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O faturamento da indústria eletroeletrônica no 1º semestre de 2011 cresceu 11% na comparação com igual período do ano passado. Este resultado ficou abaixo das expectativas da indústria, pois os negócios teriam sido melhores caso não tivesse ocorrido a contínua desvalorização do Dólar em relação ao Real, que atingiu 9%, considerando a média do 1º semestre deste ano comparada com a média do idêntico período de 2010.
Var % do Faturamento por Área por trimestre Reais Correntes
| Áreas |
1ºT/11 X 1ºT/10 |
2ºT/11 X 2ºT/10 |
1ºS/11 X 1ºS/10 |
| Automação Industrial |
15% |
15% |
15% |
| Componentes |
8% |
-1% |
4% |
| Equipamentos Industriais |
14% |
22% |
18% |
| GTD * |
11% |
11% |
11% |
| Informática |
14% |
10% |
12% |
| Material de Instalação |
2% |
8% |
5% |
| Telecomunicações |
20% |
21% |
21% |
| Utilidades Domésticas |
2% |
0% |
1% |
| Total |
11% |
11% |
11% |
* GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica
Compensar esta queda com aumento da produtividade, no curto prazo tem sido um enorme desafio, principalmente para os produtos de maior agregação de valor local, como os produtos elétricos.
Enquanto o faturamento para o mercado interno de componentes elétricos e eletrônicos cresceu em torno de 2%, as importações em Reais cresceram 4%, portanto a indústria local de componentes perdeu participação no mercado.
Por sua vez, o faturamento de bens finais para o mercado interno cresceu 10% enquanto as importações destes bens cresceram 16% em Reais, o que também mostra a perda de participação da indústria local.
O esforço da indústria local para continuar no mercado pode ser verificado pelo comportamento dos preços do setor.
Conforme o IPP - Índice de Preços ao Produtor -, calculado pelo IBGE, os preços dos bens eletrônicos, no 1º semestre de 2011 em relação ao igual período do ano passado, caíram 11%, enquanto a desvalorização do dólar foi de 9%. Quanto aos elétricos, ocorreu aumento de 5%, demonstrando a dificuldade competitiva do setor devido, tanto ao maior valor de agregação local nos produtos, quanto ao aumento dos preços dos insumos, notadamente commodities metálicas.
Nos últimos meses, tem sido observado crescimento acima do normal das importações de bens elétricos, cujos produtos de fabricação local, historicamente, têm competitividade reconhecida, tanto em preços, como em qualidade e atualização tecnológica.
A título de exemplo, abaixo estão relacionadas algumas importações de equipamentos elétricos, realizadas no 1º semestre deste ano.
Importações de Bens Elétricos - 1º Semestre (US$ milhões)
| Produtos |
2010 |
2011 |
Var% |
| Motores |
150 |
205 |
36% |
| Conversores |
154 |
200 |
30% |
| Isoladores |
52 |
74 |
42% |
| Geradores |
34 |
66 |
95% |
| Disjuntores para GTD |
20 |
41 |
104% |
Apesar do aumento dos investimentos produtivos no país e das condições favoráveis ao consumo (baixo nível de desemprego, aumento da massa salarial), a indústria eletroeletrônica não pôde usufruir integralmente deste cenário em função da dificuldade de competir imposta pela valorização cambial.
Dos setores que compõem a indústria eletroeletrônica, destacaram-se Automação Industrial e Equipamentos Industriais, com crescimento de 15% e 18%, respectivamente. Nestes casos, os investimentos para o aumento da formação bruta do capital fixo do país foram importantes para o crescimento do setor. Os faturamentos desses segmentos corresponderam, em grande parte, às encomendas recebidas no final de 2010 e no 1º trimestre deste ano. No decorrer do 1º semestre, conforme Sondagens Conjunturais realizadas pela ABINEE, o perfil do mercado teve alterações significativas. No 1º trimestre, percebia-se a retomada das contratações de equipamentos sob encomenda, normalmente destinadas a grandes obras industriais. Este fato ocorreu de forma menos evidente no 2º trimestre devido, provavelmente, às incertezas causadas pelas dificuldades econômicas tanto na Europa como Estados Unidos.
Por sua vez, o aumento no consumo teve forte influência no faturamento das áreas de Informática e de Telecomunicações. As vendas de PCs cresceram 17% no 1º semestre deste ano frente ao 1º semestre do ano passado, enquanto que as vendas de celulares, na mesma comparação, cresceram em torno de 25%.
