Avaliação Setorial - 2º Trimestre 2018

Desempenho do Setor

Atividade

O faturamento da indústria eletroeletrônica cresceu 7% no 1º semestre de 2018 em relação ao 1º semestre do ano passado. Esse incremento foi resultado da elevação de 9% no 1º trimestre, e de 6% no 2º trimestre, sempre comparados aos iguais períodos de 2017.


Variação %

Esse ano começou com expectativas favoráveis para o desempenho do setor, porém, após o 1º trimestre, começou a ser observado um esfriamento no ânimo dos empresários em função, principalmente, das incertezas políticas; redução nas projeções de crescimento do PIB; pressões externas que acarretaram em oscilações do dólar.

Todos esses fatores foram agravados com a greve dos caminhoneiros ocorrida em maio.

No final do 1º semestre deste ano, conforme dados da CNI agregados pela Abinee, o Índice de Confiança do Empresário Industrial do Setor Eletroeletrônico – ICEI ficou em 49,9 pontos. Essa foi a primeira vez que o índice do setor fica abaixo da linha dos 50 pontos desde dezembro de 2016. Este resultado indica falta de confiança do empresário da indústria eletroeletrônica.

No início deste ano, as projeções de crescimento para o PIB para 2018 estavam por volta de 3,0%. No final de junho, as expectativas do mercado foram reduzidas para cerca de +1,5%.

Conforme dados do Banco Central, a taxa de câmbio estava em janeiro em R$ 3,2106 por dólar. No mês de junho atingiu R$ 3,7732, o que significa desvalorização do real de 18% frente ao dólar.

Segundo sondagem realizada pela Abinee no final do mês de junho, o aumento nos custos decorrente da elevação do dólar foi repassado totalmente para os preços por apenas 7% das entrevistadas. A maior parte das empresas, ou seja, 52% das pesquisadas, conseguiram repassar somente parte deste aumento; 35% não repassaram nada e 6% não observaram elevação nos custos devido à desvalorização do real frente ao dólar.

É importante ressaltar que as fortes oscilações do câmbio, mesmo quando não implicam aumento de custos, são consideradas entraves significativos para as empresas, pois complicam o planejamento das indústrias.

Mesmo com todas as dificuldades citadas acima, o setor eletroeletrônico, no 1º semestre deste ano, apontou incremento em quase todas as áreas analisadas. Foram observados desempenhos mais modestos nas áreas elétricas, como: Material Elétrico de Instalação, que apontou queda de 7%, e de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica – GTD, cujo acréscimo foi de apenas 1%.

Por outro lado, destacou-se o incremento de 13% no faturamento de Utilidades Domésticas que contaram com as vendas de televisores, que foram estimulados pela Copa do Mundo de Futebol.

No caso de bens de consumo, conforme dados do IDC, destacou-se o incremento de 24% no mercado de notebooks em unidades, que contribuiu com a elevação de 14% no faturamento da área de Informática.

Ainda segundo o IDC, o mercado de desktops ampliou 5% e o de tablets reduziu 2%.

Produção

No caso de telefones celulares, em unidades, os dados do IDC mostram queda de 4%, no 1º semestre deste ano, com retração de 3% no mercado de smartphones e redução de 17% nos telefones tradicionais.

Nota-se que, mesmo com essa queda, aumentou em 4% o faturamento desse segmento, em função das vendas de aparelhos celulares de preços mais elevados.

É importante destacar que as vendas de bens de consumo neste ano estão sendo comparadas com uma base forte, uma vez que no ano passado, estes mercados foram estimulados pela liberação dos recursos das contas inativas do FGTS.

O arrefecimento dos negócios no 2º trimestre de 2018 também pode ser verificado em outros indicadores do setor tais como produção física e emprego.

Conforme dados do IBGE, agregados pela Abinee a produção, da indústria eletroeletrônica cresceu 10,9% no 1º trimestre, e 4,3% no 2º trimestre de 2018, comparados com iguais períodos do ano passado.

No 1º semestre deste ano, o incremento da produção do setor foi de 7,6%, decorrente da elevação de 18,2% da área eletrônica, uma vez que a área elétrica reduziu 1,3%.

Ainda referente à área eletrônica, o maior destaque foi a elevação de 27,9% na produção de aparelhos de áudio e vídeo, na qual se incluem os televisores, que foram estimulados pela Copa do Mundo de Futebol, conforme já citado anteriormente.

Mercado Oficial

No caso de emprego, com base em informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (Caged), o número de funcionários do setor eletroeletrônico aumentou de 234,2 mil em dezembro de 2017, para 238,8 mil no final de março de 2018.

Porém, a partir do início do 2º trimestre, começou a recuar, terminando o 1º semestre deste ano com 236,3 mil empregados.

Mercado Oficial

É importante ressaltar, que mesmo com as quedas verificadas nos meses de abril, maio e junho, a indústria eletroeletrônica apontou aumento de 2,1 mil vagas de trabalho nos primeiros seis meses do ano.

No que se refere ao mercado internacional, as exportações ficaram estáveis no 1º semestre deste ano, somando US$ 2,8 bilhões, com movimentos opostos nas diversas áreas do setor.

No caso das importações, o incremento foi de 16%, atingindo US$ 16,1 bilhões. Todas as áreas apontaram variações positivas ao comparar com o 1º semestre de 2017.

Importação


Perspectivas

Para o 2º semestre de 2018, as projeções indicam incremento de 3% no faturamento do setor em relação ao mesmo período de 2017.

Apesar das incertezas quanto às eleições que ocorrerão no próximo mês de outubro, as expectativas são de crescimento de 2% para faturamento no 2º semestre ao comparar com o 1º semestre deste ano.

Datas como a “Black Friday”, que se realizará em novembro e o Natal deverão estimular as vendas de bens de consumo eletrônicos, tais como celulares e notebooks.

Para o ano, as perspectivas são de crescimento de 5% no faturamento da indústria eletroeletrônica. Esse percentual foi inferior aos 7% projetados para 2018 no final do ano passado e mantidos no início deste ano.

Com isso, o faturamento do setor deverá encerrar 2018 com R$ 142,9 bilhões.

A projeção para a produção física de bens eletroeletrônicos é de elevação de 6% em relação a 2017.

As exportações deverão crescer 3%, atingindo US$ 6 bilhões. A desvalorização do real frente ao dólar deverá contribuir com esse incremento.

As importações aumentarão 8%, somando US$ 32 bilhões. Com estes resultados, o déficit da balança comercial de produtos eletroeletrônicos deverá somar US$ 26 bilhões, 9% acima do verificado no ano passado.

A utilização da capacidade instalada permanecerá em 77%, indicando que continuará alto o grau de ociosidade do setor.

O número de empregados no setor deverá atingir 240 mil trabalhadores, com aumento de 5,8 mil trabalhadores em relação ao final do ano passado.

Os investimentos deverão atingir 1,9% do faturamento. Apesar de superior ao apontado em 2017 (1,8%), ainda é muito inferior à média histórica do setor que está em torno de 3,0% do faturamento.

Número de Empregados

 
 
 

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