Desempenho Setorial

Desempenho do Setor - Dados atualizados em março de 2021

Os principais indicadores do setor eletroeletrônico encerraram o ano de 2020 próximos da estabilidade. Este foi um ano atípico marcado por fortes oscilações no decorrer dos meses devido aos impactos da pandemia de Covid-19.

A indústria eletroeletrônica iniciou o ano com expectativas favoráveis, apontando resultados positivos no 1º trimestre.

Porém já em fevereiro, antes mesmo do Coronavírus chegar ao Brasil, a produção do setor, principalmente da área eletrônica, já começou a sentir os efeitos da Covid-19 devido às dificuldades de abastecimento de componentes da China, onde o fechamento da economia já havia sido iniciado.

Em meados de março, a pandemia chegou ao Brasil, causando impactos expressivos na atividade do setor, principalmente nos meses de abril e maio.

A partir de junho, os principais indicadores da indústria eletroeletrônica começaram a sinalizar o início da recuperação da atividade, registrando resultados mais favoráveis nos 3º e 4º trimestres do ano.

Com isso, o faturamento da indústria eletroeletrônica atingiu R$ 173,2 bilhões no ano de 2020, apontando crescimento nominal de 13% em relação ao realizado em 2019 (R$ 153,0 bilhões). Em termos reais, ou seja, descontando a inflação do setor, verificou-se queda de 1%, visto que o IPP – Índice de Preços ao Produtor do IBGE do setor eletroeletrônico ficou em 14% no ano.

Essa retração modesta de 1% contou com a retomada da atividade iniciada a partir do 3º trimestre deste ano. Vale lembrar que, no final do 1º semestre de 2020, o faturamento do setor caiu 7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. (dados reais – descontados a inflação)

A produção de bens do setor em 2020 recuou 2,2% em relação a 2019, com queda de 2,6% na área elétrica e redução de 1,7% na eletrônica. Essa retração também foi menos expressiva do que a registrada no final do 1º semestre, que apontava recuo de 6% no acumulado dos últimos 12 meses.

Por sua vez, o número de empregados no setor aumentou de 234,5 mil em 2019 para 248,1 mil no final de 2020, representando elevação de 6%, ou seja, incremento de 13,7 mil trabalhadores.

Vale lembrar que o nível de emprego apontou fortes quedas entre os meses de março e maio, chegando a perder 14 mil postos de trabalho naqueles três meses.

Porém, a partir do mês de junho de 2020, o número de empregos voltou a crescer apontando crescimentos significativos nos meses seguintes que foram suficientes para ultrapassar os patamares registrados antes do início da pandemia de Covid-19, que estava em 240,7 mil em fevereiro de 2020.

A utilização da capacidade instalada encerrou 2020 no mesmo patamar de 2019 (78%). Destaca-se que esse indicador chegou a atingir 57% no mês de abril, retomando gradualmente no decorrer dos meses seguintes.

Por outro lado, as exportações não esboçaram reação no decorrer do ano recuando 20% em relação a 2019, passando de US$ 5,6 bilhões para US$ 4,5 bilhões.

Com exceção da área de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica – GTD – (+13%), as demais áreas apontaram queda nas vendas externas com variações entre -8% (Utilidades Domésticas) e -49% (Automação Industrial).

O incremento da área de GTD contou com a elevação de 148% nas exportações de grupos eletrogêneos.

Notou-se também que a retração nas exportações ocorreu para quase todas as regiões, com exceção dos países da Ásia exceto a China (+9%). Porém, é importante destacar que a participação destes países no total das exportações de bens do setor não foi muito expressiva ao comparar com as demais regiões, atingindo 6%.

Os principais destinos das exportações do setor continuaram sendo os Estados Unidos e Aladi, que juntos representaram 69% do total.

As importações caíram 7%, refletindo o baixo nível de atividade da indústria.

Outro fator que também inibiu o desempenho das importações foi a desvalorização cambial. Vale lembrar que o dólar em 2019 estava sendo cotado a R$ 3,95 e em 2020 atingiu R$ 5,16 (média anual).

