Avaliação Setorial - 2º Trimestre 2016

Desempenho do Setor

Atividade

Os indicadores do setor eletroeletrônico do 2º trimestre de 2016 continuaram negativos, porém em patamares menores do que os apresentados no 1º trimestre deste ano.

Na comparação com o 2º trimestre de 2015, o faturamento do setor caiu 7%, enquanto a produção teve queda de 10%.


Variação %

A força de trabalho foi reduzida em 2,8 mil trabalhadores no final 2º trimestre em relação ao final do 1º trimestre deste ano.

As exportações caíram 4% passando para US$ 1.384 milhões no 2º trimestre deste ano.

Por fim, as importações foram 20% inferiores às realizadas nos mesmos meses de 2015, também sob o efeito da retração do mercado interno.

Exportações de Produtos

Somente os faturamentos dos segmentos de GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica - (+16%) e Telefones Celulares (+18%) cresceram no 2º trimestre deste ano na comparação com o 2º trimestre de 2015.

Quanto a GTD, os leilões de energia ocorridos nos últimos anos para obras de Geração e Transmissão de Energia Elétrica influenciaram o crescimento dos faturamentos de equipamentos. No caso da Distribuição, também foi influenciado pelo baixo nível de encomendas ocorridas no início do ano passado, beneficiando as comparações com aquele período.

Por sua vez, no caso de telefones celulares o crescimento do faturamento ocorreu, por um lado, devido às vendas de smartphones com maior valor agregado e, por outro, pelo crescimento das vendas de celulares tradicionais no 2º trimestre.

O aumento no mercado destes últimos produtos surpreendeu, uma vez que estavam tendendo ainda à sua substituição pelos smartphones. Porém, este comportamento foi pontual e a tendência de crescimento não deverá ser mantida.

Ressalta-se também que a participação da receita de telefones tradicionais no total de telefones celulares é bem pequena, representando cerca de 1,5% do total.

De forma geral, o ambiente para o consumo não foi favorável ao setor.

A queda de renda, a restrição ao crédito, o aumento do desemprego e a desconfiança do consumidor quanto ao futuro da economia durante todo o início do ano, inibiram as compras, especialmente, de bens de consumo duráveis.

Assim, a área de Informática teve queda de 28% no faturamento no 2º trimestre de 2016, comparado com o igual período do ano passado, enquanto Material Elétrico de Instalação recuou 5%. Neste último caso, continuou sob o impacto da forte retração da indústria da construção civil.

Os segmentos de Automação Industrial e Equipamentos Industriais, ou seja, os bens da capital do setor eletroeletrônico continuaram com dificuldades decorrentes do baixo investimento produtivo no Brasil. As duas áreas registraram desempenhos piores no 2º trimestre do que no 1º trimestre deste ano.

A formação bruta de capital fixo no Brasil, no 2º trimestre de 2016, retraiu-se 4% na comparação com igual período de 2015. No 1º trimestre já havia caído 11%, o que resultou em redução de 8% no 1º semestre.

Também comprova a queda de investimentos produtivos a redução dos desembolsos do BNDES. Conforme dados do Banco, os seus desembolsos durante o primeiro semestre do ano atingiram R$ 40,1 bilhões, 42% inferiores ao realizados no primeiro semestre do ano passado.

A maior parte dos recursos foi para projetos do setor de infraestrutura (R$ 12,9 bilhões) - com queda de 50% na comparação com o mesmo período do ano passado. Para a indústria foram destinados R$ 11,8 bilhões (-42%).

Por fim, a indústria de equipamentos para Infraestrutura de Telecomunicações sofreu os efeitos dos baixos investimentos das operadoras de telefonia.

Conforme dados da Telebrasil, no 2º trimestre de 2016, os investimentos das operadoras foram de R$ 5,9 bilhões, 11% abaixo do registrado em igual período de 2015. Ressalta-se que no 1º trimestre deste ano, estas inversões já haviam caído 9%, somando R$ 4,9 bilhões investidos.