Conforme dados divulgados pelo IDC Brasil, as vendas de computadores passaram de 6,38 milhões de unidades no 1º semestre de 2010, para 7,46 milhões de unidades, no 1º semestre de 2011, atingindo níveis recordes, e colocando o Brasil como o 3º mercado mundial de computadores pessoais. Deve-se ressaltar a importância dos programas do Governo para a inclusão digital que estabeleceu redução dos impostos dos computadores e condições favoráveis de aquisição para públicos específicos.
Também contribuíram para o crescimento do faturamento da indústria eletroeletrônica os investimentos em infraestrutura de energia elétrica e de telecomunicações - neste último caso, com o aumento dos investimentos em banda larga, motivado, em parte, pela definição da Política Nacional, regulamentada neste ano.
Os planos de investimentos em Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD) têm ocorrido com regularidade, propiciando encomendas contínuas de equipamentos nos últimos anos. Apesar das condições favoráveis do mercado, as indústrias locais estão com sérios problemas como: a modalidade de leilões via internet com o encerramento randômico; a falta de pré-qualificação técnica dos participantes dos leilões; incentivo aos investimentos da Zona Franca de Manaus para infraestrutura na Amazônia Ocidental, que dá isenção fiscal aos bens de capital importados, colocando os fornecedores estrangeiros em franca vantagem em relação aos fabricantes de equipamentos das demais regiões do País, especialmente para as grandes obras do Rio Madeira.
O faturamento da área de Material Elétrico de Instalação cresceu 5% na primeira metade de 2011 frente a igual período de 2010, percentual considerado muito fraco apesar dos incentivos dados pelo Governo para a indústria da construção civil, e das condições favoráveis ao consumo das famílias. O mercado de varejo é movimentado pelas lojas dos mais diversos portes e localidades, cujas influências vêm das condições de compras dos consumidores que, como já citado, foram favoráveis neste início de ano.
O crescimento do faturamento da área de Componentes Elétricos e Eletrônicos foi de apenas 4% no 1º semestre de 2011, resultado do aumento de 8% no 1º trimestre e de queda de 1% no 2º trimestre. Este comportamento se deve ao baixo crescimento da área de Utilidades Domésticas e ao aumento das importações de bens finais eletroeletrônicos em geral.
Vendas/Encomendas
A avaliação das encomendas pelas empresas indica que o mercado perdeu consistência no 2º trimestre do ano.
A constatação pode ser observada pelas áreas de Componentes Elétricos e Eletrônicos, Equipamentos Industriais, GTD e Informática, com o aumento da incidência de empresas que indicaram que seus negócios ficaram abaixo das expectativas do 1º para o 2º trimestre.
Quanto às demais áreas, que apresentaram indicações no sentido inverso, destaca-se o caso do segmento de Automação Industrial, cuja tendência natural de crescimento das encomendas neste início de ano, ocorreu devido aos investimentos realizados no ano passado. Os equipamentos de Automação são utilizados na parte final das instalações industriais, portanto, reagem tardiamente às variações do mercado.
No caso da área de Material Elétrico de Instalação, o mercado ainda não reagiu adequadamente às ações de motivação da construção civil. Apesar disso, as indicações são de que as condições favoráveis para o consumo continuarão nos próximos meses. Há que se destacar, também, os reajustes salariais das principais categorias de trabalhadores e, ainda, o aumento do salário mínimo, da ordem de 14%, já definido para o próximo ano.
Por sua vez, o mercado de Telecomunicações deverá crescer em função da continuidade dos investimentos em infraestrutura, especialmente em banda larga.
Porcentagem de Empresas que apresentaram Vendas/Encomendas abaixo das expectativas
| Áreas |
2ºT/09 |
3ºT/09 |
4ºT/09 |
1ºT/10 |
2ºT/10 |
3ºT/10 |
4ºT/10 |
1ºT/11 |
2ºT/11 |
| Automação Industrial |
100% |
100% |
50% |
50% |
57% |
57% |
38% |
43% |
38% |
| Componentes |
82% |
36% |
31% |
9% |
22% |
36% |
30% |
36% |
50% |
| Equip. Industriais |
88% |
100% |
50% |
17% |
0% |
0% |
0% |
17% |
29% |
| GTD |
73% |
87% |
54% |
36% |
62% |
36% |
38% |
38% |
50% |
| Informática |
14% |
43% |
17% |
33% |
33% |
43% |
17% |
17% |
33% |
| Material de Instalação |
67% |
14% |
14% |
14% |
50% |
50% |
50% |
63% |
44% |
| Telecomunicações |
80% |
54% |
10% |
40% |
30% |
27% |
38% |
25% |
20% |
| Total |
72% |
61% |
33% |
29% |
40% |
37% |
32% |
36% |
39% |

Balança Comercial
As exportações continuam perdendo participação nos negócios do setor.
