Avaliação Setorial - 2º Trimestre 2019

Desempenho do Setor

Atividade

Os principais indicadores do setor eletroeletrônico mostraram que, no 1º semestre de 2019, a atividade desta indústria ficou no mesmo nível do verificado no mesmo período de 2018.

O faturamento nominal cresceu 5%, porém, descontada a inflação do setor de 5,5% (conforme o IPP – Índice de Preços ao Produtor do IBGE), esse indicador representou queda real de 0,5%.

A produção caiu 2,6%, conforme dados do IBGE, agregados pela Abinee, enquanto que a média do número de empregados no acumulado de janeiro a junho deste ano ficou estável vis a vis à média do igual período do ano passado.


Empregados

O crescimento de 5% no faturamento do setor no 1º semestre de 2019 foi resultado da estabilidade verificada no 1º trimestre e da elevação de 9% no 2º trimestre deste ano, sempre comparando com iguais períodos do ano anterior.

Vale lembrar que o incremento apontado no 2º trimestre de 2019 foi influenciado pela fraca base de comparação, devido à greve dos caminhoneiros ocorrida nos meses de abril e maio do ano passado, fato que implicou na redução substancial da produção e faturamento das indústrias naqueles meses.

Variação

Os setores que se mostraram menos dinâmicos na primeira metade do ano foram de GTD – Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (-11%), Informática (+1%) e Componentes Elétricos e Eletrônicos (0%).

Especificamente na área de GTD, o cancelamento de leilões de energia em 2015 e 2016 reduziu os montantes de entrega do insumo para os anos de 2019 e 2020, o que causou redução nas aquisições de equipamentos de Geração de Energia.

Por sua vez, no caso de Informática, dados da consultoria IDC revelaram que o mercado de PCs se retraiu 4% no 1º semestre deste ano comparado com o mesmo período de 2018. Esse resultado foi consequência da queda de 4% nas vendas desktops, redução de 9% nos tablets e estabilidade nos notebooks.

Produção

De forma geral, para os demais setores, os crescimentos apresentados foram atribuídos à fraca base de comparação, devido à greve dos caminhoneiros, uma vez que não foram identificados fatores que mostrem recuperação importante dos respectivos segmentos.

Apesar disso, o segmento de Material Elétrico de Instalação já tinha mostrado crescimento expressivo no 1ª trimestre do ano (+14%) e voltou a mostrar novamente no 2º trimestre (+13%), com indicações de melhora no mercado de pequeno varejo destes bens.

Também teve performance diferenciada a área de infraestrutura de Telecomunicações (+13%), tendo em vista o crescimento nos investimentos das operadoras, que atingiram R$ 15 bilhões.

Ainda na área de Telecomunicações, conforme dados da IDC, o mercado de telefones celulares, em unidades, mostrou crescimento de 1%, no 1º semestre deste ano, com estabilidade no mercado de smartphones e incremento de 16% nos telefones tradicionais.

Mercado

Com estes resultados, o faturamento da área de Telecomunicações ampliou-se 8% no 1º semestre deste ano.

No que se refere ao mercado internacional, as exportações no 1º semestre de 2019 ficaram 2% abaixo das ocorridas no mesmo período de 2018, somando US$ 2,7 bilhões.

Destacou-se a retração de 30% das exportações para a Argentina, cuja participação recuou de 21% para 15%, no período citado.

No caso das importações, foi verificada queda de 2%, atingindo US$ 15,8 bilhões. Esse resultado também demonstrou o pouco dinamismo do mercado interno, especialmente ao observar a retração de 6% nas compras externas de componentes.

Com exceção das áreas de Equipamentos Industriais, GTD e Telecomunicações, as importações de todas as demais áreas foram menores do que as realizadas na primeira metade do ano passado.

Especificamente no caso de GTD, a significativa elevação de 55% ocorreu principalmente devido aos expressivos incrementos nas importações de transformadores (+1.035%) e de grupos eletrogêneos (+891%).

Celular

Perspectivas

As expectativas para 2019 começaram otimistas no início deste ano, porém os ânimos foram esfriando no decorrer dos meses. Mesmo assim, as perspectivas ainda são de crescimento para o ano.

Os empresários do setor estão preocupados com o ritmo lento da retomada da atividade. No mercado interno, as atenções estão no andamento da agenda das reformas estruturais do País, principalmente das reformas da Previdência e Tributária.

No cenário internacional, a guerra comercial entre os Estados Unidos e China e a crise na Argentina preocupam as empresas do setor.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico, conforme dados da CNI agregados pela Abinee, recuou no mês de setembro, atingindo 56,7 pontos. Esse resultado interrompeu a trajetória de crescimento observada nos três meses anteriores.

Mesmo assim, o ICEI do setor continua acima da linha dos 50 pontos, o que mostra confiança do empresário neste 2º semestre, entretanto ainda em patamar inferior ao observado em janeiro de 2019 (65,1 pontos).

Conforme sondagem de conjuntura realizada pela Abinee no mês de agosto, 67% das empresas projetam crescimento para o ano de 2019 em relação a 2018. Apesar desse resultado ter sido o menor apontado neste ano, ainda permanece otimista.

Com isso, o faturamento do setor deverá encerrar 2019 com R$ 154,1 bilhões, 5% acima de 2018.

A projeção para a produção física de bens eletroeletrônicos é de estabilidade em relação ao ano passado.

As exportações deverão cair 4%, atingindo US$ 5,6 bilhões, sofrendo impacto negativo da queda das vendas para a Argentina.

As importações deverão permanecer o mesmo nível de 2018 somando US$ 31,8 bilhões. Com estes resultados, o déficit da balança comercial de produtos eletroeletrônicos deverá registrar US$ 26,2 bilhões, 1% acima do verificado no ano passado.

A utilização da capacidade instalada permanecerá em 74%, indicando que continuará alto o grau de ociosidade do setor.

O número de empregados no setor deverá atingir 235 mil trabalhadores, com aumento de 2,8 mil trabalhadores em relação ao final do ano passado.

Os investimentos deverão se manter em 1,8% do faturamento, patamar ainda muito inferior à média histórica do setor - cerca de 3,0% do faturamento.

Mercado Oficial

 
 
 

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