Com isso, o faturamento dos fabricantes de equipamentos no 2º trimestre do ano foi 9% abaixo do registrado no 2º trimestre de 2015.

Com estes resultados, o faturamento do setor eletroeletrônico no 1º semestre de 2016 ficou 11% abaixo do realizado no 1º semestre de 2015, com crescimento somente nos casos de telefones celulares (+5%) e GTD (+10%).

Os demais setores mostraram retrações que variaram de -3% para Componentes Elétricos e Eletrônicos a -31% para o segmento de Informática.

Mercado Oficial

As exportações no período somaram R$ 2,8 bilhões, 1% acima das realizados no 1º semestre de 2015.

Foram responsáveis por este resultado as áreas de Equipamentos Industriais (+20%), GTD (+20%) e Informática (+61%).

Quanto aos Equipamentos Industriais, o crescimento teve origem nas exportações de aparelhos de filtrar e depurar gases, no valor de US$ 171 milhões, ocorridas em quase sua totalidade no mês de março de 2016. Sem estas exportações, as vendas externas dos demais itens desta área recuaram 8%.

No caso de GTD, o crescimento das exportações ocorreu devido a diversos equipamentos como painéis e quadros (+284%), transformadores (+3%), grupos eletrogêneos (+8%) e isoladores (+9%), entre outros.

Finalmente, no caso de Informática, o crescimento veio das exportações de impressoras (159%) e máquinas de processamento de dados (+65%).

Por outro lado, ocorreram quedas nas exportações das demais áreas do setor, como Componentes Elétricos e Eletrônicos, Material Elétrico de Instalação, Telecomunicações e Utilidades Domésticas.

Exportações de Produtos

No que diz respeito às importações, também sofreram a influência da queda do mercado interno neste 1º semestre do ano, com o montante de US$ 12,1 bilhões e retração de 32% na comparação com igual período de 2015.

Somente a área de GTD (+15%) apontou crescimento das importações de equipamentos no período, decorrente, principalmente, dos painéis e quadros (+201%) e transformadores (+303%).

Todos os demais segmentos registraram queda nas importações que variaram de -20%, para os equipamentos de Automação Industrial a -46,% para Utilidades Domésticas.

Importações de Produtos


Perspectivas

Para o ano de 2016, o faturamento do setor eletroeletrônico deverá atingir R$ 141,1 bilhões, com queda nominal de 1% em relação ao ano passado.

Projeções do Faturamento

Esta retração virá das áreas de Informática (-13%), Material Elétrico de Instalação (-2%) e Infraestrutura de Telecomunicação (-12%).

Ocorrerão alguns crescimentos como em Automação Industrial e Equipamentos Industriais, com +4% e +5%, respectivamente e GTD com +10%.

O ambiente para os negócios de bens de consumo continuarão desfavoráveis, como renda em baixa, tendência de aumento da taxa de desemprego, permanência dos juros elevados (porém com possibilidade de queda) e dificuldade ao crédito.

Apesar deste quadro, estes indicadores no 2º semestre serão melhores do que no início do ano, influenciado pela confiança do consumidor que vem se recuperando nos últimos meses.

Este é um fator positivo que está contribuindo com a perspectiva de pequena melhora no consumo no último trimestre do ano.

Por sua vez, o ambiente para os investimentos deverá melhorar significativamente com a possível aprovação da Emenda Constitucional que limita os gastos do governo pela inflação, que deverá ser votada ainda neste ano. Além de melhorar a confiança dos empresários locais, certamente irá atrair investimentos estrangeiros.

Deve-se destacar que a confiança do empresário industrial vem crescendo a cada mês, o que representa um bom indicador para a retomada do crescimento do país, que dependerá dessas inversões.

As projeções para os principais indicadores do Setor Eletroeletrônico para este ano estão descritos no quadro abaixo:

Projeções dos Principais

 

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