Ainda referente às importações, foram observadas taxas negativas em quase todas as áreas do setor, com exceção de Telecomunicações (+8%) e Informática (+3%).

Destacou-se o incremento de 71% das compras da Argentina, porém nota-se que a maior parte dessas importações foi concentrada nas aquisições pontuais de aparelhos para liquefação de ar ou de outros gases.

Vale lembrar também que a participação da Argentina no total das importações do setor foi de apenas 0,4%.

Além da Argentina, também foi observado incremento nas compras da China (+1%).

Os países da Ásia foram as principais origens das compras externas de bens do setor, participando com 74% do total, sendo que apenas a China representou 48%.

Com isso, o déficit da balança comercial atingiu US$ 25,3 bilhões, resultado 4% inferior ao apresentado em 2019 (US$ 26,4 bilhões). Essa queda foi influenciada pela retração de 7% nas importações.

As exportações também caíram 20%, não contribuindo, portanto, com a redução do saldo negativo da balança de produtos do setor.

Desempenho por áreas

Ao analisar o desempenho do Setor Eletroeletrônico por áreas em 2020 comparado com 2019, a área de Informática (+15%) foi a única a apresentar crescimento em termos reais.

Destaca-se que mesmo com as fortes retrações verificadas no 2º trimestre de 2020 decorrentes da quarentena em função da pandemia de Covid-19, a maior parte das demais áreas do setor apontaram quedas modestas no faturamento real.

A indústria eletroeletrônica conseguiu retomar a atividade a partir do 3º trimestre deste ano, encerrando 2020 próximo à estabilidade.

O incremento da área de Informática contou com o aquecimento do mercado de notebooks decorrente do home office e do ensino à distância que foram impulsionados a partir de março deste ano devido às medidas de isolamento decorrentes da pandemia de Covid-19.

Conforme os dados do IDC, o mercado de notebooks em unidades aumentou 22% em 2020 comparado a 2019, atingindo 5,0 milhões de unidades.

Por outro lado, os desktops recuaram 23% e os tablets caíram 14%.

Além da desvalorização cambial, o aumento das vendas de notebooks contribuiu com a elevação do faturamento da área de Informática, visto que esses equipamentos apresentam preços médios mais elevados do que os desktops e os tablets.

Destacou-se também a expansão nas vendas de computadores pessoais mais caros. Conforme dados do IDC, a participação do mercado de PCs em unidades com preços superiores a R$ 3 mil aumentou de 31% em 2019 para 49% em 2020. Vale ressaltar que o home office e o ensino a distância citados acima exigem equipamentos com mais recursos, maior capacidade, consequentemente com preços mais elevados.

O faturamento real da área de Material Elétrico de Instalação (-1%) ficou praticamente estável em 2020. Neste caso, as vendas destes itens não sofreram oscilações tão bruscas no decorrer do ano, visto que as lojas de matérias de construção foram consideradas essenciais e continuaram abertas mesmo durante o período de quarentena.

Esse segmento contou também com o aumento das pequenas obras e reformas, conhecidas como “formiguinhas” durante o período de isolamento social.

Também foi modesta a retração do faturamento real da área de GTD em 2020 comparada com o ano anterior (-2%).

No caso da Geração, destacou-se a expansão de investimentos para atender o mercado livre.

Na Transmissão, o faturamento foi resultado dos negócios já em andamento, decorrentes dos leilões dos últimos anos, especialmente, de 2017 para cá.

E na Distribuição, observou-se aumento dos investimentos das distribuidoras com o objetivo de garantir o fornecimento de energia durante a pandemia.

A área de Telecomunicações apontou queda real de 5%, o que representa crescimento nominal de 8%. Esse incremento decorreu do acréscimo de 16% no faturamento de telefones celulares, visto que o segmento de infraestrutura recuou 11%.

Conforme dados do IDC, o mercado de telefones celulares em unidades caiu 7% em 2020, totalizando 42,3 milhões de unidades.

