|
O faturamento do setor eletroeletrônico no 1º semestre de 2009 recuou 13% na comparação com idêntico período de 2008.
Este comportamento foi reflexo do desempenho de todos os segmentos que compõe o setor, cujos respectivos montantes faturados registraram percentuais que variaram de -3% para o segmento de GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica - até -29% para Material Elétrico de Instalação.
Var % do Faturamento Reais Correntes
| Áreas |
1ºT/09 X 1ºT/08 |
2ºT/09 X 2ºT/08 |
1ºS/09 X 1ºS/08 |
| Automação Industrial |
-5% |
-20% |
-12% |
| Componentes |
-21% |
-18% |
-20% |
| Equipamentos Industriais |
-11% |
-29% |
-20% |
| GTD * |
10% |
-14% |
-3% |
| Informática |
-16% |
2% |
-7% |
| Material de Instalação |
-26% |
-31% |
-29% |
| Telecomunicações |
-9% |
-20% |
-15% |
| Utilidades Dom. |
-9% |
-13% |
-11% |
| Total |
-12% |
-14% |
-13% |
* GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica
Observou-se que ocorreu retração do faturamento tanto no 1º trimestre (-12%), quanto no 2º trimestre (-14%), quando comparados com idênticos períodos de 2008, sendo que, no segundo caso, a queda foi maior.
O pior resultado do 2º trimestre, entre outros fatores, decorreu da elevada base de comparação, uma vez que, nesta mesma época no ano de 2008, o setor estava em plena expansão.
Conforme sondagens conjunturais realizadas durante todos os meses deste ano, o posicionamento das empresas foi no sentido de que a pior fase da crise econômica foi registrada nos primeiros meses deste ano, quando as vendas estavam retraídas, os estoques elevados e havia muita instabilidade nos pedidos em carteira, em decorrência de cancelamentos e reprogramações.
No 2º trimestre deste ano, os estoques se aproximaram dos níveis normais na maioria das empresas, tanto de matérias-primas como de produtos acabados. Registrou-se diminuição de cortes e reprogramação de pedidos, e o mercado passou a ser mais previsível, com resultados mais próximos dos esperados pelas empresas.
No entanto, o volume de negócios este ano permaneceu abaixo do ano passado, fato que deve ocorrer, pelo menos, durante o 3º trimestre deste ano.
Sob o aspecto setorial, destacou-se o crescimento de 2% no faturamento da área de Informática neste 2º trimestre em relação ao 2º trimestre/08, ante uma queda de 16% verificada no 1º trimestre imediatamente anterior vis a vis ao 1º trimestre/08. Outro destaque foi a queda ocorrida na área de GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica -, que no 1º trimestre/09 revelava crescimento de 10% e passou para uma retração de -14%, nas mesmas bases de comparações.
No caso de Informática, o mercado não foi de todo mau durante todo o 1º semestre. O que prejudicou a produção foi o ajuste de estoque do varejo ocorrido no 1º trimestre deste ano, o que acabou provocando retração das encomendas na indústria. No 2º trimestre, com os estoques ajustados, as encomendas voltaram a ser realizadas.
Quanto à área de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica, as encomendas de equipamentos para infraestrutura de distribuição de energia foram muito baixas devido à queda dos investimentos neste segmento, especialmente do Programa Luz para Todos.
Também chamou a atenção a queda do faturamento da área de Material Elétrico de Instalação, cujo principal mercado é a indústria da construção civil. Apesar do suporte do governo para evitar a queda de atividade da indústria da construção (entre elas a ampliação do limite do uso do FGTS de R$ 350 mil para R$ 500 mil para aquisição da casa própria, implantação do Programa Minha Casa Minha Vida com a meta de construir 1 milhão de imóveis, criação de condições de crédito favoráveis para o consumidor), o segmento de Material Elétrico não reagiu.
Tal fato é atribuído à retração das vendas de varejo, que dependem das pequenas construções, e devido às novas construções que estão sendo realizadas neste início do ano, estimuladas pelas medidas do governo, e que deverão gerar encomendas de Material Elétrico de Instalação somente a partir do 2º semestre.
Os segmentos de Automação Industrial e Equipamentos Industriais viveram dos pedidos em carteira formados anteriormente à crise econômica mundial. No 1º trimestre/09, a falta de recomposição dessa carteira implicou em queda do faturamento, o que se verificou, também, no 2º trimestre.
Esta falta de encomendas decorre da própria retração de investimentos na infraestrutura produtiva do país, cuja retomada dependerá da melhoria da confiança dos empreendedores, motivação que virá tanto do crescimento da economia interna como internacional.
Quanto à área de Telecomunicações, no 1º semestre deste ano ocorreram investimentos na infraestrutura, especialmente na telefonia móvel da terceira geração e na transmissão em banda larga, porém, o setor ressente-se da retração na entrada de novas encomendas, o que poderá implicar em maior queda de faturamento no futuro.
Por sua vez, os telefones celulares, apesar de alguma reação no 2º trimestre deste ano, ainda permanecem com um volume de negócios muito abaixo do verificado no ano passado. A queda de produção estimada neste 1º semestre é da ordem de 40% em relação ao 1º semestre/08.
|