Avaliação Setorial - 1º Trimestre 2016

Desempenho do Setor

Atividade

Os principais indicadores de desempenho do setor eletroeletrônico no 1º trimestre de 2016 mostraram os efeitos da grave crise econômica que assola o País.

O faturamento da indústria eletroeletrônica teve queda nominal de 15% neste período na comparação com iguais meses de 2015, enquanto a produção retraiu 26,8% (dados do IBGE) e o emprego reduziu 2% no final de março de 2016 em relação a dezembro do ano passado, que representou menos 5,4 mil trabalhadores.


Variação %

Produção Física

Número de empregados

Os segmentos de consumo como Informática, Celulares e Material Elétrico de Instalação foram os principais responsáveis pela retração do setor.

O aumento do desemprego no País, a elevada taxa de juros, a queda da renda do trabalhador, as dificuldades de crédito, entre outras, aliadas às expectativas desfavoráveis do consumidor estão relacionados com esse comportamento.

Para ilustrar, os quadros abaixo mostram a queda das vendas de alguns equipamentos destinados ao consumidor, como desktops, notebooks e tablets (-50%) e telefones celulares (-33%), que corroboram a fragilidade do mercado de bens de consumo do setor eletroeletrônico.

Mercado Oficial de Celulares

Mercado de PCs

Por sua vez, o faturamento da área de Material Elétrico de Instalação vem sentindo os efeitos da baixa atividade da indústria da Construção Civil. Conforme sondagem da CNI, o ritmo de atividade dessa indústria, durante todo o 1º trimestre de 2016, permaneceu retraído, atuando com baixa atividade e em clima de pouco otimismo quanto ao futuro.

Os negócios com equipamentos de infraestrutura do Setor Eletroeletrônico no 1º trimestre de 2016 também foram ruins.

As áreas de Automação Industrial e Equipamentos Industriais, cujos produtos são destinados à infraestrutura produtiva, mostraram queda do faturamento de 12% no primeiro caso, e estabilidade no segundo.

Pesquisa de intenções de investimentos industriais no Brasil não tem mostrado bons indicadores já há algum tempo. A Formação Bruta de Capital Fixo (medida de investimento do PIB) retraiu 12% no 1º trimestre deste ano na comparação com igual período de 2015. Por sua vez, o ICEI – Índice de Confiança do Empresário Industrial – da CNI, vem mostrando pouca motivação dos empresários para essas inversões. (ver gráfico abaixo)

Índice de Confiança

O próprio comportamento da indústria não motiva investimentos. Conforme dados do IBGE, no 1º trimestre deste ano, a produção da indústria em geral apresentou queda de 12% na comparação com igual período de 2015 e, na série anualizada até março de 2016, ocorreu retração de 10%.

O pequeno crescimento do faturamento das indústrias de equipamentos de GTD – Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (+4%) deveu-se à retomada dos investimentos de algumas Distribuidoras de Energia em função da atualização das tarifas, e das encomendas de equipamentos de Geração decorrentes de leilões ocorridos em anos anteriores.

Por outro lado, no caso dos equipamentos para Transmissão, os fabricantes estão com dificuldades com os atrasos nos cronogramas de implantação de vários projetos, principalmente, da concessionária Abengoa, que entrou em recuperação judicial. Neste caso, há três situações distintas: projetos não iniciados; projetos iniciados, mas sem aquisição de equipamentos e, pior, projetos em andamento, com equipamentos fornecidos e não pagos.

No caso dos equipamentos para a infraestrutura para Telecomunicações, os investimentos das operadoras estão em trajetória de queda e interferindo na atividade de seus fornecedores de equipamentos.

No 1º trimestre de 2016, a queda dos investimentos das operadoras foi de 9% na comparação com o mesmo período de 2015, enquanto o faturamento dos fabricantes de equipamentos retraiu 12% na mesma comparação.

As exportações não compensaram a queda do mercado interno, apesar do crescimento de 6% no 1º trimestre de 2016 (US$ 1,46 bilhão) em relação ao 1º trimestre de 2015 (US$ 1,37 bilhão). Os segmentos de Equipamentos industriais, GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia - e Informática mostraram crescimentos expressivos.

No primeiro caso, destacaram-se os crescimentos das exportações para aparelhos de filtrar ou depurar gases (US$ 151 milhões) e aparelhos para tratamento de materiais por meio de operações que impliquem mudança de temperatura (US$ 92 milhões) para a China, com crescimentos de 4013% e 443%, respectivamente.

O incremento das exportações de equipamentos para GTD foram mais abrangentes, especialmente para disjuntores (+273%), grupos eletrogêneos (+32%), medidores de eletricidade (+18%), painéis e quadros (+352%) e seccionadores (+19%).

Os equipamentos para Informática tiveram como destaque as exportações de impressoras com US$ 20,4 milhões, o que representou um crescimento de 132%.

Exportações de Produtos do Setor

Por sua vez, as importações também sofreram os efeitos da retração do mercado interno, com queda de 41%, sendo que todas as linhas de produtos seguiram no mesmo sentido.

Importações de Produtos


Perspectivas

Para 2016, o faturamento do setor deverá atingir R$143 bilhões, permanecendo no mesmo nível de 2015, e 7% abaixo do registrado no ano de 2014.

Essa estabilidade em relação ao ano passado representará queda real de 8% em relação a 2015.

Projeções do Faturamento

Deve-se considerar que estes resultados são influenciados pelo baixo volume de negócios durante o ano de 2015, especialmente a partir do 2º trimestre daquele ano.

A avaliação das empresas quanto ao desempenho de 2016, de forma geral, é de baixo nível de negócios com permanência de muitas dificuldades.

Não é esperada a recuperação significativa do mercado de consumo, uma vez que as taxas de juros deverão permanecer elevadas, não deverá ocorrer recuperação significativa da renda, e o desemprego devera passar dos atuais 11,5% para 14,0% no final do ano.

Por sua vez, o processo de retomada do crescimento produtivo dependerá da solução ao imbróglio político. Isso resolvido, a retomada dos investimentos terá efeitos mais significativos a partir do próximo ano.

Da mesma forma, o investimento em infraestrutura dependerá do capital privado, que, por sua vez, aguarda novas condições das PPPs – Parcerias Públicas Privadas.

Quanto à infraestrutura de telecomunicações, os investimentos deverão permanecer retraídos.

Assim, só a partir do final do ano é que se espera a recuperação gradual do mercado.

Quanto às exportações, deverão ficar um pouco melhores do que as ocorridas no ano passado, atingindo US$ 6,1 bilhões, caso a moeda permaneça acima de R$ 3,50/US$, pelo menos.

As exportações tiveram papel importante para inúmeras empresas do setor para enfrentar a crise econômica do País, e essas mostram preocupação com a eventual valorização do Real, diante da atual política de câmbio flutuante.

Por sua vez, as importações deverão ter queda de 20% no ano de 2016 na comparação com as realizadas em 2015.

O número de empregados no setor deverá cair para 238 mil funcionários no final do ano, com queda de 4% em relação ao final de 2015.

Projeções dos Principais

 

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Informações Imprensa

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