Notou-se que o mercado de celulares sofreu os impactos da pandemia, devido às incertezas dos consumidores, principalmente no 1º semestre do ano. Neste período, o consumidor deu preferência à aquisição de notebooks, como já citado anteriormente.

A partir do 3º trimestre de 2020, o mercado de celulares voltou a aquecer, reduzindo os impactos negativos verificados no 2º trimestre deste ano, período mais afetado pela pandemia. Apesar da queda em unidades, as vendas de aparelhos com mais recursos, com mais tecnologia, e consequentemente mais caros contribuiu para o aumento do faturamento desses itens.

Conforme dados do IDC, a participação do mercado de smartphones com preços inferiores a R$ 1.099,00 recuou de 66% em 2019 para 40% em 2020. Enquanto que foi observada elevação nas vendas de aparelhos que custam mais de R$ 2,5 mil, que passaram de 12% para 18% do total.

Os desempenhos das empresas fabricantes de bens de Automação Industrial (-8%) e Equipamentos Industriais (-3%), variaram de acordo com os tamanhos dos projetos e com os segmentos de atuação.

Os projetos grandes e de ciclo longo continuaram em andamento mesmo durante o pior momento da pandemia. Os efeitos mais nocivos foram verificados nos projetos menores e de ciclo curto, principalmente no 2º trimestre deste ano, porém já apresentando recuperação a partir do 3º trimestre.

Também foi observado aumento nos negócios voltados a alguns segmentos de atuação, tais como alimentos, bebidas, farmacêuticos, ou seja, segmentos que tiveram aumento na demanda mesmo durante o período mais crítico da pandemia.

O comportamento das indústrias fabricantes de Componentes Elétricos e Eletrônicos também variou de acordo com o ramo de atividade, com destaque para o aquecimento nas vendas de componentes destinados a notebooks e games.

Perspectivas

Para o ano de 2021, os indicadores econômicos, conforme Boletim Focus do Banco Central, deverão ser favoráveis, com crescimento do PIB acima de 3%.

Com a melhora da economia, o setor eletroeletrônico poderá mostrar um crescimento mais robusto em 2021.

Conforme Sondagem realizada com os associados da Abinee, 75% das empresas estão projetando crescimento nas vendas/encomendas para 2021 em relação a 2020; 22%, estabilidade e apenas 3%, queda.

O índice de confiança das empresas do setor, medido pela CNI e agregado pela Abinee, atingiu 64,2 pontos em dezembro de 2020, resultado superior ao verificado no mesmo período de 2019 (63,1). Vale lembrar que resultados acima de 50 pontos indicam confiança do empresário industrial.

Portanto, para 2021, espera-se elevação de 13% no faturamento do setor eletroeletrônico, que deverá alcançar R$ 195 bilhões, com incremento em todas as áreas do setor, com variações entre +5% (Componentes Elétricos e Eletrônicos) e +20% (Informática).

Descontando a inflação do setor, o crescimento real da indústria eletroeletrônica deverá ficar em 7%.

Ainda referente ao ano 2021, são previstos crescimento de 6% na produção, aumento da mão de obra empregada no setor, que passará de 248,1 mil funcionários no final de 2020 para 258,0 mil no final de 2021 e elevação de 78% para 82% na utilização da capacidade instalada.

As exportações deverão crescer 7% e as importações aumentarão 10%.

Porém é importante destacar, que mesmo com as perspectivas favoráveis para 2021, os empresários continuam cautelosos.

As empresas do setor eletroeletrônico esperam que a retomada da atividade continue nos próximos meses, porém, estão atentas à evolução do coronavírus no Brasil e no mundo.

Vale lembrar que essas projeções foram realizadas antes do mês de março, ou seja, ainda não foi considerado o agravamento da pandemia observado neste último mês.

Apesar das incertezas quanto ao curso da pandemia, existe muita expectativa devido ao início da aplicação da vacina.

ANEXOS

Anexos

Principais Indicadores - Dados atualizados em maio de 2021

 

Informações Adicionais

Cristina Keller

Analista de Economia

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Informações Imprensa

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Assessor de Comunicação

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