R$ 3,18/US$ em outubro e R$ 3,35/US$ em dezembro.

Já as importações alcançaram US$ 25,6 bilhões, com retração de 19% em relação às realizadas no ano anterior.

Notaram-se quedas expressivas nas importações de bens finais como Telecomunicações, Informática, Materiais Elétricos de Instalação, Equipamentos Industriais e Automação Industrial, que refletem a retração do mercado interno para estes produtos. As importações de Componentes Elétricos e Eletrônicos também recuaram, e neste caso, foram atingidas pela redução na atividade produtiva do setor.

Com o baixo nível dos negócios, as consequências para a atividade da indústria eletroeletrônica podem ser sintetizadas pelos seguintes indicadores:

A produção do setor retraiu-se 11% em 2016, que se adicionada à queda de 2015 (-21%), representa retração de 30% nos últimos dois anos.

O número de empregados terminou o ano de 2016 com 232,8 mil trabalhadores, 15,3 mil abaixo de final de 2015 (248,1 mil) e 60,8 mil a menos do que o resultado final de 2014 (293,6 mil).

Os investimentos em ativo fixo pelas indústrias do setor atingiram R$ 2,4 bilhões, 26% abaixo dos realizados em 2015 (R$ 3,2 bilhões) e 38% inferiores aos ocorridos em 2014 (US$ 3,8 bilhões).

O nível de utilização da capacidade produtiva que, no final de 2014 estava em 82%, passou para 69% no final de 2015, e para 71% no final de 2016, devido à pequena reação da produção no final do ano.

ANEXOS

Produção Física

Principais Indicadores - Dados atualizados em Julho de 2017

Produção Física

Apresentação - Dezembro 2016 - (2,0 Mb)

 

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