Em Dólares, as exportações de produtos elétricos e eletrônicos cresceram 2% no 1º semestre deste ano em relação a igual período do ano passado, passando de US$ 3,6 bilhões para US$ 3,7 bilhões. Em Reais, esta variação foi de -7% (menos 7 por cento), frente ao crescimento de 11% do faturamento da indústria.
Apesar disso, cresceram as exportações de equipamentos de Automação Industrial, Componentes Elétricos e Eletrônicos e Equipamentos Industriais, com variações de +39%, +17% e +35%, respectivamente.
No caso de Automação Industrial, cresceram as exportações de instrumento de medida e quadros e painéis. Quanto aos Componentes Elétricos e Eletrônicos, as melhores performances foram de eletrônica embarcada, componentes para telecomunicações e componentes passivos. Nos Equipamentos Industriais, destacaram-se os motores e geradores.
Exportações de Produtos do Setor 1º Semestre
| Áreas |
US$ Milhões
|
Var.% |
| 2010 |
2011 |
| Automação Industrial |
165 |
229 |
39% |
| Componentes |
1.413 |
1.646 |
17% |
| Equipamentos Industriais |
465 |
628 |
35% |
| GTD |
431 |
325 |
-25% |
| Informática |
210 |
194 |
-8% |
| Material Elétrico de Instalação |
62 |
64 |
4% |
| Telecomunicações |
637 |
405 |
-36% |
| Utilidades Domésticas |
268 |
251 |
-6% |
| Total |
3.651 |
3.742 |
2% |
Produtos mais exportados - 1º Semestre (US$ milhões)
| Produtos |
2010 |
2011 |
Var % |
| Eletrônica Embarcada |
354 |
457 |
29% |
| Motocompressor Hermético |
324 |
328 |
1% |
| Motores e Geradores |
227 |
311 |
37% |
| Comp. p/ Equip. Industriais |
253 |
288 |
14% |
| Telefones Celulares |
535 |
275 |
-48% |
| Instrumento de Medida |
96 |
118 |
23% |
| Comp. p/ Telecomunicações |
87 |
117 |
35% |
| Comp. p/ Mater. Instalação |
110 |
111 |
1% |
| Transformadores |
171 |
93 |
-46% |
| Impressoras |
48 |
72 |
49% |
Já as importações de produtos elétricos e eletrônicos atingiram US$ 19,4 bilhões no 1º semestre de 2011, 20% acima do mesmo período do ano passado (US$ 16,2 bilhões).
As compras externas de todas as áreas cresceram em percentuais que variaram de 15% a 47%. Entre os segmentos com aumentos mais significativos está o de aparelhos celulares, que atingiu US$ 490 milhões no 1º semestre deste ano, 111% acima das importações registradas em igual período de 2010 (US$ 232 milhões). Em número de aparelhos, as compras externas passaram de 2,6 milhões para 7,3 milhões.
Importações de Produtos do Setor 1º Semestre
| Áreas |
US$ Milhões
|
Var.% |
| 2010 |
2011 |
| Automação Industrial |
1.311 |
1.647 |
26% |
| Componentes |
9.013 |
10.361 |
15% |
| Equipamentos Industriais |
1.532 |
1.834 |
20% |
| GTD |
567 |
832 |
47% |
| Informática |
1.342 |
1.592 |
19% |
| Material Elétrico de Instalação |
492 |
575 |
17% |
| Telecomunicações |
1.118 |
1.645 |
47% |
| Utilidades Domésticas |
777 |
954 |
23% |
| Total |
16.152 |
19.439 |
20% |
Produtos mais importados 1º Semestre
| Produtos |
US$ Milhões
|
Var.% |
| 2010 |
2011 |
| Comp. p/ Telecomunicações |
1.998 |
2.636 |
32% |
| Semicondutores |
2.057 |
2.386 |
16% |
| Componentes p/ Informática |
1.865 |
1.490 |
-20% |
| Instrumentos de Medida |
584 |
741 |
27% |
| Eletrônica Embarcada |
582 |
736 |
26% |
| Comp. p/ Equips Industriais |
416 |
554 |
33% |
| Telefones Celulares |
232 |
490 |
111% |
| Comp. p/ Mater. Instalação |
357 |
454 |
27% |
| Maqs. p/ Processament. Dados |
317 |
443 |
40% |
| Aparelhos Eletromédicos |
332 |
356 |
7% |
Emprego
O número de empregados do setor aumentou em 4,7 mil trabalhadores, passando de 174,7 mil, em dezembro de 2010, para 179,4 mil, no final de junho de 2011.
Após um aumento no 1º trimestre, a tendência de contratações passou à estabilidade no 2º trimestre.

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