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No início do ano, na fase mais aguda da retração do setor eletroeletrônico, as empresas mais afetadas foram as das áreas de bens de consumo, como celulares, notebooks, utilidades domésticas e material elétrico de instalação. A situação desses segmentos foi agravada em função da sazonalidade do mercado, caracterizado por baixo volume de negócios.
Por outro lado, as empresas fabricantes de bens de capital (Automação Industrial e Equipamentos Industriais) e infraestrutura (de Telecomunicações e de Energia Elétrica) ainda mantinham em carteira encomendas obtidas no período pré-crise, apesar das reprogramações e cancelamentos de pedidos ocorridos, e contaram, ainda, com os investimentos dos setores de petróleo e gás que garantiram níveis razoáveis de faturamento nos primeiros meses do ano.
A agilidade do governo na adoção de medidas anti-crise, como as indicadas a seguir, foi fator importante para a recuperação da atividade do setor:
- Ações para estimular a volta ao crédito, com a agressiva atuação dos Bancos Federais;
- Adequação e criação de programas pelo BNDES, inclusive financiamento para capital de giro e redução de taxas de juros de suas linhas;
- Redução de impostos sobre veículos, produtos da linha branca e materiais para construção civil;
- Ampliação de estímulos à Construção Civil, com o objetivo de construir 1 milhão de residências pelo Programa Minha Casa Minha Vida;
- Investimentos em Petróleo e Gás.
A partir do 2º trimestre de 2009, a indústria eletroeletrônica começou a se recuperar, embora os negócios, de forma geral, permanecessem abaixo dos registrados em 2008. Os setores ligados ao consumo lideraram esta recuperação enquanto que os segmentos de bens de capital, com a falta de novas encomendas, passaram a registrar retração.

Na área de Componentes Elétricos e Eletrônicos, a queda de 13% no faturamento foi resultado da retração de 11% do faturamento dos componentes elétricos e de 22% no de componentes eletrônicos.
No caso de componentes elétricos, o fator negativo foi a retração das exportações, notadamente de motocompressores herméticos para refrigeração, devido à sua relevância para o faturamento desses componentes.
Por outro lado, os estímulos dados pelo governo para o mercado de linha branca, usuário destes motocompressores, refletiram positivamente para as suas vendas, porém não foram suficientes para evitar a queda do faturamento desta área.
As áreas de Automação Industrial e Equipamentos Industriais sofreram as consequências da queda dos investimentos produtivos, principalmente de importantes setores como Siderurgia, Açúcar e Álcool, Papel e Celulose, entre outros. Durante todo o 1º trimestre de 2009, o faturamento dessas áreas foi sustentado pela carteira de pedidos formada antes da crise econômica. No entanto, a partir do 2º trimestre, as empresas se ressentiram da falta de novas encomendas.
No caso de GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica -, a queda do faturamento decorreu da redução dos investimentos das concessionárias, na Co-geração e na Distribuição de Energia Elétrica, devido à retração do consumo.
Os leilões de Geração das usinas de grande porte, como Jirau e Santo Antônio, ainda não repercutiram em faturamento para as empresas, pois os equipamentos ainda estão em fabricação.
Para o segmento de Transmissão, o fluxo de faturamento tem sido regular, em função da rotina com que os leilões de novas linhas têm ocorrido.
O segmento de Distribuição sofreu em função da queda do consumo de energia elétrica pelo setor industrial. Portanto, com a retomada dos investimentos produtivos, deverão voltar, também, os investimentos em distribuição de energia elétrica.
Na área de Informática, o mercado de PCs totalizou 12 milhões de unidades em 2009, mesmo volume comercializado do ano anterior.
Enquanto as vendas de desktops cairam 11% em 2009 na comparação com 2008 (de 7,70 milhões para 6,85 milhões de unidades), as vendas de notebooks, incluindo os netbooks, cresceram 20% (de 4,30 milhões para 5,15 milhões).
Observou-se, assim, a rápida recuperação da área de Informática durante o ano, cujos volumes trimestrais de vendas, em 2009, ficaram muito próximos dos observados em 2008.

Quanto à área de Telecomunicações, especificamente no segmento de infraestrutura, o faturamento foi sustentado, nos primeiros meses do ano, pelos pedidos em carteira contratados antes da crise internacional. A partir de então, as carteiras não foram repostas, refletindo em queda de 18% no faturamento desta indústria.
Por sua vez, o segmento de telefones celulares, que teve suas vendas fortemente afetadas no início do ano, passou a reagir a partir do mês de abril, terminando o ano com queda de 14% frente a 2008.
A produção estimada de celulares para 2009 foi de 62 milhões de aparelhos, sendo que 16 milhões foram destinados às exportações e 46 milhões para o mercado interno. Destes 46 milhões de celulares, 23,4 milhões foram destinados a novas linhas.
Destaca-se a retração de 34% das exportações, em unidades, de telefones celulares, em 2009, na comparação com 2008. Esta queda decorreu de políticas administrativas da Argentina, Venezuela e Equador, para redução das importações.
O faturamento do setor de Material Elétrico de Instalação também foi fortemente afetado no início da crise internacional e, com as medidas do governo para estimular o setor imobiliário, registrou recuperação no transcorrer do ano. Tanto a redução do IPI para materiais de construção, como os investimentos do Programa Minha Casa Minha Vida favoreceram esta recuperação, porém não foram suficientes para superar o faturamento do ano anterior.
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